Rock in Rio: explicando porque não é mais rock...

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Por Marcelo Dias Albuquerque
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Você, que é fã de heavy metal e rock, deve se sentir um pouco incomodado com o fato de haver tantas bandas ou artistas no "Rock in Rio" que simplesmente não tenham nada a ver com o rock, não é? Mas antes de mais nada, você precisa entender como isso tudo funciona.

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"Rock in Rio", desde sua primeira edição em 1985, foi apenas uma grande sacada de marketing do empresário brasileiro Roberto Medina. Para quem não sabe, Medina é um dos maiores publicitários do país até hoje. E com o evento em questão ele simplesmente quis aproveitar um ensejo comum naquela época. Na década de 1980 houve a maior explosão da história do rock. Foi a década de ouro, quando estouraram a maior parte das grandes bandas que temos até hoje. E qual empresário não gostaria de aproveitar isso?

Roberto Medina teve olhos no futuro e percebeu que aquele era o momento certo de apostar no rock; desde a década de 70 já era sabido que este gênero passaria por altos e baixos. Então, o evento deu certo, trouxe dezenas de bandas para cá, e naquela época quase todas eram mesmo bandas de rock. Foi a primeira vez que Iron Maiden veio ao Brasil. Imagine só a emoção dos metaleiros tupiniquins! Como a primeira edição do evento foi um tremendo sucesso, era de se esperar que fizessem de novo. E em 1991, houve a segunda edição, um outro sucesso.

Acontece que por um período de dez anos tivemos um hiato. E o evento voltaria a ser realizado novamente somente no de 2001. Aí, imagine só quanta coisa havia mudado. O rock já não estava tão vivo quanto antes; não havia mais boa parte das grandes bandas do passado. Guns 'n Roses sem Slash? Iron Maiden recém saído de uma era sombria com Blaze nos vocais... Seria muito arriscado aos olhos de um publicitário e seus acionistas arriscar-se novamente só com o Rock. Então, eles provavelmente tiveram a brilhante ideia de desfocar um pouco as coisas.

Houve então a primeira "POPularização" do evento. Foram feitas "tendas" onde tocariam outros estilos, como música eletrônica, pagode, etc., tipo um "Planeta Atlântida". E aí neste mesmo ano houve a campanha "Por um mundo melhor", slogam usado para simbolizar um pedido pela paz mundial, etc. E naturalmente, no palco principal, também pudemos contar com a presença ilustre de cantores pop nacionais e até internacionais.

As edições seguintes do evento até a edição atual seguiram o mesmo cronograma, dando espaço para músicos que não tenham qualquer relação com o rock. Só que isso tem uma explicação sócio-econômica. Pense comigo: Porque fazer um evento voltado apenas ao público rock, se eu posso fazer um evento misto, ainda com o mesmo título falso, para então vender 500% a mais de ingressos?

Afinal de contas, não é por causa de uma Claudia Leite que você vai deixar de prestigiar Iron Maiden, não é? Não é por causa de Beyoncé que você deixará de assistir o show do Bon Jovi. É assim que funciona. Agora, você que é rockeiro vai ao evento, como teria ido nos anos anteriores; mas os fãs de Beyoncé também vão, bem como os fãs de Madonna, Claudia Leite, Inimigos da HP, ou qualquer outra banda mais popular. E assim sendo, o evento atinge uma margem de público muito maior.

Particularmente, não iria ao Rock in Rio. Nunca fui e pretendo não ir. Acredito até que ninguém devesse ir, como protesto ao nome falso que o evento ostenta. Mas, entenda que enquanto você for ao evento para prestigiar sua banda favorita, estará também prestigiando ao evento. E isso se torna muito mais interessante aos olhos do empresário. A Rede Globo não está nem aí para o rock; assim como nenhum empresário ou publicitário de sucesso. Pessoas assim querem focar onde está o dinheiro, que é no bolso do público. Apenas isso.

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