Sebastian Bach: repertório fantástico e execução trágica no RIR

Resenha - Sebastian Bach (Rock in Rio, Rio de Janeiro, 19/09/2013)

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Por Diego Camara
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Se há alguma palavra para demonstrar o resultado do show de SEBASTIAN BACH, ex-vocalista do SKID ROW, no primeiro dia metal do Rock in Rio, temos esta: terrível. É difícil até descrever o resultado final do show de Sebastian Bach, que beira ao desastroso dada a totalidade de erros que ocorreram e a falta de preparo tanto da banda quanto das equipes presentes. Decepção para os fãs não poderia ser maior, dado que muitos pareciam estar afinados para a apresentação do vocalista.

Fotos: divulgação, Approach, Rock In Rio, IHateFLash

O show começou com a pontualidade de sempre, mas os pontos positivos acabaram ficando por ali. A entrada no palco foi fantástica, o público gritava e pulava cheios de emoção. Erguiam os braços e aplaudiam, esperavam um grande espetáculo. O resultado da primeira música, a conhecida "Slave to the Grind" do SKID ROW, foi triste: apenas o som da bateria se podia ouvir. O resto dos sons apanhava, o baixo era inaudível e a guitarra só parecia aparecer um pouquinho na hora do solo.

Se pensavam, porém, que só seria um primeiro hit jogado fora, a sequência desastrosa continuou com "Kicking & Screaming", "Dirty Power", "Here I Am" e "Big Guns". Na primeira, se viu algo que eu nunca havia visto na vida: o guitarrista para de tocar a música e começa a afinar seu instrumento no meio do palco. Afinou uma vez, testou, afinou duas, testou de novo. Onde estava com a cabeça a banda? Não houve passagem de som? Onde estão os técnicos de som e dos instrumentos? Ninguém consegue entender tal falta de profissionalismo.

O português de Bach foi outra coisa extremamente bizarra. Não era possível entender direito o que ele estava falando. Outros frontmen, que se arriscaram na tarefa nos outros shows, se saíram melhor e parece que treinaram o português antes. Bach só conseguiu trazer pontos de interrogação para a maioria gritante do público, mas parece que falou algo sobre espera de 25 anos para estar no Rio de Janeiro (ou no Rock in Rio, sei lá), ou algo assim.

A plateia, que começou o show bastante animada, e até tentava puxar a música cantando "junto" com Bach (notem as aspas, afinal ninguém ouvia direito o que Bach cantava), acabou começando a ficar tímida no decorrer do show: parecia meio estranho, para a maioria dos fãs presentes, cantar músicas que não estavam animando ninguém no momento. Os poucos momentos de empolgação eram quando respondiam aos comandos do vocalista, coisa que não negaram em momento algum.

Em "Stuck Inside" tentou-se uma melhora no som, mas ainda mostrou um Bach bastante surrado, que se esforçava em conseguir ser ouvido. Em "Piece of Me", o som bem superior que na primeira metade do show, deu até para ouvir um bom solo de guitarra, que empolgou alguns dos fãs.

O destaque positivo do meio do show foi "18 and Life", onde a plateia já cantou junto e balançou as mãos na introdução. Animados como deveriam ser, deste o início do show, ficou clara a vontade de ainda ouvir pelo menos uma metade de show digna das músicas que estavam sendo tocadas no repertório.

Mas parece que foi só com "Tunnelvision" que o som ficou realmente decente. Porém, o resto do palco, o show parecia extremamente morno, com pouca vida. A plateia aplaudiu, parecia até que enfim pelo menos contente de ouvir uma música inteira com alguma qualidade.

Porém, se o som já estava decente, o resto do show parecia minguar a apresentação. As luzes não pareciam estar condizentes com as músicas, faltava vida e um conjunto ao espetáculo, e isso também se refletia na empolgação dos fãs, que mesmo com um som decente não conseguiam emplacar a mesma vontade da entrada no palco de Bach e companhia.

Em "I Remember You", a plateia gritava pelo vocalista e cantou junto durante toda a execução. Um dos melhroes momentos da noite, bastante bela a música ressoou por todo o Rock in Rio. O show foi finalizado com "Youth Gone Wild", outro sucesso do SKID ROW eternizado na voz de Bach. Desta vez ele mostrou ótima presença de palco e domínio do público, que gritou e levantou as mãos.

Fechou com chave de ouro um show que, infelizmente, em sua maioria acabou sendo trágico em sua totalidade. Parece também ter ganhou um cachê polpudo da Shell para utilizar sua propaganda durante o espetáculo, então podemos esperar Bach talvez em um futuro comercial da marca. Aguardemos o show em São Paulo, pois se entrarem no palco com o mesmo despreparo, será mais uma grande decepção aos fãs brasileiros do músico.

Setlist:
1. Slave to the Grind (música do Skid Row)
2. Kicking & Screaming
3. Dirty Power
4. Here I Am (música do Skid Row)
5. Big Guns (música do Skid Row)
6. Stuck Inside
7. Piece of Me (música do Skid Row)
8. 18 and Life (música do Skid Row)
9. American Metalhead (cover do PainmuseuM)
10. Tunnelvision
11. Monkey Business (música do Skid Row)
12. I Remember You (música do Skid Row)
13. Wasted Time (música do Skid Row)
14. Youth Gone Wild (música do Skid Row)



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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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