Ghost BC: A Missa Negra estava cheia de ateus no Rock in Rio
Resenha - Ghost BC (Rock In Rio, 19/09/2013)
Por Alessandro Eduardo
Fonte: Sound and Vision
Postado em 20 de setembro de 2013
As luzes se acendem e começa a missa negra e seu canto gregoriano. Infestissumam funciona mais como uma introdução que uma música propriamente dita, mas é pesada e ótima abertura e vem emendada por Per Aspera Ad Inferi, bem pesada e agressiva. Na sequencia temos Con Clave Con Dio e Prime Mover, e são bem recepcionadas pelo público da noite.
A coisa começa a tomar outros ares com Secular Haze, com sua introdução de órgão estilo The Doors, injetou um tanto de psicodélica a um público não afeito a diversidade musical. Começa Stand by Him continua com a pegada psicodélica e teclados na primeira parte da música e no seu meio vira totalmente Slayer e volta a terminar permeada pelos teclados.
Papa Emeritus II, apesar de todo seu visual e pompa, não é um grande comunicador e fala pouco com o público. Começa Genesis, faixa instrumental que encerra o primeiro CD da banda, e bem recepcionada pela plateia com palmas. Ao fim desta canção Emeritus retorna ao palco e com olhar repreensivo para o público pede palmas aos membros da banda, a partir daí o que se ouviu da plateia foram gritos de: "Metallica! Metallica!".
Year Zero é recepcionada por esses mesmos gritos. A belíssima canção é prejudicada por essa reação do público e pelas partes de playback com o coro da introdução de "Belial, Behemoth, Beelzebub...". O som estava muito embolado e quase não se ouvia. Mas foi outra boa música, que mostra a diversidade da banda. Mais simpático, Emeritus conversa com o público e pede que eles se juntem à banda para Ritual. Essa canção tem um ótimo riff e uma manha pop, você ouve e já gruda na cabeça.
As luzes se apagam e somos levados aos anos 70, Guleh/Zombie Queen começa conduzida por teclados, baixo e bateria e Papa Emeritus encarna Alice Cooper para depois a canção virar um misto de surf music e glam rock e Emeritus mostrar seu lado David Bowie. Uma pena o público não ter absorvido essa canção riquíssima da banda.
Emeritus anuncia a última canção, agradece e convoca todos a participar em Monstrance Clock, com sua condução marcial e guitarras anos 70, mostrando mais uma vez a influência de Blue Oyster Cult. A plateia esboçou uma reação e cantou o refrão junto a Emeritus.
Ficou faltando Elisabeth e Satan's Prayer, que são músicas que seriam uma escolha mais acertada para a plateia que eles estavam tocando. Parecia uma missa que estava cheia de ateus.
Finalizando, a banda cresce muito ao vivo e já se nota uma evolução em seus músicos, principalmente o baixista. Mas, nota-se que eles funcionam muito melhor em um palco menor. Em minha opinião, o mais sensato seria se eles tivessem fechado a noite no palco Sunset e Rob Zombie tocado no Palco Mundo. Quem conhece as canções ou se dispôs a abrir a mente e ver a diversidade e proposta da banda, assistiu a um bom show. Os Nameless Ghouls são até simpáticos, Papa Emeritus II canta bem, mas poderia deixar de lado um pouco o teatro papal e ser mais comunicativo e espontâneo em cima do palco, seus trejeitos são todos estudados. É como se eles estivessem sempre dando um sermão, com suas expressões severas.
SET-LIST:
INFESTISSUMAM
PER ASPERA AD INFERI
COM CLAVI COM DIO
PRIME MOVER
SECULAR HAZE
STAND BY HIM
GENESIS
YEAR ZERO
RITUAL
GULEH/ZOMBIE QUEEN
MONSTRANCE CLOCK
Rock In Rio 2013
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