Por que Paralamas do Sucesso se recusaram a tocar nos Rock in Rio 2 e 3, segundo produtor
Por Gustavo Maiato
Postado em 13 de dezembro de 2025
Poucas bandas atravessaram os anos 1980 com tanta consistência, popularidade e respeito artístico quanto os Paralamas do Sucesso. Enquanto muitos grupos surfaram a onda do rock brasileiro e ficaram pelo caminho, o trio liderado por Herbert Vianna construiu uma trajetória marcada por crescimento constante, inquietação criativa e decisões estratégicas que nem sempre foram óbvias para o grande público. Uma dessas escolhas, que até hoje desperta curiosidade entre fãs, foi a ausência da banda nos Rock in Rio 2 e 3, realizados em 1991 e 2001.
Paralamas Do Sucesso - + Novidades
Para entender essa decisão, é preciso olhar para a figura de Carlos Savalla, produtor histórico dos Paralamas e personagem central na engrenagem do rock nacional. Savalla trabalhou com nomes como Erasmo Carlos antes de apostar todas as fichas em uma banda ainda em formação, recém-saída do primeiro disco. Ele esteve ao lado de Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone em momentos decisivos, ajudando a moldar não apenas a carreira do grupo, mas também sua postura diante da indústria musical e dos grandes eventos.
Rock in Rio e Paralamas do Sucesso
Em entrevista ao programa Corredor 5, Savalla relembrou que a recusa aos convites para o Rock in Rio não teve nada a ver com birra ou desinteresse, mas com estratégia. Segundo ele, após o impacto do primeiro festival, em 1985, a banda entendeu que repetir a experiência poderia significar estagnação. "No segundo, porque foi uma estratégia que eu fiz com os Paralamas. Tipo assim: Rock in Rio, vamos embora daqui. Quando tiver Rock in Rio, a gente vai estar fora do país", explicou o produtor, deixando claro que a ideia era associar o nome da banda a crescimento e não a repetição.
Savalla contou que, nos bastidores, os organizadores queriam novamente os Paralamas nos festivais seguintes, mas a decisão foi manter distância. "Por que eu ia voltar pra fazer Rock in Rio só pra fazer uma excursão, tipo abrir pro Brian May? Vou deixar o Rock in Rio pra lá. Já foi o que a gente tinha que fazer no Rock in Rio, já foi feito. Vamos fazer outra coisa", afirmou. A leitura era simples: a banda estava em um momento de expansão internacional e não queria ser vista como atração recorrente de um mesmo evento.
Essa postura estava alinhada com a mentalidade inquieta dos Paralamas, algo que Savalla diz ter estimulado desde cedo. Ele relatou que constantemente apresentava novas referências musicais ao grupo, criando um ambiente de troca criativa permanente. "A gente tinha uma inquietude artística", resumiu. Para ele, repetir fórmulas ou permanecer em zonas de conforto nunca combinou com Herbert Vianna e seus parceiros.
O produtor também destacou que essa decisão só foi possível porque havia confiança mútua. Savalla lembrou que deixou um trabalho seguro ao lado de Erasmo Carlos para apostar em uma banda que "não tinha a menor perspectiva de nada" naquele momento. "Eu joguei todas as fichas nos Paralamas. E jogaria de novo", afirmou, reforçando o grau de envolvimento pessoal e profissional na trajetória do grupo.
Confira a entrevista completa abaixo.
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