Chorão: por que tamanha repercussão?

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Por Bruno Saruê
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Quem é esse tal Chorão? Por que sua morte causou tamanha repercussão? Tem muita gente falando sobre o assunto e criticando a repercussão da morte do Chorão. Pois bem, quero deixar minha opinião a respeito.

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Chorão era o vocalista, líder, letrista e um dos principais compositores da banda Charlie Brown Jr. O Charlie Brown foi uma das mais importantes bandas de Rock brasileira do fim dos anos 90 e início dos anos 2000. A sua influência na música nacional foi gigantesca, não apenas para a “cena” rock. A banda moldou seu estilo somando elementos do rock, pop, punk-hardcore, ska, reggae, hip hop e rap, chegando a flertar até mesmo com o samba e a mpb.

A banda fez parceria com diversos músicos de diversas áreas: samba, rock, mpb, rap, hip hop. Chorão soube traduzir, em letras simples, mas também em momentos trabalhados, a cultura brasileira advinda das ruas, do jovem desvalorizado e desacreditado no Brasil. Vale lembrar que a banda despontou em 1997, três anos após o plano real surgir, ainda vivendo o sentimento de um país abatido pelas crises econômicas, sem futuro, sem expectativas ou esperança. Vale lembrar que o país somente emergiu das crises e despontou como um país de ponta a partir de 2005, atingindo seu apogeu em 2007/2008, decorrente das políticas adotadas nas décadas de 90 e 2000.

Quando a banda despontou, a única banda de rock forte no cenário nacional era o Raimundos, seguido da Nação Zumbi, que naquele ano, no auge, acabara de perder seu líder e principal compositor, Chico Science, morto em um acidente de trânsito; e o Planet Hemp, que acabara de terminar, com o Marcelo D2 decidindo alçar voo solo (em 1998 seria lançado seu primeiro álbum solo); sendo que as tradicionais bandas rock brasileiras (paralamas, titãs, barão vermelho etc.) perdiam cada vez mais espaço, seja em função de brigas entre seus membros, morte de músicos, mudança no gosto do público, mas, principalmente, porque o rock já tinha iniciado seu declínio, após o auge vivido nos anos 80 e começo dos 90.

O Charlie Brown Jr. Mudou completamente o cenário, trazendo o rock de volta ao mainstream e angariando fãs de outros segmentos musicais, em razão da sua mistura de ritmos e letras que representavam o sentimento dos jovens na época. E isso foi liderado e traduzido pelo Chorão em suas letras.

A marca deixada pela banda e pelo seu líder na cultura brasileira é inegável. A musicalidade da banda é de uma qualidade impar, conseguindo misturar estilos diametralmente distantes com maestrias. E as letras – que retratam festas; uso de drogas; problemas com a polícia, amigos e vizinhos; educação; esperança; futuro; ética; atitude; filosofia de vida; amor (sim, há muitas letras falando sobre amor e conquista da garota amada); política; machismo; engajamento social – foram de suma importância para toda uma geração, influenciando a forma como as pessoas – os jovens – viam o mundo e encaravam as dúvidas sobre a vida.

As letras do Chorão, principalmente nos três primeiros álbuns, tiveram considerável influência sobre a minha vida e influenciaram fortemente a forma como eu vejo a sociedade, seja no aspecto político, seja no aspecto amor e relacionamentos. Em diversas ocasiões em minha adolescência discuti as letras com amigos e tentei interpretar seu significado – ainda que muitas das gírias eu só viesse a entender depois de adulto.

Muitos comparam a repercussão da morte do Chorão com a repercussão da morte do Hugo Chavez, principalmente dizendo que a morte do segundo é bem mais relevante (e por isso deveria ter maior repercussão) do que a do primeiro.

Pois bem, para o cenário mundial e político, evidentemente a morte do Chavez é muito mais relevante, seja para quem gosta ou para quem não gosta de suas atitudes e ideais. Por outro lado, vale pontuar que ele é uma figura distante para quem mora no Brasil. Não é uma figura que participou ativamente da vida dos brasileiros. Há uma maior proximidade para aqueles que estão ou se sentem envolvidos com os ideais socialistas, mas, ainda assim, é uma figura distante, uma figura internacional.

O Chorão, por outro lado, é uma figura nacional que ajudou a mudar a música nacional (todas as bandas de rock, e também de outros estilos, que vieram depois do Charlie Brown Jr. foram influenciadas por eles), criou um novo estilo, mostrou que a mistura de ritmos era possível e que a união de “tribos” diferentes era, também, possível (vale lembrar que nos anos 80 punks e metaleiros costumavam se enfrentar em brigas de gangues). A música é emoção. O brasileiro é emoção. É isso que move nosso povo e nosso país. Aquele que não sente a morte de um artista, esportista, ou qualquer outro tipo de ídolo é uma pessoa frustrada. Aquele que não tem ídolos (pessoas que admira), pode ser considerado, para mim, uma pessoa frustrada, pois, não tem pessoas em quem se espelhar para buscar melhorar em sua vida.

As letras do Chorão foram uma inspiração para toda uma geração. Durante os 15 anos de sucesso, Chorão conseguiu motivar o jovem, mostrar que o futuro melhor só dependia dele, mostrar que o jovem não era “levado a sério” (ou seja, não era visto com a importância que tinha para o futuro do país – como ainda não é totalmente), mostrar que para conquistar mudanças era preciso se engajar, era preciso agir, participar. Mas o amor sempre tinha de estar presente. O amor era a linha mestra, o guia. Chorão ensinou a amizade, ensinou a alegria, ensinou a esperança, ensinou o engajamento, mostrou o que era a farra, mostrou a visão que o brasileiro tinha da sociedade e das instituições.

Chorão não era um homem perfeito. Tinha vários defeitos. Era impulsivo e agressivo. Desbocado, falava sem medo, sem pudor. Era conhecido usuário de drogas. Em muitos aspectos não é um exemplo de pessoa a ser seguido. Mas tinha um imenso coração. E ajudou muitos jovens a progredirem, ajudou diversas ONGs. Incentivou a “cultura das ruas”, tais como a música, o grafite, o skate – este último, inclusive, um importante fator de inclusão social no fim dos anos 90 e início dos 2.000 e que teve participação preponderante do Chorão. Apoiou diversos movimentos sociais e medidas que buscavam incluir o jovem. Mudou a relação do jovem com a cultura, com a música, com a forma de se expressar. Marcou mais de uma geração. Deixou um legado cultural e de manifestação social.

Quem tem entre 15 e 30 anos certamente foi influenciado ou, ao menos, curtiu ao som de pelo menos uma música do Charlie Brown. Por isso, me arrisco a dizer que, talvez, o Chorão tenha sido mais importante para os brasileiros nesta faixa etária do que Hugo Chavez. Digo isso ao menos no quesito emoção e no quesito influência no dia-a-dia das vidas destes jovens. Ele, no mínimo, era figura mais próxima. E como não deixar de mencionar a influência social que ele teve no Brasil? No parágrafo anterior já mencionei a atuação e o engajamento social e cultural dele. Certamente, no lado social do brasileiro, foi mais relevante do que o Hugo Chavez. Talvez não tenha sido de tamanha relevância filosófica quanto Hugo Chavez para o mundo (seja isso visto de forma positiva ou negativa), mas, certamente, o foi no quesito cultural. E arrisco a dizer que, para a maioria dos brasileiros, também teve maior relevância filosófica, pois, creio que a maioria dos brasileiros não saiba quem foi e o que fez Hugo Chavez.

Chorão foi um símbolo. Uma influência. Uma companhia sonora para muitos jovens (reitero, principalmente entre 30 e 15 anos). Por que de tamanha repercussão? Além dos motivos acima, qual é mesmo a faixa etária do público que mais utiliza as redes sociais? Ah, tá.

Essa é a minha opinião. Gostem ou não.

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