Um novo cometa se aproxima... e a extinção é inevitável
Por Mário Liz
Postado em 07 de junho de 2012
É triste, mas ficaremos órfãos. Os dinossauros se extinguirão novamente do planeta... e para nós, restarão os arquivos e a alegria sensível da lembrança de quem teve o privilégio de presenciar um grande show de rock.
Não consigo imaginar coisas boas ou ser otimista em relação ao futuro. Alguém aqui parou para pensar no que será dos grandes espetáculos quando U2, KISS, IRON MAIDEN, ROGER WATERS, BLACK SABBATH, MOTORHEAD, PEARL JAM, JETHRO TULL, DEEP PURPLE, METALLICA, AC/DC, PAUL MCCARTNEY, ROLLING STONES e tantos outros DINO-ROCKERS pendurarem as chuteiras? Por mais que artistas como OASIS, COLDPLAY, SYSTEM OF A DOWN e tantos outros tenham seu mérito, acho impossível existir luz semelhante aos dinossauros. Aquele contágio incrível que há na platéia, as lágrimas sinceras, as mentes vislumbradas e o filme da vida de cada pessoa bem ali, no canto de cada olhar... toda esta magia está em extinção. E o tempo dirá que estou certo.
A deficiência dos artistas de hoje em dia, é o esquecimento ou o abandono por completo da emoção transmitida ao público. Há muita frieza nos musicistas e principalmente nas composições, que são quase sempre automáticas. A música atual é regida por tendências, quando na verdade, a sua função é de criar tendências. É tudo segmentado demais, cada grupo social com seu idolozinho e nenhuma arte universal e atemporal como IRON MAN do BLACK SABBATH (onde nem é preciso gostar de rock para reconhecer a genialidade de um riff tão simples e ao mesmo tempo tão poderoso), ou ainda, como quando escutamos uma canção do PINK FLOYD ou dos BEATLES e temos a certeza de que naquelas notas há algo muito maior do que a própria música transmitida: há uma obra de arte travestida por sons em harmonia, sinceridade e pureza de idéias. Duvido que haja esta sinceridade e pureza no AVENGED SEVENFOLD, no KORN e até mesmo na ADELE (que foi imediatamente inserida na mídia para tapar o buraco retrô deixado pela falecida, competente e problemática AMY WHINEHOUSE). Em momento algum consigo vislumbrar o mundo, daqui há 30 anos, cantando de forma emocionante os petardos destes artistas talentosos, porém, sem impulso natural.
As manifestações humanas e globais presenciadas nos shows do ROGER WATERS THE WALL em 2011 e 2012, em que gerações distintas entoavam as mesmas canções e com a mesma força e sentimentos sintonizados, infelizmente, sucumbirão à força do tempo. E por isso ficaremos órfãos... e não somente nós, mas nossos filhos e os filhos de nossos filhos.
É uma pena apenas as obras serem eternas.
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