VMB 2011: focando na comédia segregada e mutilando a música
Por Daniel Junior
Fonte: Aliterasom
Postado em 22 de outubro de 2011
Acreditem: foi um martírio manter os olhos abertos e assistir o talentoso MARCELO ADNET fazer piada de tudo – em uma velocidade impressionante – e confessar, de forma quase que objetiva, que música no canal paulista, hoje, é apenas uma desculpa e que a "festa mais importante da música brasileira" transformou-se em um stand-up comedy de 2 horas.
A preocupação em consolidar os novos ídolos da molecada (este mesmo ADNET, RAFINHA BASTOS, RAFAEL CORTES, CARIOCA-PÂNICO) no âmbito humorístico, enterra de vez as chances de que a emissora em algum momento, realmente se preocupe em lançar novas tendências e seja mais democrática possível.
Quando CRIOLO vence várias categorias indicadas e faz um discurso político correto mas com uma feição antipática, não dá para crer nos herois ideológicos ‘por estação’, porque é mais ou menos assim que a emissora trata suas revelações: pelo canal, artistas novos serão "sempre" novos enquanto novidade. Depois disso são substituídos – sem cerimônia e degustação – por outras bandas e artistas iniciantes. Algumas vingam e outros continuam promessas.
Um evento deste porte só cria falsas ilusões em quem concorda com as indicações do canal. Parece que no momento a tendência é deixar o rock choroso e colorido de lado para se dedicar aos artistas do hip hop e do rap. Sem dúvida, uma pá de gente (especialmente de São Paulo) produz trabalhos interessantes e que merecem audições cuidadosas, mas fica difícil acreditar que não tem nada novo no mundo da MPB, do rock nacional e de outros estilos tão menosprezados pela emissora, além de Mallu Magalhães, Marcelo Camelo e Marcelo Jeneci.
Em um ano estelar para quem teve oportunidade de curtir Rock in Rio e ainda vai curtir SWU, a emissora perdeu uma ótima oportunidade de prestar tributo ao maldito estilo. Prefere venerar Caetano, que vive de passado há no mínimo 15 anos ou mesmo apostar na figura imponente e insossa de Malu Magalhães, ancorada por Marcelo Camelo, apostando em um estilo riponga e descolado mas sem a ingenuidade refrescante dos tempos de hermano.
E o que dizer de Marina Lima, que subiu ao palco para entoar um dos seus clássicos ("Prá Começar") em um dos desempenhos que mais cabem na expressão cunhada pelos novos falantes; a tal da VERGONHA ALHEIA fez a festa antes da festa começar nos bastidores. Sem contar que Wanessa (assim, sem Camargo), ainda teve que ouvir o público gritar "Rafinha, Rafinha", manter a pose e dar continuidade aos discursos de palco que lembram muito os feitos por mestres de cerimônias na entrega do Oscar…
…só que de Oscar o VMB não tem nada. Ver o "Tremendão" Erasmo Carlos subir ao palco, aparentemente debilitado, faz a gente pensar se convidá-lo para show deste tipo agrega algum valor a sua intensa e importante carreira ou vale apenas para o ex-parceiro de Roberto Carlos ir até o camarim e pedir seu whisky preferido…
Emicida – o queridinho da vez – tem talento mas sua retórica moralista fica tão embaçada mediante aquele público com olhar blasè, que perde toda a eficácia e legitimidade. Coragem é nem aparecer para premiação, mas, quando no seu curtíssimo curriculum vitae o músico já acumula função na potente Intel e é figura fácil nos eventos da playboyzada, é muito bom pensar antes de falar…
Enquanto isso, Marcelo, Bento Ribeiro, Dani Calabresa, Paulinho Serra e Tata Werneck se empenhavam em ser o que são: bons humoristas mas não sumidades. O deboche, o pastelão, a ironia e a presença de espírito, quando aplicadas em doses industriais na veia do telespectador pode causar efeitos colaterais impressionantes. Um deles é transformar gente talentosa em verdadeiros pagadores de mico, porque afinal de contas estão no lugar errado e na hora errada.
Até Marcelo (desse vez o D2) estava meio perdidão lá no meio dos habitantes do Rap. A ideia de trabalhar com vários palcos, ao mesmo tempo que traz dinâmica para um programa ao vivo configurou uma certa confusão… As atrações ficaram tão diluídas de tão misturadas que o lance de convidados juntos – de forma inusitada – não trouxe nenhuma resposta positiva, ao menos de quem estava lá.
O evento tem um caráter "party", embora seja repercutido como um apontador de novas tendências. No entanto de tão ‘engraçado’ é chato e não deixa nenhuma vontade de assistir de novo. Agora o ano pode terminar em paz.
twitter: @aliterasom
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Vocalista do Moonspell sobre tradução literária: "É mal pago, mas adoro"
A música do Queen que Freddie Mercury considerava melhor que "Bohemian Rhapsody"
A origem de "Por Quem os Sinos Dobram", que une Raul Seixas e Metallica
Rush inicia novo capítulo de uma carreira baseada em fortes convicções
Rush toca "Moving Pictures" na íntegra em terceiro show da nova turnê
As 25 melhores bandas de todos os tempos, segundo a Classic Rock
Nuno Bettencourt (Extreme) exalta importância de Yngwie Malmsteen em sua carreira
Como o Metallica contribuiu para a criação de uma das maiores bandas de metal sinfônico
Com mais de 40 atrações, Monsters of Rock Cruise fecha cast para viagem de 2027
O político que iniciou a decadência do Rio de Janeiro, segundo Paulo Ricardo
Anika Nilles conta como aprendeu partes de Neil Peart para turnê com o Rush
Rodrigo Constantino toca clássico do Iron Maiden na bateria e ganha elogios
10 músicas lançadas há mais de meio século que superaram 1 bilhão de plays no Spotify
Os 25 melhores discos de gothic metal de todos tempos, segundo a Louder
A opinião de Mike Portnoy sobre o primeiro show da nova baterista do Rush
Robert Plant: Ele desdenhou Liam Gallagher, do Oasis
O lendário guitarrista que Jimmy Page considera como seu igual: "Paralelo a mim"
Para Gilmour, essa é a melhor canção lançada pelo Pink Floyd após a saída de Waters



As emoções que uma música desperta merecem mais atenção que qualquer crítico ou "influencer"
As bandas de heavy metal nem sempre farão a mesma coisa (e isso não é ruim)
Megadeth, Pepeu Gomes e a mania do internauta achar que sabe de tudo
O problema não é usar celular em shows, mas sim fiscalizar os outros
Lobão: a defesa do roqueiro solitário
Preconceito: dificuldades de ser roqueiro em cidade do interior



