Crítico e Professor: semelhanças entre cena Metal e Escolas
Por Marcos Garcia
Postado em 26 de novembro de 2010
Tocou o sino, os estudantes vão para suas salas, o professor, aparentemente severo, está para começar a aplicação de uma prova, onde muito dos esforços de um bimestre serão avaliados.
A banda acaba de lançar seu CD, seja lá se for Demo, EP, Single, um full lenght ou seja lá o formato que for, após meses de gravação, e envia-o para um crítico de CDs, que avaliará todo o esforço feito.
Há semelhanças?
Óbvio que sim, e elas não param por aí.
A idéia para este artigo surgiu justamente de pensar que ambos, o crítico e o professor, sempre possuem a tarefa, muitas vezes gratificante, outras nem tanto, de avaliar o trabalho e esforço daqueles que ali estão, para aprovar ou reprovar.
Sou ambas as coisas (crítico e professor), então, vejo estas semelhanças sempre diante de mim, pois apesar do que muitos possam pensar, ambos sentem fortes pressões ao lidar com cotidianos que, para muitos, são diferentes.
Nas escolas, basicamente, existem três tipos de estudantes: os de ótimo, os de médio e os de fraco desempenho. Na cena Metal, pode-se atribuir a seguinte classificação: bandas ótimas, médias e fracas. Em ambos os casos, a gama de motivos é tão vasta que não daria para citar porque este ou aquele estudante se encaixa nessa ou naquela categoria, o mesmo sendo raciocínio válido para bandas.
Para muitos professores que respiram os ares da Educação moderna, chega a ser excruciante avaliar os esforços de seus pupilos, já que uma prova, na realidade, não pode ser a única fonte para a avaliação de um aluno. Dói muito ver que muitos estudantes não conseguem chegar a um nível satisfatório nas provas, bem como é gratificante vermos aqueles que se destacam por seus méritos e talentos. E vejam que existem alguns estudantes que não entendem esta postura e caem de pau encima do professor, acreditando que este é um péssimo profissional, que não exerce bem sua profissão, chegando ao cúmulo de quererem fazê-lo perder seu sustento. Cabe ao próprio estudante se questionar se seu esforço foi feito na direção certa, se realmente se esforçou ao máximo em seus estudos, isso quando este fez sua parte no processo educacional.
No caso dos críticos, algum de nós sente um nó na garganta, um aperto no coração, quando nos chegam às mãos CDs de bandas que buscam seu lugar ao sol, já que quem, muitas vezes, quem faz a banda conhecida é o crítico. Quando falamos bem, é como aquele estudante que realmente conseguiu entender o conhecimento, após dissecá-lo; as bandas nem tão boas assim, o mediano; e aquele que, por qualquer motivo que seja, ficou abaixo da média, é o fraco, que muitas vezes reclama do crítico, mas será que estes realmente, na hora de compor, se esforçaram ao máximo para mostrar algo digno de uma boa nova? Pedir nossas cabeças e nos acusar de coisas impensáveis, para justificar seu fraco desempenho, pode ser sinal de que falta algo a essas bandas que, muitas vezes, o URIAH HEEP quis dizer em um de seus discos mais célebres: ‘Look at Yourself’...
Tive grandes professores na minha faculdade de Licenciatura, especialmente Marisol Barenco e José Roberto da Rocha Bernardo, que me ensinaram a ver a Educação em um âmbito bem amplo, a avaliar o estudante como um todo. Como crítico, Ben Ami Scopinho, Ricardo Seeling, Paulo Sissinno e Sérgio Martorelli foram referências mais que obrigatórias, e com cada um, aprendi muito, em especial o Sérgio, que me mostrou que a voz do crítico não pode ser levada por tendências ou maiorias, não importam quantos se ponham contra e nem seus argumentos, pois há algo que um crítico tem que ter: imparcialidade, pois uma opinião mal dada pode pôr seu trabalho, bem como o das bandas que resenha, a perder. Idêntico a um professor na hora de avaliar seus pupilos.
Em suma, antes de verem um crítico como monstro ou injusto, como é feito com os professores, lembre-se de olhar para si mesmo e ver qual o seu mérito, sem ser um ególatra, para ver se há algo de bom e original em si, pois querer responsabilizar um crítico, que apenas vê o que existe e não cria o inexistente, é querer fazer como todos fazem com o professor: lhe atribuem o ônus de uma Educação que deveria ser partilhada entre Estado, Comunidade, Escola, e principalmente, Família.
OBS.: Este texto é dedicado à todos os críticos, em especial aos que cito no texto, e todos os professores que, de uma forma ou de outra, transformam a vida numa Escola de Rock.
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