Cada vez mais técnica, cada vez menos feeling

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Por Carlos Eduardo Garrido, Fonte: From Here to Eternity
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Que eu sou um grande apreciador do heavy metal e de suas mais variadas vertentes não é segredo para ninguém. Desde os meus 15 ou 16 anos brado avidamente pelos quatro cantos que não existe melhor estilo de música para ouvir. E continuo mantendo esse pensamento até hoje e talvez até o resto de minha vida. Os motivos para isso são diversos e o principal deles é que agrada os meus ouvidos e isso já bastaria para ser minha música preferida, pois discutir sobre gosto pessoal nunca levou ninguém à lugar algum. E antes de qualquer coisa, música tem que satisfazer o gosto pessoal de cada um. Porém existem outras razões para esse ser o estilo único e amado que é.

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Como todos metallers gostam de alegar, as músicas de heavy metal são mais bem trabalhadas e elaboradas do que a maioria das canções de outros estilos. Salvo jazz, música erudita e talvez a bossa nova. Dentro do mundo metálico dificilmente vamos achar músicos com pouco conhecimento ou que simplesmente aprendeu alguns acordes com um amigo e resolveu montar uma banda. Tocar rock pesado exige muito treino, estudo e dedicação. Não é a toa que muitas músicas do estilo trazem técnicas apuradas e certa dificuldade de execução. O que é orgulho para todo fã do gênero, que gosta de dizer que escuta música de qualidade, bem trabalhada e sofisticada.

Porém, todo esse aperfeiçoamento técnico, que acaba criando música cada vez mais complexa, acaba também comprometendo aquilo que chamamos de feeling. Feeling, palavra inglesa que pode ser traduzida como “sentimento”, é algo fundamental em qualquer forma artística de expressão, seja teatro, pintura ou música. Dentro do metal diversas vezes este feeling é substituído por uma busca incessante em criar músicas com maior número de notas possíveis, mudanças bruscas de compasso e outras exibições gratuitas de técnica musical. Aliado a isso está à falta de criatividade que tem assolado o meio metálico, ocasionando em músicas que mais parecem uma competição de velocidade, e que, pouco ou nada acrescenta ao ouvinte. As bandas (tanto as novas, como algumas que se prenderam em seus próprios métodos) cada vez mais fazem música repetitiva e com fórmulas já prontas.

O maior exemplo disso reside no chamado Metal Melódico (mas não apenas nele). Para comprovar isso basta contar quantas vezes você já ouviu músicas como “Eagle Fly Free” (HELLOWEEN) ou “Against the Wind” (STRATOVARIUS) gravadas por outras bandas e com outros nomes. Óbvio que vão existir muitos elementos diferentes, mas a fórmula é exatamente a mesma de uma delas. Ok, você adora todos esses elementos, riffs, solos e bumbo duplo, tudo na velocidade da luz, vocal alto, viradas de bateria, um pequeno solo de baixo, etc... e eu também amo isso, mas cada vez isso é mais frequente. O que é triste. Dá a impressão de que os compositores não têm inspiração alguma para criar essas músicas. Eles simplesmente pensam “vamos lá, vamos criar uma faixa na linha daquele clássico do HELLOWEEN. Isso, aumente a velocidade aqui, coloque este solo ali. Agora, cante o mais alto que conseguir! Pronto!”. Onde está o feeling de uma música composta dessa forma?

A resposta para essa pergunta é certa. Ele não existe. O que me faz pensar que o que escutamos ali não se distancia tanto assim de um produto pop, que tanto criticamos, criado pela indústria para atingir a demanda de mercado. Ainda que não seja exatamente a mesma coisa, passa bem próximo. A diferença é que os músicos das banda de metal possuí inegável talento e compõe suas próprias músicas, porém, apostando numa fórmula de sucesso já pré-concebida.

Entretanto, generalizar nunca é sábio e existe, claro, bandas que tentam se reciclar e criar coisas novas. Como, por exemplo, acontece com os brasileiros das bandas ANGRA e DR. SIN, que buscam novas alternativas para seu som. A primeira mostrou grandes lampejos de criatividade em toda sua discografia,mas principalmente nos álbuns “Holy Land” e “Temple of Shadows”. Enquanto a segunda sempre buscou uma identidade própria com seu hard rock deveras trabalhado. Há outras bandas que merecem destaque nessa empreitada criativa. Grupos como BLIND GUARDIAN, NEVERMORE, ORPHANED LAND, DREAM THEATER e KAMELOT também desenvolveram seus próprios meios de fazer heavy metal e alcançaram resultados muito satisfatórios.

Isso sem falar nos casos em que a banda consegue criar algo diferenciado e se sobrepor aos outros grupos do gênero, mas acabam sendo imediatamente clonados também. Como é o caso dos italianos do RHAPSODY e o dos escandinavos das bandas OPETH, BATHORY, DIMMU BORGIR e NIGHTWISH. Que mal se tornaram relevantes e já começaram a surgir grupos com sonoridade bastante parecida.

O assunto é extenso e a discussão ainda maior. Então não pretendo me estender ainda mais. O fato é que pouca coisa nova tem acontecido na cena metal e pior que isso, parece que cada vez mais os músicos têm deixado o feeling em segundo plano em prol de mostrar o como são bons com seus instrumentos. Talvez por conta disso, cada vez mais volto meus ouvidos para bandas, ditas clássicas, que mesmo fazendo um som bem trabalhado, não eram aprisionadas por isso e conseguiam passar suas emoções através das músicas.

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Sobre Carlos Eduardo Garrido

Jornalista formado. Descobriu o Heavy Metal aos 15 anos de idade e desde então, não vive mais sem esse estilo de música. Suas bandas preferidas são Metallica, Iron Maiden, Savatage, Angra, Blind Guardian, dentre muitas outras. Através do jornalismo conseguiu unir suas duas paixões: escrita e música. Além de colaborar com o Whiplash, mantém o blog ociocomcafe.blogspot.com.

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