Cada vez mais técnica, cada vez menos feeling
Por Carlos Eduardo Garrido
Fonte: From Here to Eternity
Postado em 21 de março de 2010
Que eu sou um grande apreciador do heavy metal e de suas mais variadas vertentes não é segredo para ninguém. Desde os meus 15 ou 16 anos brado avidamente pelos quatro cantos que não existe melhor estilo de música para ouvir. E continuo mantendo esse pensamento até hoje e talvez até o resto de minha vida. Os motivos para isso são diversos e o principal deles é que agrada os meus ouvidos e isso já bastaria para ser minha música preferida, pois discutir sobre gosto pessoal nunca levou ninguém à lugar algum. E antes de qualquer coisa, música tem que satisfazer o gosto pessoal de cada um. Porém existem outras razões para esse ser o estilo único e amado que é.

Como todos metallers gostam de alegar, as músicas de heavy metal são mais bem trabalhadas e elaboradas do que a maioria das canções de outros estilos. Salvo jazz, música erudita e talvez a bossa nova. Dentro do mundo metálico dificilmente vamos achar músicos com pouco conhecimento ou que simplesmente aprendeu alguns acordes com um amigo e resolveu montar uma banda. Tocar rock pesado exige muito treino, estudo e dedicação. Não é a toa que muitas músicas do estilo trazem técnicas apuradas e certa dificuldade de execução. O que é orgulho para todo fã do gênero, que gosta de dizer que escuta música de qualidade, bem trabalhada e sofisticada.
Porém, todo esse aperfeiçoamento técnico, que acaba criando música cada vez mais complexa, acaba também comprometendo aquilo que chamamos de feeling. Feeling, palavra inglesa que pode ser traduzida como "sentimento", é algo fundamental em qualquer forma artística de expressão, seja teatro, pintura ou música. Dentro do metal diversas vezes este feeling é substituído por uma busca incessante em criar músicas com maior número de notas possíveis, mudanças bruscas de compasso e outras exibições gratuitas de técnica musical. Aliado a isso está à falta de criatividade que tem assolado o meio metálico, ocasionando em músicas que mais parecem uma competição de velocidade, e que, pouco ou nada acrescenta ao ouvinte. As bandas (tanto as novas, como algumas que se prenderam em seus próprios métodos) cada vez mais fazem música repetitiva e com fórmulas já prontas.

O maior exemplo disso reside no chamado Metal Melódico (mas não apenas nele). Para comprovar isso basta contar quantas vezes você já ouviu músicas como "Eagle Fly Free" (HELLOWEEN) ou "Against the Wind" (STRATOVARIUS) gravadas por outras bandas e com outros nomes. Óbvio que vão existir muitos elementos diferentes, mas a fórmula é exatamente a mesma de uma delas. Ok, você adora todos esses elementos, riffs, solos e bumbo duplo, tudo na velocidade da luz, vocal alto, viradas de bateria, um pequeno solo de baixo, etc... e eu também amo isso, mas cada vez isso é mais frequente. O que é triste. Dá a impressão de que os compositores não têm inspiração alguma para criar essas músicas. Eles simplesmente pensam "vamos lá, vamos criar uma faixa na linha daquele clássico do HELLOWEEN. Isso, aumente a velocidade aqui, coloque este solo ali. Agora, cante o mais alto que conseguir! Pronto!". Onde está o feeling de uma música composta dessa forma?
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | A resposta para essa pergunta é certa. Ele não existe. O que me faz pensar que o que escutamos ali não se distancia tanto assim de um produto pop, que tanto criticamos, criado pela indústria para atingir a demanda de mercado. Ainda que não seja exatamente a mesma coisa, passa bem próximo. A diferença é que os músicos das banda de metal possuí inegável talento e compõe suas próprias músicas, porém, apostando numa fórmula de sucesso já pré-concebida.
Entretanto, generalizar nunca é sábio e existe, claro, bandas que tentam se reciclar e criar coisas novas. Como, por exemplo, acontece com os brasileiros das bandas ANGRA e DR. SIN, que buscam novas alternativas para seu som. A primeira mostrou grandes lampejos de criatividade em toda sua discografia,mas principalmente nos álbuns "Holy Land" e "Temple of Shadows". Enquanto a segunda sempre buscou uma identidade própria com seu hard rock deveras trabalhado. Há outras bandas que merecem destaque nessa empreitada criativa. Grupos como BLIND GUARDIAN, NEVERMORE, ORPHANED LAND, DREAM THEATER e KAMELOT também desenvolveram seus próprios meios de fazer heavy metal e alcançaram resultados muito satisfatórios.

Isso sem falar nos casos em que a banda consegue criar algo diferenciado e se sobrepor aos outros grupos do gênero, mas acabam sendo imediatamente clonados também. Como é o caso dos italianos do RHAPSODY e o dos escandinavos das bandas OPETH, BATHORY, DIMMU BORGIR e NIGHTWISH. Que mal se tornaram relevantes e já começaram a surgir grupos com sonoridade bastante parecida.
O assunto é extenso e a discussão ainda maior. Então não pretendo me estender ainda mais. O fato é que pouca coisa nova tem acontecido na cena metal e pior que isso, parece que cada vez mais os músicos têm deixado o feeling em segundo plano em prol de mostrar o como são bons com seus instrumentos. Talvez por conta disso, cada vez mais volto meus ouvidos para bandas, ditas clássicas, que mesmo fazendo um som bem trabalhado, não eram aprisionadas por isso e conseguiam passar suas emoções através das músicas.

Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O guitarrista que fazia Lemmy perder a paciência; "era só pra me irritar"
A banda de metal que Lars Ulrich achava inalcançável, mesmo sem virar gigante como o Metallica
Elton John revela qual o maior cantor de rock que ele ouviu em sua vida
Falar mal do Dream Theater virou moda - e isso já perdeu a graça há tempos
Derrick Green anuncia estar formando nova banda para o pós-Sepultura
Os motivos que fizeram Iggor Cavalera recusar reunião com o Sepultura, segundo Andreas Kisser
15 bandas de rock e heavy metal que colocaram seus nomes em letras de músicas
Faixa de novo EP do Sepultura remete à música do Black Sabbath cantada por Ian Gillan
O elogio inesperado que Jimmy Page fez a Ritchie Blackmore num encontro em Hollywood
A canção que Page e Bonham respeitavam, mas achavam que nada tinha a ver com o Led Zeppelin
Megadeth inicia turnê sul-americana, que passará por São Paulo; confira setlist
A banda que parecia barulho sem sentido e influenciou Slipknot e System Of A Down
O hit dos anos 1960 que está entre as melhores músicas da história, segundo Slash
A opinião de Regis Tadeu sobre o clássico "Cabeça Dinossauro" dos Titãs
A banda em que ninguém recusaria entrar, mas Steven Tyler preferiu dizer não
Metallica: por que 9 entre 10 fãs odeiam "Load" e "Reload"?
A lenda do hard rock que não odeia o grunge e até sente orgulho do movimento
Designer da capa de "Wish You Were Here", do Pink Floyd, revela seu significado

Como a nova era dos festivais está sufocando os shows menores
Megadeth, "Risk", "Dystopia" e a dificuldade em aceitar a preferência pessoal alheia
Você está realmente emitindo sua opinião ou apenas repetindo discursos prontos?
Três "verdades absolutas" do heavy metal que não fazem muito sentido
Vamos admitir sem hipocrisia: não há banda nova que preste

