Voltando aos mares de dólares
Por Mauricio Procopio
Postado em 12 de maio de 2008
Anos e anos se passaram e elas estão de volta. Muitas discussões, brigas e perda de sintonia musical acabaram com diversas bandas. Mas recentemente dezenas de grupos que fizeram diferença no passado do Rock´n´Roll voltaram à ativa com fôlego novo e, apesar da idade um tanto avançada, com muita disposição para tocar. Porém, uma pergunta fica no ar: esse retorno em milionárias turnês mundiais bem sucedidas é pelo puro amor ao velho Rock ou é apenas para engordar mais os cofres dos músicos?
Uma das voltas mais aguardadas é a da banda Gênesis. O vocalista e baterista Phil Collins, em entrevista concedida a uma rádio inglesa, garante que "não é por dinheiro, mas porque parecia ser o momento certo de fazê-lo". Disse ainda que estão "todos ricos o bastante para não nos preocuparmos de onde vem os próximos milhões".
Os fãs não se interessam muito pela razão da volta. "Se essas bandas antigas estão voltando por amor ou por dinheiro eu nem ligo, pois o prazer de ver uma banda ao vivo que escuto há tanto tempo e que pensei que nunca ia conseguir ver é indescritível", assegura Pedro Magalhães, 17 anos, estudante.
A volta milionária do The Police foi uma das turnês mais badaladas. Pelas terras brasileiras, eles fizeram apenas um show. O trio que já foi considerado uma das maiores bandas do mundo tocou no estádio do Maracanã, com os mais de 80 mil ingressos se esgotando em poucos dias.
Raros são os grupos que afirmam que voltaram a tocar por causa do dinheiro. Um deles é o Sex Pistols, uma das mais importantes bandas do cenário Punk mundial. Em seu retorno, em 1996, o vocalista John Lydon deixou claro que eles haviam voltado para lucrar: "deixamos de lado nossas diferenças, pois encontramos uma causa comum para a volta, e é o seu dinheiro", comentou. Dinheiro esse que o próprio Lydon chamou de lucro imundo.
Recusas envolvendo milhões de dólares também entraram para a história. Apesar de se reunir para apenas uma apresentação em Londres, o Led Zeppelin divide opiniões entre os próprios integrantes originais se voltam a tocar ou não. John Paul Jones e Jimmy Page comentaram um mês depois da apresentação que gostaram tanto de voltar a tocar com os antigos companheiros que estava pensando seriamente em uma turnê mundial com o Led.
Sobre a volta do Zeppelin, Marcos Ferr, baterista da banda de Jazz, Charlie M. Trio, dispara: "Assim como o Police, eles já estão mortos há tempos. Não vão conseguir sustentar uma carreira de um ano sequer, pois Page mora na Bahia há 20 anos e Plant já não canta mais. Podem até fazer showzinhos enganosos, como o Police fez, mas eles não agüentarão a pressão do mercado, pois o apreço pela música deles já não existe por parte deles mesmos e não se consegue manter-se vivo numa mentira. O público não é tão bobo assim, continua trouxa, mas bem menos", garante o músico.
Porém o vocalista Robert Plant deixou bem claro que aquela apresentação na capital inglesa era o legado do Zeppelin, e que serviu para mostrar que os antigos músicos ainda sabem fazer com muita maestria o que sempre fizeram de melhor: tocar.
O mais novo projeto de Plant é com a cantora country norte-americana Alison Krauss. Ele garante não tem pretensões em voltar com sua antiga banda. No mês de fevereiro rejeitou uma proposta de mais de cem milhões de libras para uma turnê mundial.
Como nem todas as bandas são sinceras como os Pistols, resta sempre a dúvida de saber o que anda falando mais alto: o dinheiro ou o amor pela música.
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