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Rick Wakeman: declaração sobre Jon Lord

Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
Fonte: Site oficial
Em 16/07/12

O filme Gattaca, de Andrew Niccol, é um filme de ficção científica que mostra um mundo em que os seres humanos nascem após terem seus genes escolhidos em laboratório, enquanto as pessoas que são concebidas de forma natural são consideradas inválidas. Numa passagem rápida do filme, os protagonistas Vincent Freeman (Ethan Hawke) e Irene Cassini (Uma Thurman) assistem a um concerto de um pianista com seis dedos (Ryan Dorin). Segundo Irene, a peça executada teria sido composta especialmente para pianistas como ele, com seis dedos em cada mão e seria impossível de ser tocada por pessoas, digamos, normais. Ao ver essa cena, impossível não dizer que apenas dois nomes vem à nossa mente, entre todos os grandes pianistas e tecladistas que conhecemos: RICK WAKEMAN e JON LORD.

Não há forma melhor de homenagear o lord dos teclados, que nos deixou hoje, que tornar ainda mais pública a homenagem de outro mago dos teclados. Leia abaixo, na íntegra, a homenagem de RICK WAKEMAN a JON LORD.

A primeira vez que tomei conhecimento de JON LORD foi em meados dos anos sessenta, quando o "Hush" foi lançado e eu comprei o "Shades of Deep Purple que era um álbum bem à frente de seu tempo. Por razões óbvias, eu prestei atenção especial ao estilo e som do órgão, que era muito diferente de como os outros músicos estavam usando o Hammond. Eu me tornei um admirador real e fã de Jon aquele dia e assim permaneci com tudo que ele fez

Nós nos tornamos verdadeiros amigos poucos anos atrás, embora tivéssemos nos encontrado em várias ocasiões antes disso. Fizemos palestras juntos em conservatórios de música, nos reunimos para o almoço e, mais importante fizemos músicas juntos. Nós escrevemos uma peça, há 12 meses atrás, para o Sunflower Jam no Royal Albert Hall. Nós escrevemos esta peça juntos no John Henry's Studios em Londres e foi tão fácil, porque tínhamos estilos tão diferentes e porque Jon estava se concentrando fortemente no Hammond e eu nos sintetizadores, a mistura foi completamente mágica. A peça foi realizada apenas uma vez e me disseram que foi filmada, embora eu nunca tenha visto o filme.

Nós nos sentamos no camarim que nós compartilhamos no Royal Albert Hall e fizemos planos para fazer um álbum juntos. Nós dois estávamos absolutamente convencidos de que poderíamos chegar a algo muito especial com nossos estilos misturados muito bem juntos. Nosso amor pela música clássica e também por trabalhar esse estilo dentro do rock foi o que também completou a ligação. Combinamos de nos encontrar mais tarde naquele mês.

Uma semana antes de quando deveríamos nos reunir, Jon me ligou com a notícia de que ele estava doente. Ele estava muito positivo e disse que, na verdade, nunca tinha se sentido melhor em sua vida e que por isso ele iria vencer levasse o tempo que levasse, e por isso, suspendesse o nosso projeto, que entrou em espera.

Nós conversamos algumas vezes depois e a última mensagem que recebi foi que ele estava respondendo bem ao seu tratamento. A notícia hoje me feriu como nenhuma outra perda de um músico que conheci. Eu só posso agradecer-lhe o legado que ele nos deixou a todos com sua grande música, grande visão e por sua bondade como ele era uma das pessoas mais gentis e bondosas que eu já tive o prazer de ser capaz de chamar meu amigo. Meu coração está com sua esposa Vicki e toda sua família.

Rick Wakeman
16 de julho de 2012


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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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