Arandu Arakuaa: descrição faixa a faixa do álbum Kó Yby Oré
Por Jéssica Gartz
Postado em 18 de agosto de 2013
Nessa matéria o guitarrista/compositor o guitarrista e compositor fala sobre cada faixa do debut álbum que será lançado ainda este mês"
T-atá îasy-pe (Fogo para a Lua) 04:02 – a faixa de abertura do álbum é pesada e intensa, com uma introdução tribal, muitos efeitos de guitarras e linhas de baixo muito legais. Depois descamba para o peso de vez com uma pegada mais thrash metal. A parte final desta música apresenta melodias que é bem a cara da Arandu Arakuaa.
A letra versa basicamente sobre sair para admirar e saudar a lua
"E-îori e-îori îasy (vem vem lua)
Îa-îu nde o-mo-eté (viemos louvá-te)
Oro-î-mo-endy t-atá (vem acendemos o fogo)"
Esta música funciona muito bem ao vivo e o solo de guitarra é o meu preferido do álbum.
Aruanãs (Espíritos da Água) 03:56 – tenho um carinho especial pro esta música, pois a compus entre 2002 e 2003 e ela de alguma forma é referencia no meu estilo de compor. Os riffs de guitarras são bem pesados alternando com arranjos de viola caipira e a bateria está matadora. Começa com vocais limpos emendando com os mais gritados e os guturais logo aparecem. Nas partes com vocais guturais a voz grave de Saulo complementa bem a voz agressiva e potente de Nájila, aliás, utilizamos muito esse recurso no decorrer do disco.
Depois do solo de viola caipira a música termina com um hardcore quebradão de fazer qualquer fã de Ratos de Porão abrir a roda.
A letra fala sobre o mito de origem dos índios Karajá que moravam no fundo do rio. Interessados em conhecer terra firme, um jovem encontrou a passagem e fascinado pelas praias e riquezas do Araguaia muitos Karajá subiram também. Anualmente na festa de Aruanãs os espíritos de seus ancestrais aquáticos sobem até a superfície para celebrar.
Kunhãmuku’~i (Mocinha) 03:10 - está presente no nosso CD demo e aqui tem seu potencial elevado com novos arranjos e ótima produção. Nos vocais tribais da introdução, as maracás e o pau de chuva dão um toque muito especial. Esta música é realmente pesada com os vocais limpos, guturais e os gritos tribais dando o tom. É uma música bem Arandu Arakuaa e tocá-lo é sempre muito intenso.
A letra faz referência ao rito de puberdade das índias da etnia Tikuna que em sua primeira menstruação escondem-se na mata e assim que encontradas por suas mães ficam trancadas em suas casas por cerca de três meses para se protegerem de espíritos maus e aprenderem sobre sua tradição. Passado esse período são recebidas na aldeia com festa, chamada "Festa da Moça Nova", onde homens vestidos com fantasias representando diversos espíritos da floresta dançam e cantam por dias a fio. Ao fim da festa, as mulheres mais velhas arrancam os cabelos das mais novas.
"Yby sy, o-poir ‘anga (mãe terra alimenta o espírito).
Yby sy o-mbo’e, yby sy o-mbo’esara (mãe terra ensina, mãe terra é mestra)"
A-kaí T-atá (Queime-me no Fogo) 03:24 - começa bem calma com os violões e os teclados seguidos pelas maracás. As linhas de vocais limpos são realmente belas. Não demora e o peso chega com riffs mais quebrados e Nájila mostrando sua influência de death metal berrando a pleno pulmões. O refrão apresenta um riff hard rock muito legal. A música termina lá encima com as influências hardcore comendo solta e Adriano espancando seu kit sem piedade. Apesar das mudanças de andamento, as diferentes partes se conectam bem e deixando a música grandiosa.
A letra tenta passar a visão de um prisioneiro de guerra sobre seus inimigos momentos antes de sua execução.
"A-moîar a-obaîara (encurralado, sou o inimigo)
Ixé a-sykyîé um~e, xe r-asy, xe r-asy-eté (eu não tenho medo, tenho dor, tenho muita dor)
Ixé a-sykyîé um~e, a-kaí t-atá, t-atá pupé (eu não tenho medo, queime-me no fogo, dentro do fogo)"
O-îeruré (Rezem) 03:28 - os riffs da parte principal são pesados e rápidos, vocais gritados e agressivos e a cozinha fuzilando. O refrão dela apresenta "um riff van valen metal baião" como diz o Saulo. Nas gravações o produtor Caio Duarte falou "hey cara vamos colocar um arranjo de viola caipira no refrão" isso deu a ela um brilho especial. Mais para o final tem uma passagem com vocais limpos e viola caipira e logo os vocais sedem espaço para um solo de viola caipira com a cozinha abusando das influências nordestinas.
A letra fala sobre luta e superação
"O-sasab t-atá o-káîo moxy (cruzem o fogo quebrem a maldição)
O-porará asy, ere-ru nde abaeté (suportem a dor, trazes tua bravura)
A’e-ré o- kuî, a’e-ré o-îeruré (depois disso caia, depois disso rezem)"
Tykyra (gota) 01:55 - um pequeno instrumental acústico conduzido pela viola caipira, a cozinha quebrando tudo com as influências nordestinas e as maracás dando o tom das influências indígenas. É uma faixa que se conecta bem com a proposta do disco e apesar de acústica não tem nada de redondinha e fofinha. Música regional com pegada roqueira executada por músicos de garagem.
Tupinambá 04:24 - outra presente no nosso CD demo que aqui conta com uma excelente produção e novos arranjos deixando-a mais pesada, sombria e tribal. É uma canção muito forte, que funciona bem ao vivo e o refrão gruda na cabeça.
A letra é baseada no livro "Viagem ao Brasil" no qual o aventureiro alemão Hans Staden narra como foi sequestrado e quase morto em um ritual de canibalismo por índios da etnia Tupinambá que viviam no litoral norte paulista em janeiro de 1554.
Îakaré ‘y-pe (Rio dos Jacarés) 02:05 - não há guitarras, vocais rasgado/guturais ou pedal duplo. Violão, viola caipira, bateria, baixo acústico, maracá, pau de chuva, vocais limpos e tribais dão a ela um clima especial. É uma música simples com uma bela interpretação de Nájila. Seu timbre suave dá um toque todo especial a esta música. No refrão os gritos tribais com todo mundo cantando junto deixa o clima caótico levando o ouvinte a se sentir em uma aldeia indígena em dia de festa.
A letra abordada de forma divertida os perigos que as crianças correm ao tomarem banho em rios e igarapés enfestados por jacarés.
Auê! (Salve!) 03:23 - Mais uma música presente no nosso CD demo que no álbum ganhou uma versão realmente matadora. Mescla muito bem o peso às influências nordestinas e indígenas. Conduzida pelos riffs de guitarra e os arranjos de viola caipira. Os gritos tribais alternando com vocais limpos e guturais deixa a coisa oscilando entre o belo e o caótico. O refrão ganhou um tratamento todo especial com o instrumental mais trabalhado deixando o vocal mais agressivo e pronto para voar.
A letra fala sobre dançar e cantar como forma de agradecimento à mãe natureza.
A música termina com um solo de viola caipira do qual tenho muito orgulho, com a cozinha e os violões fazendo um excelente trabalho. Adriano sempre ouviu música brasileira, então ele tem a pegada certa para essas levadas. E Saulo, bem ele é o melhor baixista que Adriano poderia querer, os dois tocam juntos desde sempre e o entrosamento é realmente fantástico.
A-î-kuab R-asy (Conheço a Dor) 03:48– começa climática e sombria com andamento arrastado, mas logo chega o refrão que é mais na veia metal clássico. Depois descamba para um riff de guitarra de levantar defunto da cova com a cozinha e os vocais mantendo tudo lá em cima e em seguida o solo de guitarra.
A letra é basicamente um lamento do índio que tem que viver longe de sua terra e seus costumes. Creio ser esta a letra que mais me orgulho de ter escrito neste álbum.
"A-î-kuab r-asy a-î-kuab mba’e (conheço a dor conheço as coisas)
Xe abá-ere’oka, xe abá-ere’taba (sou o índio sem casa, sou o índio sem aldeia)
O-î- îuká yby sy, o-î-îuká xe ‘anga (mataram a mãe terra, mataram minha alma)"
Kaapora (Caipora) 04:18 – é de certo a música mais pesada do álbum. Depois de uma rápida introdução já cai de cara no refrão com tudo alto e rápido como uma música que fala sobre o Kaapora tem que ser. Depois segue alternando com momentos mais pausados e pesados. O solo de guitarra serve como ponte para a parte final mais tribal com uma melodia simples e marcante bem típica da Arandu Arakuaa, esta parte é uma das minhas preferidas do disco.
A letra é caótica e divertida onde o conhecido protetor dos animais "Kaapora" pega pesado com os caçadores.
"Abá o-îuká o-moîar o-asem o-îabab (homens que matam encurralados gritam e fogem)
O-îabab o- mosykyîé, o-nhe-mim ka’a oby-pe (fogem assustados, escondem-se na mata verde)
Kaapora o-moîar (o caipora encurrala)"
Gûyrá (Pássaro) 03:49 – música presente no vídeo clip. Caio Duarte fez um grande trabalho na elaboração dos arranjos vocais no início da canção. Os violões e os teclados dão o clima certo pra os vocais voarem. No cântico tribal reverenciamos nossos ancestrais e isso tem uma grande carga emocional. Na parte que a música deslancha Caio Duarte veio com a excelente ideia de inserir os arranjos de viola caipira antes de cair de vez no peso. Os vocais limpos e a viola seguindo o riff mais heavy metal deixou a parte final mais poderosa e elegante.
Tudo gira em torno da letra que fala sobre liberdade, materializada na figura de um pássaro.
Moxy Pe~e Supé Anhangá (Maldição para Vós Espirito Maligno) 04:01 – gravada em nosso CD demo e na versão do álbum mudamos bastante os arranjos e parte da estrutura. O instrumental ficou mais pesado e elegante com a inserção de algumas notas dissonantes na parte rápida e o solo de guitarra mais melódico. A cozinha está feroz e o vocal extremamente agressivo. Na parte que era o refrão incluímos um cântico tribal o qual gravei bastante emocionado. Lembro-me de Caio Duarte comentando "uau cara, isso ficou muito bom e verdadeiro!". Depois a música segue para sua parte final onde começa com vocais limpos e aos poucos vai cedendo espaço aos guturais.
Lembro-me de ter criado este riff no berimbau e depois de criar as linhas vocais o transportei para a guitarra.
A letra tenta passar a visão dos jesuítas coloniais e missionários atuais que na tentativa de cristianizar os índios transformam seus deuses em demônios cristãos.
Não poderíamos pensar em uma música melhor para encerrar este álbum.
Ficha Técnica
Nájila Cristina – Vocais
Zândhio Aquino – Guitarra Viola Caipira, Vocais Tribais, Violão, Teclado, Maracá, Apito.
Saulo Lucena – Baixo, Baixo Acústico, Vocais de Apoio.
Adriano Ferreira – Bateria, Percussão, Maracá.
Caio Duarte - Produção e Masterização
Leandro Lestat - Arte de Capa
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O melhor disco do Iron Maiden, de acordo com o Ultimate Classic Rock
5 músicas de heavy metal que todo tiozão brasileiro se lembra com carinho
O vocalista que entrou em uma banda clássica no pior momento possível para o heavy metal
A melhor época do U2, de acordo com o guitarrista The Edge
"Acordo toda manhã e penso: 'Meu Deus, isso ainda continua'", diz Roger Glover
Dave Mustaine cita seus guitarristas preferidos de todos os tempos
Os cinco maiores compositores de todos os tempos para Roger Waters
Vocalista do Queensryche reconhece que maioria dos fãs só gosta dos primeiros discos
Sobre o que realmente fala o maior clássico do AC/DC
Gene Simmons diz que quem não gosta dos EUA deve voltar para "o lugar de onde veio"
Deep Purple lança "Splat!", seu disco mais pesado em muitos anos
Guitarrista não se arrepende de ter recusado proposta de voltar ao Megadeth
O melhor álbum de rock progressivo de cada ano dos anos 1970, segundo a Loudwire
O hit de 1958 que Jimmy Page e Bob Dylan concordam ser obra-prima: "Fenomenal"
O controvertido álbum dos anos setenta que Roger Waters colocou entre seus cinco favoritos
3 músicas do Metallica com letras que abordam temas pesados
A reação de Ozzy Osbourne quando Robert Trujillo avisou que estava indo para o Metallica
Bruce Dickinson revela característica explosiva do Brasil que o atrai tanto


As novas caras do metal: + 40 bandas que você deve conhecer
West Ham: o time do coração de Steve Harris
Quem é a verdadeira Sopa onde pousou a Mosca da canção de Raul Seixas
Hair Metal: Os maiores cabelos da história do rock pesado
Hard Rock e Heavy Metal: Os 10 videos mais toscos "sem querer"
Bangers Open Air confirma Black Label Society, Primal Fear e Tankard para 2026



