"Vinyl": Série de Jagger e Scorsese, foi cancelada. Ainda bem
Por Bruce William
Fonte: UOL
Postado em 26 de junho de 2016
O jornalista Alexandre Matias publicou na coluna Trabalho Sujo do UOL um texto comentando o cancelamento da série "Vinyl" de Mick Jagger e Martin Scorsese, que ele considera ter sido uma decisão acertada por parte da HBO. Confira a matéria na íntegra no link a seguir. Mais abaixo alguns trechos.
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E, com um curto comunicado, Vinyl foi cancelada. A série sobre os bastidores da indústria fonográfica nos anos 70 que a HBO apresentou no início do ano com holofotes e fogos de artifício foi lançada como se Mad Men tivesse um filho com Goodfellas. Ainda mais que a série vinha com a chancela de dois protagonistas daquela década – Martin Scorsese e Mick Jagger são nomes que ajudaram os anos 70 a ter a cara que conhecemos hoje. Seu criador, Terence Winter, era da equipe de Sopranos e vinha em ascensão com sua própria Boardwalk Empire. As altas expectativas foram comemoradas ainda mais logo após a exibição do primeiro episódio, com duas horas de duração e dirigido pelo próprio Scorsese, quando a HBO confirmou, embriagada no hype provocado pelo lançamento, que a série teria uma segunda temporada (mesmo que a audiência da estreia não tivesse sido tão incrível quanto esperavam). E quando esta ainda estava começando a ser desenvolvida, chega a notícia que não teremos mais Vinyl.
Foi a melhor coisa que poderiam ter feito com a série.
Assisti ao primeiro episódio e a sensação de vergonha alheia foi chocante – escrevi inclusive sobre isso. Os anos 70 são conhecidos como a década do exagero, do egocentrismo, da glamourização do sexo descartável e das drogas sintéticas, da destruição de muitos preconceitos na marra. É a década do glam rock, do folk pós-hippie, do hard rock pré-heavy metal, da soul music virando funk, do punk rock e da discoteca universal. São muitos mitos e ícones modernos que continuam vivos até hoje e fazer uma série sobre as entranhas de uma gravadora fictícia em Nova York naquele momento poderia ser o início de uma saga deliciosa, mostrando os contrastes e a fricção criativa que transformaram o rock clássico em uma fábrica de dinheiro e encubou o berço do que depois se tornaria o hip hop, a música eletrônica e o indie rock.
Usar uma gravadora como ponto de observação daquela década parecia tão apetitoso quanto assistir às transformações da década anterior a partir de uma agência de publicidade (a premissa da excelente Mad Men). O problema é que, pra começar, Vinyl usava isso apenas como pano de fundo. Misturava biografias e mitologias diferentes em uma narrativa que parecia sofrer dos principais problemas da década. Só quem se beneficiava era a trilha sonora e a direção de arte (que também sofria do exagero da década). Todo o resto era humilhantemente constrangedor.
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