Jornalismo musical: um papo com Gastão Moreira
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collectors Room
Postado em 19 de junho de 2019
Quem lê e escreve sobre música aqui no Brasil conhece o trabalho do Gastão Moreira. Referência não apenas para um ou outro, mas para toda uma geração, Gastão é sinônimo de jornalismo musical de qualidade e o maior nome do jornalismo rock nacional.
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É claro que um cara com uma história tão rica e com passagens por tantos veículos não poderia faltar em nossa série que discute o papel do jornalismo musical nos dias atuais.
Para acompanhar o trabalho do Gastão, assine o Kazagastão, o canal que ele produz no YouTube. A diversão será garantida!
Pra começar, fale um pouco sobre a sua trajetória profissional. Onde começou, em quais lugares já trabalhou e onde podemos encontrar os seus textos hoje em dia.
Comecei a trabalhar com música em 1990, no começo da MTV no Brasil. Trabalhei na TV Cultura (Musikaos), DirectTV, Fashion TV e fiz o Gasômetro nas rádios Brasil 2000, Atlântida e Kiss Fm. Fui colaborador da Bizz, Rock Brigade, Trip, revista da 89 FM e Folha de São Paulo. Meus textos estão por aí nessas revistas, mas tenho todos arquivados em casa.
Quando você começou a escrever sobre música?
Comecei com minha coluna mensal To the Bone, na Rock Brigade.
O que o motivou a escrever sobre música?
Foi minha inesgotável paixão pela matéria prima!
Sobre quais gêneros musicais você escreve?
Rock e suas vertentes, mas já fiz textos sobre blues, jazz e soul music. Tenho escrito muito pouco, hoje transformo meus textos em vídeos no Kazagastão.
Quais foram as suas principais influências no jornalismo musical? Quais jornalistas musicais você gosta de ler e influenciaram o seu trabalho?
Li muitos textos do Pepe Escobar, Ezequiel Neves, Ana Maria Bahiana, Kid Vinil, Lester Bangs, Simon Reynolds, Jon Savage e vários outros. Sempre gostei de ler diferentes abordagens sobre a mesma obra.
O que você mais gosta de produzir dentro do jornalismo musical?
Gosto muito de analisar discos.
Na hora de analisar um disco, quais aspectos da obra você costuma avaliar e dar mais peso para chegar a uma conclusão sobre o álbum?
A música é sempre o mais importante. Ideias, melodias, letras, composições. Uma audição mais apurada inspira vários comentários espontâneos sobre o disco, de preferência com a capa na mão. Critérios técnicos são secundários nas primeiras audições.
Como é o seu método de escrita? Como é a sua rotina na hora de analisar um disco ou produzir uma matéria? Sai tudo de uma vez ou esse processo leva alguns dias?
Não tenho método nem técnica, por isso demoro bastante para escrever. Procuro passar minhas ideias para o papel sem censura, instintivamente, e depois procuro ajeitar aquilo que não está bem escrito.
Quais veículos sobre música você indica não apenas pra quem quer se informar sobre o assunto, mas também para quem deseja encontrar matérias de qualidade e que podem ser úteis para iniciar no jornalismo rocker?
Fui assinante de várias revistas de qualidade como Mojo, Uncut, Vive Le Rock, Shindig, etc. A Rolling Stone dos anos 1970 e 1980 também trazia ótimos textos.
Em uma época onde as opiniões são instantâneas, a crítica musical ainda importa e segue sendo relevante?
Não tanto quanto antes, quando uma crítica ruim tinha o poder de abalar um artista, mas a crítica é fundamental para moldar gostos musicais. Acho que hoje a força está nos sites e blogs e não mais nas revistas e jornais.
O quanto o hábito da leitura é importante na construção de um estilo própria, de uma voz, dentro da crítica musical?
É essencial! Acho tão importante quanto ouvir música. É a única maneira de evoluir na escrita e burlar o convencional.
O quanto consumir não apenas outros estilos musicais, mas também outras formas de arte, é importante para o trabalho de um jornalista de música?
Consumir arte é exercitar sua sensibilidade. Pode ser uma exposição, uma peça, uma orquestra, não importa. O importante é deixar suas emoções transbordarem e a inspiração ocupar seu lugar.
O que é ser um crítico de música hoje em dia?
A grande função do crítico é filtrar e exaltar o que há de melhor no mundo musical em meio a tanta coisa disponível. Para isso o crítico deve ser criterioso, curioso e dotado de uma curadoria apurada.
Jornalismo musical
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