Neil Peart: Muito além do virtuosismo
Por Daniel de Paiva Cazzoli
Postado em 19 de janeiro de 2020
Sempre digo isso. E novamente repito: o fã de Rock é diferente. E pra melhor, dane-se a modéstia.
A explicação é simples pra quem está inserido no contexto. Ou talvez não seja. Nem sempre as coisas precisam ser explicadas, ainda mais quando se referem à arte. De maneira especial, à música.
Uma banda que deixa esse significado bem evidente é o Rush. É impossível alguém apreciar o legado do trio canadense e se deixar levar por música de péssima qualidade. Não orna, simples assim.
Quando aprendi a gostar deles, senti que eu estava sendo recompensado por não ter nascido com o talento pra ser um instrumentista. Deus me compensou com um bom ouvido... e com a percepção musical apurada. Disso tenho certeza.
Após um tempo - curto - de descoberta da banda, já havia escolhido um novo representante para o panteão dos meus heróis musicais: Neil Peart.
E após um longo tempo, quando comecei a ter condições de analisar o conteúdo lírico do Rush, deparei-me com a beleza, profundidade e até certo misticismo do que Peart tinha a dizer.
E mais recentemente, ao ler alguns de seus livros, em especial o emocionante e essencial "A Estrada da Cura", pude constatar que aquele baterista sisudo que elevei à condição de ídolo era, no mínimo, diferenciado. E deslocado desta redoma idiota que pseudofamosos insistem em se enclausurar.
Aos 67 anos, ele parte, deixando fãs espalhados pelo planeta Terra, já que ele voltará a empunhar suas lendárias baquetas em seu planeta de origem.
Descanse em paz, mestre! Você será lembrado além do ano de 2112.
Morte de Neil Peart
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