O álbum do Pink Floyd que para Roger Waters tem pouca coisa que se salva
Por Bruce William
Postado em 29 de agosto de 2024
Apesar de ter sido necessária, a saída de Roger Waters do Pink Floyd alterou drasticamente o processo criativo da banda, já que Waters sempre esteve envolvido profundamente nas composições, sendo inclusive autor de grande parte dos clássicos da banda. "Roger estava cansado de fazer parte de um grupo pop. Ele está muito acostumado a ser o único responsável por sua carreira. A ideia de ele entrar em algo que tem qualquer forma de democracia, ele simplesmente não seria bom nisso. Além disso, eu estava na casa dos trinta quando Roger saiu do grupo. Tenho mais idade agora. É mais de metade de uma vida de distância. Nós realmente não temos mais muito em comum", explicou David Gilmour em entrevista à Rolling Stone onde fala sobre os acontecimentos daqueles tempos.

Waters tem dito nos últimos tempos que sua saída do Pink Floyd se deu por conta de divergências políticas com os demais integrantes: "Se você tem princípios políticos e é um artista, então as duas áreas estão irremediavelmente conectadas. Esse é um dos motivos que me levou a deixar o Pink Floyd, inclusive: eu tinha esses princípios, os outros não tinham ou tinham outros princípios", disse em entrevista recente, onde ele também revela que se vê como um músico e ativista político em partes iguais: "Mas às vezes me inclino para um, às vezes para o outro".
Isso também explica outras declarações de Waters sobre as circunstâncias que levaram a sair da banda, dando a entender que a fama apenas não bastava para o músico: "Eu estava muito insatisfeito de tocar em estádios de futebol para pessoas não lá muito interessadas pelo que estávamos fazendo. Essa ideia [que de a fama traz felicidade] pode ser uma absoluta ilusão. Se você pegar toda a história do entretenimento popular, você vai encontrar enternainers que chegaram a morrer [sufocamos pela fama]. Talvez seja tão frequente quanto gente que fez sucesso na indústria do entretenimento e isso significou felicidade para elas em suas vidas pessoais."
A opinião de Roger Waters sobre o álbum "A Momentary Lapse of Reason", lançado pelo Pink Floyd depois de sua saída
O primeiro trabalho de estúdio da banda após Waters foi "A Momentary Lapse of Reason", lançado em 1987. Originalmente Gilmour havia concebido que esse seria um trabalho solo, pois as coisas ainda andavam muito tumultuadas na banda, mas ele foi convencido a mudar de ideia. E o próprio guitarrista admite que o álbum demonstra uma certa indecisão sobre o rumo das coisas: "Há momentos adoráveis nele - como 'Sorrow', 'On The Turning Away' e 'Learning To Fly'. Mas, assim como a maioria [das bandas da época], nós nos deixamos levar por aquela coisa oitentista. Ficamos meio que empolgados demais com os recursos tecnológicos que nos eram oferecidos, e Rick [Richard Wright] e Nick [Mason] foram bem inefetivos."
É verdade que o resultado final poderia ter sido ainda muito mais inesperado caso Gilmour tivesse aceitado a proposta feita pelo produtor
Bob Ezrin, que sugeriu a incorporação de elementos de Hip-Hop no álbum: "Eu fiquei fascinado com Rap nos dias em que trabalhei com o Afrika Bambataa. Eu trouxe algumas ideias quando estávamos trabalhando no 'A Momentary Lapse'... eu apenas pensei: 'cara, isso vai soar muito excelente com uma pegada mais roqueira". Como sabemos, Gilmour não aprovou a ideia: "Ele disse: 'Meu Deus, seria terrível'", contou Ezrin. "Ele não conseguia acreditar. Ele odiou a ideia."
Quanto a Roger Waters, ele falou sobre o álbum em entrevista para a CD Now em 2005, que foi resgatada pela Far Out: "'A Momentary Lapse of Reason' traz algumas coisas muito boas que, se eu ainda estivesse na banda, [usaria] aquelas sequências de acordes e melodias em um álbum no qual eu estivesse envolvido. Mas conceitualmente e liricamente, ele é simplesmente um lixo, em parte porque não é verdadeiro. Foi tipo, 'vamos tentar escrever músicas que soam como se fosse o Pink Floyd e fazer discos que soam como se fossem discos do Pink Floyd'", disse Waters.
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