A banda que Roger Waters e Eddie Van Halen colocaram no topo quando falam de rock
Por Bruce William
Postado em 06 de dezembro de 2025
À primeira vista, parece difícil imaginar Roger Waters e Eddie Van Halen elogiando a mesma banda com o mesmo entusiasmo. De um lado, o baixista e letrista que empurrou o Pink Floyd para álbuns conceituais cheios de crítica social. Do outro, o guitarrista que redefiniu o instrumento com alavancas, "tapping" e solos em alta voltagem. Carreira, som, postura em relação ao rock: quase tudo neles aponta para caminhos bem diferentes.
Waters nunca foi exatamente um "garimpeiro" de bandas novas. Em várias entrevistas, deixou claro que não tinha muita paciência para certos estilos, incluindo o heavy metal mais barulhento. Já Eddie nasceu na geração que cresceu vendo hard rock e metal explodirem, mas sempre falou pouco de ídolos, e quando abria o jogo, citava um nome ou outro que realmente tinha marcado a formação dele. Mas como relembra a Far Out, curiosamente, quando os dois falam de uma banda que consideram especial, acabam parando no mesmo lugar: o trio Cream, de Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker.

Do lado de Eddie, a admiração sempre foi franca. Ele contou que, entre todos os grupos que ouvia, um se destacava de verdade: o trio que Clapton montou no fim dos anos 60. Para ele, o ponto alto não eram nem os discos de estúdio, e sim as versões esticadas nos palcos. "A única banda de que eu realmente era muito fã era o Cream. E a única coisa que eu realmente gostava deles eram as coisas ao vivo", disse. "Porque eles tocavam dois versos, aí iam embora e improvisavam por 20 minutos. Depois voltavam, faziam um refrão e terminavam." Era ali que ele via o formato de power trio funcionando no limite: pouco arranjo, muita interpretação e espaço absurdo para guitarra.
Roger Waters, que vem de outra escola e outro repertório, acabou chegando à mesma banda por outro caminho. Ele lembra de ter ficado impressionado ao ver o Cream ao vivo e, anos depois, seguiu defendendo aqueles discos como algo que ainda valia ser revisitado com atenção. Para Waters, o trio não era só mais um grupo de blues britânico bem tocado. "Além de serem uma grande banda de blues, o Cream tentou de verdade abraçar muitos outros estilos, mesmo que algumas coisas soem um pouco estranhas hoje", comentou. Ele citou faixas como "Crossroads", "Sunshine of Your Love", "White Room" e "I Feel Free", destacando que o trio "tentava desesperadamente escrever material que fosse realmente progressivo e original. E conseguiu."
Quando se junta o olhar dos dois, fica mais fácil entender o papel do Cream naquele período. Eddie enxergava a liberdade dos improvisos, o formato "dois versos e vinte minutos de jam" como um laboratório de guitarra que ainda o fascinava décadas depois. Waters, por sua vez, prestava atenção na outra ponta: letras, climas, tentativas de ir além da base de blues sem perder o peso. Para ele, aqueles discos mostravam um grupo que queria compor algo diferente, mesmo esbarrando às vezes em soluções que hoje soam datadas.
Também chama atenção o recorte geracional por trás desses elogios. Waters viu o trio ainda como contemporâneo, dividindo espaço com outras bandas inglesas que buscavam ampliar o rock a partir do blues. Eddie, mais novo, já pegou esse material como referência de formação, antes de colocar seu próprio nome na linha de frente com o Van Halen. Em comum, os dois olham para o mesmo conjunto de músicas e reconhecem ali uma combinação rara de ousadia, energia e vontade de empurrar o formato adiante.
No fim das contas, quando um dos arquitetos do "The Wall" e o guitarrista que mudou a maneira de tocar rock nos anos 80 apontam o mesmo trio como referência máxima, isso diz bastante sobre a força daquela fase de Clapton, Bruce e Baker. Para Waters, era um grupo que buscava algo novo dentro do rock. Para Eddie, era a prova de que um trio podia esticar um tema simples e transformá-lo em um passeio inteiro no palco. O nome é o mesmo nos dois relatos: Cream.
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