O show do Pink Floyd em que Roger Waters não sabia o que dizer, mas emocionou a plateia
Por Bruce William
Postado em 05 de dezembro de 2025
Quando o Pink Floyd subiu ao palco do Live 8, em 2005, muita gente tinha consciência de que estava vendo algo raro. Era a primeira vez em mais de duas décadas que Roger Waters tocava novamente com David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason, e seria também a última. Wright morreria em 2008 e, com a relação entre Waters e Gilmour azedada há anos, aquela reunião virou um capítulo isolado na história da banda. Para o baixista, porém, não era só um reencontro: era também a chance de colocar sua voz diante de um público mundial em torno de uma causa específica.
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Waters havia deixado o Pink Floyd em 1985, depois de anos de atritos internos, enquanto Gilmour manteve o nome da banda em atividade por quase uma década, com dois álbuns de estúdio lançados sem o baixista. Mesmo assim, quando Bob Geldof articulou o Live 8, ele topou dividir o palco com os antigos parceiros. E não queria passar pela noite como se nada tivesse acontecido. Em entrevista à Word Magazine, contou que já tinha decidido que falaria ao público antes de "Wish You Were Here", mas faltava um detalhe: ele não fazia ideia do que iria dizer.
Waters explicou que não gosta de preparar discursos com antecedência. Disse que combinou com Gilmour que tomaria a palavra durante a introdução do guitarrista Tim Renwick, mas resolveu confiar no improviso: "Sim, eu tinha [a intenção], mas eu não sabia o que ia dizer, porque eu odeio preparar as coisas. Mas eu tinha dito ao Dave que ia falar alguma coisa enquanto o Tim Renwick estivesse tocando a introdução de 'Wish You Were Here'".
O resultado acabou virando um dos momentos mais comentados daquela noite. Quando pegou o microfone, ele adotou um tom mais pessoal do que político. Em vez de um discurso longo sobre o evento, falou sobre estar ali de novo com aqueles músicos e sobre quem não estava mais presente. Diante da plateia, disse: "É, na verdade, bastante emocionante estar aqui em cima com esses três caras depois de todos esses anos. Estar aqui, somando com o resto de vocês. Enfim, estamos fazendo isso por todos que não estão aqui. Em especial pelo Syd, claro". Com poucas frases, conectou a reunião, o público e a memória de Syd Barrett, o amigo de juventude que tinha inspirado "Wish You Were Here".
Depois do show, Waters elogiou a performance do grupo. Em vez de ressuscitar velhas queixas, preferiu destacar o prazer de tocar aquelas músicas com os velhos parceiros de estúdio: "Eu só senti prazer, tocando a música e ouvindo o Rick tocar aquelas partes de teclado maravilhosas que, claro, todos nós conhecemos e amamos dos discos. A sensação foi boa. Achei que o Nick tocou muito bem. Achei que todo mundo tocou muito bem. O Dave cantou lindamente. Foi uma sensação ótima".
Ele também admitiu que aquela noite ajudou a reacender um gosto antigo por tocar para multidões. Waters comentou que existe algo na mente de artistas que é preenchido por esse tipo de experiência: "Nós temos buracos na nossa psicologia, e se apresentar para um grande número de pessoas que estão gostando disso é, obviamente, parte do motivo pelo qual fazemos isso. E, quando isso acontece, acredite, é uma sensação fantástica."
O curioso é pensar que, em um dos momentos mais emblemáticos dessa trajetória, Waters subiu ao microfone sem discurso pronto, apenas com uma vontade vaga de dizer algo "à altura". O resto veio no improviso: falar da emoção de dividir o palco com Gilmour, Wright e Mason, lembrar de Syd Barrett e se colocar, por alguns minutos, como parte daquela multidão que tinha sido moldada por aquelas mesmas músicas.
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