Pink Floyd - Roger Waters e David Gilmour concordam sobre a canção que é a obra-prima
Por Bruce William
Postado em 13 de dezembro de 2025
Quando o assunto é Pink Floyd, muita gente pensa logo em "cisão", briga de bastidor e duas visões que passaram décadas sem conversa. Só que, em entrevistas diferentes, Roger Waters e David Gilmour acabam esbarrando no mesmo ponto: uma música em que, por alguns minutos, parece que todo mundo estava na mesma página: banda tocando como banda, sem virar "time A contra time B".
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Esse detalhe fica mais interessante porque essa convergência não aparece num disco tardio, já na fase em que as tensões eram assunto público. Ela surge num período em que o grupo ainda estava "se achando" depois da saída do Syd Barrett, testando caminhos e juntando peças do som que viria a ficar associado ao nome Pink Floyd.
A música em questão é "Echoes", faixa que fecha o álbum "Meddle" (1971) e ocupa praticamente um lado inteiro do vinil, com mais de vinte minutos de duração. Ela nasceu de experimentos de estúdio e virou um marco justamente por amarrar textura, dinâmica e melodia num formato longo, sem cara de colagem.
Do lado do Gilmour, a explicação vem bem franca e direta. Ele disse, conforme publicado na Far Out: "Acho que 'Echoes' é a obra-prima do disco - aquela em que estávamos todos descobrindo do que se trata o Pink Floyd. 'One of These Days' é uma peça meio secundária que saiu do trabalho em 'Echoes'."
E aí entra o Waters, que costuma ter pouca paciência com boa parte do que veio depois, mas trata "Echoes" como algo pessoal. Em outra ocasião, também resgatada na Far Out, ele resumiu a ideia central que enxerga na letra com uma frase bem específica: "Eu só tenho uma mensagem: 'Dois estranhos passando na rua, por acaso dois olhares se cruzam, e eu sou você, e o que eu vejo sou eu'. Essa é a minha mensagem... Minha mensagem não mudou", citando um trecho da letra que acontece lá no meio da canção.
O curioso é que Waters puxa a música pela letra, mas "Echoes" não se sustenta só nisso: o peso está no conjunto. A parte musical (com todos experimentando timbres e encaixes) conversa com uma letra que tenta falar de conexão humana sem precisar de discurso longo, e isso ajuda a entender por que os dois, cada um pelo seu motivo, voltam a "Echoes" quando alguém pede um momento alto do catálogo.
E, talvez, seja aí que mora o ponto: mesmo com tudo o que veio depois - disputa por controle criativo, narrativas divergentes, farpas públicas - "Echoes" ficou como um registro de quando a engrenagem estava inteira, e não em pedaços, e é meio irônico que a música que os une seja justamente a que fala de dois estranhos se reconhecendo no meio da rua, como se o Floyd tivesse deixado gravado, em 1971, um recado que a dupla principal ainda não conseguiu aplicar fora do estúdio.
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