Mick Jagger explica o limite que Stones não cruzaram, mas o Led sim e o Megadeth mais ainda
Por Bruce William
Postado em 24 de março de 2025
Mick Jagger nunca negou que "Sympathy for the Devil" mexeu com o imaginário popular. A letra, que dá voz ao próprio diabo com uma batida de samba, foi interpretada por muitos como um flerte com o ocultismo, o que acabou gerando comparações com bandas que adotaram esse tipo de imagem de forma mais constante, como o Led Zeppelin.
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Em entrevista à (revista) Rolling Stone em 1995, Jagger deixou claro que não queria seguir esse caminho. "O negócio da imagem satânica foi supervalorizado", comentou, em fala destacada pela CheatSheet. "A gente não queria seguir por essa estrada. E senti que essa música já era o suficiente. Você não quer construir uma carreira em cima disso. Mas bandas fizeram isso - Jimmy Page, por exemplo."
Jagger se referiu ao interesse do guitarrista do Led Zeppelin por Aleister Crowley, ocultista britânico frequentemente associado, de forma equivocada, ao satanismo. Para Jagger, a proposta dos Stones era outra. "Eu conhecia muitas pessoas que gostavam do Aleister Crowley. Mas não era isso que eu queria dizer com a música."
Segundo Jagger, a inspiração para a composição dos Stones veio mais da literatura do que de crenças esotéricas. "Acho que a ideia veio de um conceito do Baudelaire, mas posso estar errado. Às vezes olho meus livros dele e não consigo encontrar." Charles Baudelaire era um poeta francês do século XIX, conhecido por abordar temas obscuros e decadentes.
O vocalista ainda diferenciou os Stones de outras bandas que usaram a temática do mal como base estética. "Minha ideia com essa música não era magia negra nem essas bobagens, tipo Megadeth ou sei lá o que veio depois", citando algo da qual o frontman Dave Mustaine admitiu ter se aproximado em outras épocas, mas que hoje em dia ele afirma ter ficado no passado.
Voltando a Mick, ele reconheceu que os Stones já haviam brincado com essa imagem antes, como no álbum "Their Satanic Majesties Request", mas sem aprofundar o conceito nas letras. Para Jagger, a diferença entre os Rolling Stones e o Led Zeppelin estava justamente no uso simbólico desses temas. Enquanto Jimmy Page explorava esse universo com seriedade e misticismo, os Stones viam tudo como uma metáfora - e fizeram isso apenas uma vez.
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