"Depressivo e entediante"; o álbum do Pink Floyd que David Gilmour não conseguiu ouvir
Por Bruce William
Postado em 30 de abril de 2025
Antes mesmo do Pink Floyd entrar em estúdio para gravar "The Wall", Roger Waters entregou aos colegas uma fita com o conceito completo do projeto. Ele esperava que todos embarcassem de imediato na ideia, mas a recepção foi bem menos entusiasmada do que imaginava. David Gilmour, por exemplo, nem conseguiu escutar o material todo. "Era muito depressivo e entediante em vários momentos", disse o guitarrista em fala resgatada pela Far Out, lembrando da primeira vez que ouviu a proposta.

A ideia original era mesmo densa. Waters havia concebido uma ópera rock sobre um músico em colapso, que decide se isolar do mundo atrás de um "muro" simbólico. Com elementos autobiográficos e uma narrativa pesada, o projeto refletia bem mais o estado mental de Waters do que um esforço coletivo da banda. Gilmour admitiu que viu valor no conceito, mas só aceitou seguir com ele após uma revisão radical: "Gostei da ideia básica. Mas tivemos que jogar muita coisa fora, reescrever partes, incluir trechos novos".
Ao longo das gravações, ficou claro que o disco era, na prática, um projeto de Roger Waters com o nome Pink Floyd na capa. Ainda assim, o grupo seguiu adiante, mesmo com atritos cada vez mais intensos. A entrada do produtor Bob Ezrin ajudou a reorganizar o caos. Ele auxiliou Waters a estruturar a narrativa de forma mais coesa e direta. Segundo Gilmour, que chegou a ter dificuldades para fazer um solo de guitarra, isso fez diferença: "Roger escreveu algumas das melhores músicas depois disso, quando estava sob pressão. Quando a gente dizia que algo não estava bom o bastante, ele melhorava".
A tensão nos bastidores não era novidade. Desde o "Dark Side of the Moon", o Pink Floyd já operava num ambiente de cobranças internas e visões criativas divergentes. Em "The Wall", esse desequilíbrio ficou ainda mais evidente. A banda seguia funcionando, mas já não havia confiança plena entre os integrantes. Waters liderava, mas com pouca escuta. Os demais colaboravam, mas cada vez mais como peças isoladas.
O resultado final foi um álbum monumental, que muitos consideram um dos maiores do rock. Mas por trás das paredes que a narrativa construía, havia rachaduras profundas. "The Wall" se tornou um espelho não apenas do personagem fictício em queda livre, mas da própria banda, já fragmentada e com prazo de validade se esgotando.
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