David Gilmour: dissecando a magnífica "High Hopes"
Por Maximiliano P.
Fonte: itsonlyrocknrollandilikeit
Postado em 13 de maio de 2010
Após a saída de Roger Waters do PINK FLOYD, em 1985, muito se questionou sobre a capacidade criativa da banda sem o seu mentor intelectual e genial compositor. Humberto Gessinger, dos Engenheiros do Hawaii, chegou a brincar com a situação ao referir, na música "Tribos e Tribunais", que "PINK FLOYD sem Roger Waters lhe sugere muita sujeira, não lhe cheira nada bem".
Haveria, então, vida para o Floyd após a briga com Waters?
Quase uma década depois DAVID GILMOUR respondeu essa questão com autoridade ao lançar, junto com Nick Mason e Richard Right, o espetacular "The Division Bell", talvez um dos 10 melhores discos da década de 90.
O álbum é absolutamente brilhante, harmônico, melódico e com alma, talhado com o perfil indelével de GILMOUR. Eu poderia falar dele e elogiá-lo por horas a fio, tamanha sua qualidade. Contudo, esse post não é sobre o disco, mas sobre uma de suas mais estupendas faixas (a outra é a easy-listening "Lost for Words").
"High Hopes" é a última música de "Division Bell", e fecha o seu repertório com chave de ouro.
Sua introdução é belíssima... Um sino bate afinadíssimo com notas de violão e teclado, criando um clima absolutamente introspectivo, quase ansioso do que está por vir. Sua condução é magnífica... Improvável, intensa... E o seu final... Ah, o seu final... O encerramento nos traz um dos maiores solos de guitarra de todos os tempos, talvez o mais "GILMOUR" de todos os solos do PINK FLOYD.
Assim como "Shine on You Crazy Diamond" e "Dogs", "High Hopes" é uma canção longa, com variáveis que a tornam épica: a maravilhosa letra, as variações de ritmo, os elementos diferentes na introdução, o já mencionado excepcional solo de GILMOUR.
"High Hopes" também traz consigo uma característica marcante do Floyd: a repetição marcada de algumas características peculiares de outras músicas da banda.
A condução de GILMOUR no que se denomina "guitar tacet", percebida entre os minutos 2:57 - 3:48 de "High Hopes", é muito parecida com a ouvida em "Welcome to the Machine", do álbum "Wish You Were Here". Da mesma forma, assim como em "Grantchester Meadows", High Hopes também tem sons de pássaros e insetos, além do som de sinos já percebidos na clássica "Fat Old Sun", do não menos lendário "Atom Heart Mother", uma das maiores obras primas do rock progressivo.
A letra de "High Hopes" é de GILMOUR e de sua esposa, Polly Samson. Na essência, fala das dificuldades de GILMOUR para deixar sua cidade natal, das perdas e ganhos na vida e de esperança. Além disso, aborda o egoísmo, o arrependimento e as mazelas oriundas da divisão e do individualismo dos dias de hoje.
Apesar de ser uma composição cheia de palavras difíceis e frases extremamente subjetivas, "High Hopes" é direta, simples e linda ao valorizar os sentimentos fraternais quando diz: "A grama era mais verde, as luzes eram mais brilhantes, o gosto era melhor, as noites eram maravilhosas, com amigos por perto".
A história sobre a criação de "High Hopes" é extremamente curiosa. Para quem imagina que uma música tão trabalhada e detalhada tenha exigido muito tempo de maturação, GILMOUR traz uma realidade completamente oposta:
"High Hopes era para ser realmente a última, uma espécie de final, de uma forma ou outra. É uma daquelas músicas que você trabalha de forma rápida mas bonita, quase imediatamente. Eu carreguei comigo algumas idéias em uma fita cassete, com apenas alguns compassos de piano, e fui para uma pequena casa em algum lugar com Polly, para tentar fazer algum progresso na escrita lírica. Ela me deu uma frase e muito rapidamente nós a escrevemos. Então voltei ao estúdio, com mais ninguém ali, a completei e coloquei em uma demo. Fiz tudo sozinho e posso dizer que ela se completou virtualmente em um único dia."
Sir DAVID GILMOUR lançou um DVD esplêndido e altamente recomendado em 2002, chamado DAVID GILMOUR in Concert, de onde advém o vídeo abaixo. Não creio que possamos chamar essa versão de semi-acústica, como é o restante do show, mas ela é, certamente, um pouco diferente da original. As doze afinadíssimas vocalistas de apoio, a grande performance de Caroline Dale no violoncelo e em especial o solo final de GILMOUR com slide/lapsteel, recheado de feeling, fazem valer cada segundo dessa obra prima do rock`n roll. Aumente o volume e aprecie...
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Fabio Lione dá resposta curta e "sincerona" a fã que questionou hiato do Angra
64 shows internacionais de rock e metal para ver no Brasil agora em abril
O ícone do metal progressivo que considera o Offspring uma piada
Luis Mariutti se pronuncia sobre pedidos por participação em shows do Angra
Andreas Kisser afirma que irmãos Cavalera não querem participar de último show do Sepultura
Músicos da formação clássica do Guns N' Roses se reúnem com vocalista do Faster Pussycat
Série dos Raimundos expõe crítica pesada de Canisso à reconciliação entre Rodolfo e Digão
O melhor disco do Led Zeppelin, segundo Robert Plant: "Soava muito pesado"
Black Sabbath "atrapalhou" gravação de um dos maiores clássicos da história do rock
A mensagem curta e simbólica sobre o Sepultura que Iggor Cavalera compartilhou no Instagram
As 35 melhores bandas brasileiras de rock de todos os tempos, segundo a Ultimate Guitar
Por que Aquiles Priester não quis opinar nas músicas do show do Angra, segundo o próprio
Por que o Lollapalooza parece ter "só bandas que você não conhece", segundo o Estadão
O melhor álbum da banda Death, segundo o Loudwire
As 10 maiores bandas da história do power metal, segundo o Loudwire


O clássico do Pink Floyd que David Gilmour não toca mais por ser "violento demais"
Roger Waters nunca teve paciência para rock "barulhento"; "algumas pessoas são e elas adoram"
Quando David Gilmour teve que ouvir "música comercial" para gravar um disco do Pink Floyd
Fã desembolsa equivalente a R$ 76 milhões por guitarra de David Gilmour
Pink Floyd é homenageado em nova espécie de peixe raro descoberta por pesquisadores brasileiros
A melhor banda de rock progressivo para cada letra do alfabeto, segundo a Loudwire
O disco do Metallica que Regis Tadeu compara a clássicos de Beatles, Led Zeppelin e Floyd
Usando Pink Floyd como exemplo, Sammy Hagar diz não querer mais contato com Alex Van Halen
Por que Roger Waters saiu do Pink Floyd; "força criativa esgotada"
O disco obscuro que Roger Waters acha que o mundo precisa ouvir; "Um álbum muito importante"
Black Sabbath: O ataque com um queijo fedido ao pobre Bill Ward
Duff McKagan: Ele se arrepende de ter liberado a Duff Beer dos Simpsons


