Mick Jagger revela seu álbum preferido dos Rolling Stones; É muito rock 'n' roll, sabe?
Por Bruce William
Postado em 29 de maio de 2025
Antes de se tornar uma das maiores vozes do rock, Mick Jagger era apenas um jovem nervoso prestes a subir no palco do Marquee Club, em julho de 1962. Naquela noite, o clima era tenso: o público se dividia entre os tradicionalistas do jazz e os jovens modernos, e os Rolling Stones encerraram a apresentação sob vaias, tocando versões barulhentas de clássicos do blues. Mas foi ali que a essência da banda se moldou: um som enraizado na tradição, mas afiado pela urgência juvenil.
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Jagger e Keith Richards nunca esconderam que seu objetivo era apresentar o blues a uma nova geração. Mas, para Jagger, havia mais: ele queria romper com a rigidez da sociedade da época. "O mundo adulto era muito ordenado nos anos 60, e eu estava saindo disso. Achei a sociedade americana muito restritiva em pensamento, comportamento e vestimenta", relembrou. Esse desejo de transgressão virou combustível criativo, algo que, segundo ele, nem mesmo o punk conseguiu superar: "Não importa o que Johnny Rotten e Sid Vicious façam — eles jamais superariam os Rolling Stones no auge da sujeira e do caos".
Com o tempo, a banda flertou com outras sonoridades, mas Jagger sempre teve reservas quanto a essas experiências. "Não é muito bom", disse sobre "Their Satanic Majesties Request". "Tem coisas interessantes, mas acho que nenhuma das músicas é realmente boa." A resposta foi voltar às raízes. E como pontua a Far Out, foi nesse resgate, ainda que sem soar antiquado, que eles chegaram ao disco que Jagger considera sua maior conquista.
"Minha melhor hora", afirmou ele sobre "Exile on Main St.", lançado em 1972. Misturando blues, country, soul e rock cru, o álbum nasceu do caos e da espontaneidade. "Esse novo disco é maluco pra caralho. Tem tantas faixas diferentes. É muito rock 'n' roll, sabe?", disse na época. Apesar de inicialmente ignorado pelo público e pela crítica, o álbum acabou se tornando um marco: "Foi difícil, porque as pessoas não gostaram quando saiu. Acho que acharam meio difícil por causa da duração. As pessoas não acessaram tão facilmente na época. Teve críticas meio mistas. As pessoas acharam um pouco impenetrável e meio difícil.".
Para Jagger, essa dificuldade inicial foi um bom sinal. Afinal, os Stones sempre foram movidos por tensão. E ao recuperar a essência daquela primeira apresentação confusa no Marquee Club, "Exile on Main St." acabou simbolizando tudo o que ele queria fazer desde o começo: transformar o barulho em arte, com raiva, suor e uma dose generosa de confusão.
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