A primeira banda de rock dos anos 1960 que acertou em cheio, segundo Robert Plant
Por Gustavo Maiato
Postado em 14 de dezembro de 2025
Para Robert Plant, a ascensão dos Rolling Stones foi muito mais do que o surgimento de apenas mais uma banda de rock. Como escreve o jornalista Joe Taysom, da Far Out, para músicos da geração de Plant, o grupo simbolizou a prova concreta de que era possível fazer rock'n'roll com identidade própria fora dos Estados Unidos. Até então, para muitos jovens britânicos, aquele som parecia pertencer exclusivamente aos americanos - algo que mudaria radicalmente com a explosão da chamada Invasão Britânica.

Plant tinha apenas 15 anos quando viu os Rolling Stones despontarem. Segundo Taysom, o impacto foi imediato: o primeiro single da banda, a versão de "Come On", de Chuck Berry, soou como uma revelação. Já apaixonado pelo blues do Delta, Plant encontrou nos Stones uma tradução britânica dessa mesma energia, algo que o empurrou ainda mais fundo em suas próprias ambições musicais.
Robert Plant e Rolling Stones
Embora não tenha acompanhado os shows iniciais da banda em Londres, em casas lendárias como o Crawdaddy Club, Plant não perdeu a primeira oportunidade de vê-los quando passaram por sua região. Na ocasião, os Rolling Stones sequer eram a atração principal: estavam no início de um pacote de shows que incluía gigantes como Bo Diddley e Little Richard. Ainda assim, para o futuro vocalista do Led Zeppelin, aquela noite foi decisiva.
Em entrevista a Ken Bruce, da BBC Radio 2, relembrada por Joe Taysom, Plant explicou a importância daquele momento: "Todo mundo estava inclinado àquela música, mas ninguém realmente tinha acertado em cheio. Naquela época, os Stones estavam trazendo a pedra montanha abaixo. Isso foi realmente especial". A partir dali, sua admiração só cresceu, acompanhando a evolução artística e a ousadia criativa da banda.
Esse fascínio atingiu um ponto alto com "Street Fighting Man", lançada em 1968. A música revelou, aos olhos de Plant, um lado politizado e urgente dos Rolling Stones, refletindo o clima de protestos e tensões sociais que marcavam o mundo ocidental durante a Guerra do Vietnã. Décadas depois, Mick Jagger demonstraria sentimentos ambíguos sobre a canção, mas Plant nunca escondeu seu entusiasmo.
Em entrevista à BBC 6 Music em 2021, citada por Taysom, ele foi categórico: "Há muito a ser dito sobre essa banda, sobre a política do fim dos anos 60 e início dos 70, e sobre como Jagger e Richards estavam compondo músicas realmente vitais - absolutamente vitais - e que, em muitos sentidos, são atemporais". Para Plant, "Street Fighting Man", do álbum Beggars Banquet, é a prova definitiva disso.
Ele ainda destacou o impacto duradouro da faixa, lembrando que chegou a ser banida por algumas rádios sob a acusação de ser subversiva. Plant citou com ironia a famosa resposta atribuída aos próprios Stones: "Claro que é subversiva. É estúpido pensar que você pode começar uma revolução com um disco; eu queria que desse". Para ele, essa combinação de consciência social, atitude e força musical é o que torna os Rolling Stones uma banda verdadeiramente atemporal.
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