O disco que Paul McCartney quase não finalizou, e achou que ia morrer no meio do processo
Por Bruce William
Postado em 22 de maio de 2025
Paul McCartney já estava cansado das críticas quando decidiu que "Band on the Run" seria o disco da virada. Depois da recepção morna a "Wild Life" e da reação dividida a "Red Rose Speedway", ele sabia que precisava de algo mais sólido para manter o Wings vivo. Mas, ao invés de facilitar, escolheu gravar o álbum na Nigéria — e tudo que poderia dar errado acabou acontecendo.
Pouco antes das gravações, dois integrantes da banda desistiram do projeto. McCartney seguiu em frente apenas com Linda e Denny Laine. O estúdio em Lagos tinha estrutura precária, e as condições de trabalho estavam longe das que ele teve com os Beatles. Mesmo assim, conforme lembra a Far Out, Paul estava determinado a fazer o disco sair — nem que fosse na marra.
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Durante a estadia na Nigéria, McCartney foi assaltado por homens armados com faca. Perdeu as fitas com os esboços do álbum e teve que reconstituir tudo de memória. Isso significava tocar a maioria dos instrumentos novamente e ajustar os arranjos no improviso. A essa altura, o processo já estava drenando suas forças.
As coisas pioraram quando ele sofreu um colapso no meio das gravações. "Parece que o estúdio estava abafado, então saí para tomar um ar. Comecei a me sentir muito mal, senti uma dor no lado direito do peito e desmaiei. Não conseguia respirar. Linda achou que eu tinha morrido", contou anos depois.
O médico tratou como um problema bronquial, causado pelo excesso de cigarro. Mas, segundo Paul, o susto foi real: "Fiquei na cama por alguns dias, achando que ia morrer. Foi um dos momentos mais assustadores da minha vida." Apesar disso, ele não interrompeu o trabalho e logo voltou ao estúdio para concluir o álbum.
Mesmo com todos esses contratempos, "Band on the Run" soa leve, otimista e cheio de energia. Canções como "Jet", "Bluebird" e "Picasso's Last Words" mostram um McCartney criativo e em boa forma, como se nada tivesse acontecido nos bastidores. "Let Me Roll It", por sua vez, foi vista por muitos como uma espécie de resposta ou homenagem velada a John Lennon.
O disco foi lançado em dezembro de 1973 e, ao contrário dos anteriores, teve uma recepção entusiasmada. Tornou-se um dos maiores sucessos comerciais da carreira solo de McCartney e ajudou a consolidar o Wings como uma banda de verdade, não apenas um projeto paralelo. Hoje, é lembrado como um dos grandes momentos de superação de Paul. Um disco que quase não aconteceu, feito sob pressão, cansaço e risco físico. E que, ainda assim, saiu com a leveza de quem parecia só estar se divertindo com a música.
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