O hit dos Beatles que conseguiu ser odiado tanto por John Lennon quando Paul McCartney
Por Gustavo Maiato
Postado em 17 de maio de 2025
John Lennon nunca teve receio de criticar sua própria obra — nem mesmo os clássicos imortais que compôs ao lado dos Beatles. Em diversas entrevistas, especialmente após deixar a banda, ele demonstrava pouca reverência à própria história. Uma de suas declarações mais ácidas veio em 1980, quando revelou desprezar abertamente a música "It’s Only Love", do álbum "Help!" (1965). A entrevista foi resgatada pela Far Out.
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"‘It’s Only Love’ é minha. Sempre achei essa música uma porcaria. A letra era abismal. Sempre odiei essa música", disse Lennon à Playboy, durante uma de suas entrevistas mais francas, conduzida por David Sheff.
Já Paul McCartney, que dividia os créditos da canção com Lennon, também não escondeu que o grupo não era tão rigoroso com algumas composições naquele momento. "Às vezes, não lutávamos contra a letra se ela saía meio sem graça, como em algumas músicas de preenchimento, tipo ‘It’s Only Love’", contou. "Se a letra fosse realmente ruim, a gente mexia. Mas não éramos tão exigentes. Era só uma música de rock. Não é literatura."
A canção foi originalmente concebida com o título "That’s A Nice Hat" e acabou entrando como uma faixa secundária no lado B de "Help!", um álbum com o qual os Beatles ainda mantinham o status de ídolos pop mais do que de artistas conscientes da profundidade de sua própria música.
Beatles e "It’s Only Love"
De acordo com o site Beatles Bible, em "Revolution in the Head", o crítico Ian MacDonald observa que "It’s Only Love" rompe com a tendência "horizontal" das melodias de Lennon — baseadas em notas repetidas — e se aproxima do estilo "vertical" de Paul McCartney, com variações melódicas mais amplas e ousadas.
Gravada em uma sessão única no dia 15 de junho de 1965, a música exigiu seis tentativas no estúdio, das quais quatro foram completas. Lennon gravou seus vocais em "double tracking" sobre a última tomada. Cinco guitarras foram usadas na produção — duas acústicas e três elétricas, incluindo uma Rickenbacker de 12 cordas de George Harrison com efeito de trêmolo. A gravação também rendeu curiosidades técnicas: a batida de Ringo Starr em uma das versões preliminares, lançada em "Anthology 2", antecipa o ritmo de "In My Life".
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