O baterista que John Bonham, maravilhado, chegou a chamar de "Deus"
Por Bruce William
Postado em 07 de agosto de 2025
Entre os grandes nomes da bateria no rock, poucos são tão unanimemente reverenciados quanto John Bonham. Seu estilo, marcado por força bruta e criatividade, fez dele uma peça fundamental para o som do Led Zeppelin, e para muitos, o principal responsável por transformar a banda em um fenômeno de palco e estúdio. Ao longo dos anos, seu nome passou a ser citado não só como influência, mas como referência absoluta no instrumento.
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Bonham era mais do que um baterista técnico. Ele combinava o swing das big bands com a intensidade do rock pesado, criando uma identidade própria que inspiraria gerações futuras. Enquanto Jimmy Page costurava riffs e Robert Plant assumia os vocais com teatralidade, Bonham conduzia tudo com a autoridade de um maestro enfurecido, e com uma pegada que parecia brotar espontaneamente da terra.
Mas como se forma um músico tão singular? Para John Bonham, uma das maiores inspirações veio ainda na infância, ao assistir ao filme The Benny Goodman Story ao lado do pai. Nele, o baterista Gene Krupa aparece interpretando a si mesmo com energia e carisma suficientes para conquistar qualquer garoto fascinado por ritmo. Anos depois, seu irmão Michael lembraria com clareza: "Gene Krupa era Deus para John."
Conforme pontua a Far Out, Krupa foi um dos primeiros bateristas a se tornar uma estrela dentro de uma big band, algo raro numa época em que os holofotes se voltavam quase sempre aos cantores ou aos líderes de orquestra. Seu estilo envolvia mais do que técnica: era pura performance, com solos empolgantes e gestos teatrais. Bonham, mesmo sem copiar o estilo ao pé da letra, absorveu esse espírito de protagonismo.
Outro momento marcante foi quando Bonham viu Krupa tocando em Beat the Band, uma comédia musical pouco lembrada, mas que deixou impressão duradoura. Nessa cena, Krupa improvisa um solo de bateria em tubos de metal, transformando objetos comuns em instrumentos. Para Bonham, aquilo era mais do que diversão: era arte em sua forma mais pura e instintiva.
É interessante notar como essas influências do jazz e do swing foram reinterpretadas por Bonham dentro de um contexto completamente diferente. Se Krupa era ágil como um espadachim, cortando ritmicamente com precisão e leveza, Bonham era mais como um lenhador com um machado gigante, onde cada batida parecia carregar o peso de uma avalanche.
O resultado dessa fusão foi um estilo inimitável, que ainda hoje é estudado e imitado, mas raramente alcançado. Bonham não apenas colocou a bateria em destaque: ele redefiniu o papel do instrumento dentro de uma banda de rock. E ao chamar Gene Krupa de "Deus", talvez estivesse apenas reconhecendo em outro músico o impacto que ele mesmo causaria anos depois.
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