RECEBA NOVIDADES ROCK E METAL DO WHIPLASH.NET NO WHATSAPP

Matérias Mais Lidas


Outras Matérias em Destaque

Os 20 melhores álbuns lançados em 1999, segundo lista da Metal Hammer

Os 10 álbuns que marcaram Bruno Añaña, do Rebaelliun e Postmortem Inc

Como o guitarrista de "Hotel California" ajudou o Led Zeppelin a encontrar seu som pesado

As 20 músicas mais subestimadas do Iron Maiden, em lista da Classic Rock

Ex-guitarrista do Turnstile tem julgamento por tentar matar pai do vocalista marcado

A música da ELO que escondia mensagens no próprio título

A melhor banda de rock de todos os tempos, segundo o ator Pedro Pascal

Baterista do Coal Chamber detalha luta contra o câncer

Tygers of Pan Tang anuncia detalhes do seu novo álbum, "Electrifyed"

As duas músicas do Led Zeppelin que John Paul Jones preferia esquecer

Morre Clive Davis, um dos nomes mais importantes da história da indústria musical

Edu Falaschi abre o coração ao Whiplash.Net sobre "MI'RAJ" - "Disco mais pessoal da vida"

Metallica jogou fora o manual do heavy metal, segundo James Hetfield

A música que Dave Grohl disse ser a essência do Nirvana, diferente de hits como "Smells"

O disco dos Rolling Stones que Mick Jagger mais odiou gravar; "As relações eram terríveis"


Sepultura
Stamp

Porque Raul Seixas disse que o Diabo é o Pai do Rock

Por
Postado em 16 de maio de 2025

Lançada em 1975 no álbum "Novo Aeon", "Rock do Diabo" é uma das músicas mais provocativas da discografia de Raul Seixas. A frase que gruda nos ouvidos — "O diabo é o pai do rock" — pode parecer só uma tirada rebelde, mas sintetiza uma visão de mundo construída com Paulo Coelho, marcada por crítica à psicanálise, defesa da desobediência e inversão simbólica de conceitos como bem e mal. É uma canção feita para provocar — mas também para pensar.

Raul Seixas - Mais Novidades

Foto: Imagem gerada por IA - Bruce William
Foto: Imagem gerada por IA - Bruce William
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - CLI
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Na época, Raul e Paulo travavam uma batalha contra o discurso dominante da racionalidade, relata Jotabê Medeiros no livro "Não diga que a canção está perdida" (Amazon). A psicanálise, para eles, havia se transformado numa forma de controle — "uma deturpação completa do que o genial Freud escreveu", segundo Coelho. Em vez de confiar nos diagnósticos dos consultórios, eles pregavam os "toques" da vida — pequenas intuições, sinais, vivências diretas que escapam da análise racional. Daí o verso repetido como bordão: "Enquanto Freud explica as coisas, o diabo fica dando os toques."

O "diabo" dessa música não é o personagem religioso clássico, e sim um arquétipo. Representa o instintivo, o marginalizado, o que incomoda. É o impulso que te leva a fazer o que te disseram para não fazer. Em um trecho-chave da letra, Raul canta: "Mamãe disse a Zequinha: nunca pule aquele muro. Zequinha respondeu: mamãe, aqui tá mais escuro." A imagem é simples, mas poderosa. Zequinha percebe que o lado seguro não é tão claro quanto dizem — e que só desobedecendo é possível encontrar luz. É uma metáfora direta com o mito da caverna, de Platão, que Raul já havia visitado em outros momentos da carreira, conforme aponta ensaio do site Universo de Raul Seixas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - GOO
Anunciar no Whiplash.Net Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

No mito, os prisioneiros vivem acorrentados dentro de uma caverna, vendo apenas sombras projetadas por uma fogueira. Para eles, aquelas sombras são a realidade. Um dos prisioneiros se solta, sai da caverna, vê o mundo real e tenta voltar para contar aos outros — mas é rejeitado, desacreditado, considerado louco. Raul se identifica claramente com esse prisioneiro. E Zequinha, ao pular o muro, é a versão infantilizada dessa ruptura. Pular o muro, para Raul, é um gesto de libertação.

A música vai além da filosofia. Ela também confronta o moralismo social e religioso com ironia. Ao dizer que o diabo é o pai do rock, Raul se apropria da acusação que muitos faziam ao estilo — e a devolve como elogio, teoriza a página Raul Seixas o Pai do Rock. Se o diabo representa o que é livre, instintivo, rebelde, então que seja ele o patrono da música que Raul escolheu para expressar tudo isso. A letra mistura carne, desejo e esperança: "Três quilos de alcatra com muqueca de esperança." O prazer e a ilusão no mesmo prato. Uma imagem do cotidiano, mas também uma crítica social.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - CLI
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

A resposta à ousadia veio em forma de reação literal. Em 1983, anos depois do lançamento da música, um pastor da Igreja Quadrangular organizou sessões de exorcismo ao som de Rock do Diabo em pleno centro do Rio de Janeiro, conforme relata o livro do Jotabê. Com banda ao vivo e mais de trezentas pessoas declarando-se possuídas, o pastor passou a tarde inteira expulsando demônios enquanto a música de Raul ecoava pela rua. O absurdo da cena talvez fosse exatamente o tipo de efeito que Raul buscava com suas provocações.

"Rock do Diabo" é, no fim das contas, uma música sobre confronto. Confronto com o pensamento dominante, com as autoridades morais, com os saberes instituídos. Ao lado de Paulo Coelho, Raul propõe outra via de entendimento do mundo: menos análise, mais vivência; menos repressão, mais instinto. O diabo dá o toque. O rock é o canal. E o ouvinte, se quiser, pode pular o muro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - GOO
Anunciar no Whiplash.Net Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal
Compartilhar no FacebookCompartilhar no WhatsAppCompartilhar no Twitter

Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps


Eminence


publicidadeGustavo Anunciação Lenza | Luis Alberto Braga Rodrigues | Paulo Eduardo Farias | Thomas Wisiak | Rogerio Antonio dos Anjos | Miguel Angelo Leal | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Siga Whiplash.Net pelo WhatsApp
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Sobre Bruce William

Quando Socram chegou no Whiplash.net era tudo mato, JPA lhe entregou uma foice e disse "go ahead!". Usou vários nomes, chegou a hora do "verdadeiro". Nunca teve pretensão de se dizer jornalista, no máximo historiador do rock, já que é formado na área. Continua apaixonado por uma Fuchsbau, que fica mais linda a cada dia que passa ♥. Na foto com a Melody, que já virou estrelinha...
Mais matérias de Bruce William.

 
 
 
 

RECEBA NOVIDADES SOBRE
ROCK E HEAVY METAL
NO WHATSAPP
ANUNCIE NESTE SITE COM
MAIS DE 3 MILHÕES DE
VIEWS POR MÊS