Os dois discos que mudaram completamente a forma como Roger Waters entendia a música
Por Bruce William
Postado em 08 de julho de 2025
Antes mesmo de escrever "The Dark Side of the Moon", Roger Waters já havia passado por aquela experiência que muitos músicos descrevem como um "choque de realidade musical". Um momento em que tudo o que se conhecia antes passa a ser visto com outros olhos, e tudo o que vem depois é medido com um novo nível de exigência. Para Waters, esse tipo de transformação aconteceu duas vezes, e envolveu dois discos lançados nos anos 1960.
Naquela década, ele era apenas mais um jovem imerso em uma das fases mais intensas da história da música popular. Viu o rock and roll ganhar camadas mais políticas, experimentais e sofisticadas, acompanhando o avanço de bandas como Beatles e Beach Boys de perto, disco a disco, em tempo real. "Waters estava lá", como diriam os entusiastas: comprando os LPs, prestando atenção na mudança de sonoridade, sacando a virada de chave artística.

Essa virada foi tão forte que ele não hesita em dizer quais obras mudaram tudo para ele. "Junto com 'Sgt. Pepper', o 'Pet Sounds' mudou completamente tudo sobre discos pra mim", declarou em uma entrevista resgatada pela Far Out. A frase resume o impacto que os álbuns de Beatles e Beach Boys tiveram em sua percepção sobre o que a música poderia ser e, mais tarde, sobre o que ele mesmo faria com o Pink Floyd.
Ambos são vistos como álbuns de transição: obras em que seus criadores deixaram de lado fórmulas básicas do rock e mergulharam em arranjos ousados, conceitos amplos e técnicas de estúdio mais ambiciosas. "Pet Sounds", lançado em 1966, surpreendeu pelos timbres melódicos e pela profundidade emocional. "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", de 1967, virou referência em coesão sonora e liberdade criativa. Não à toa, são constantemente citados como pilares da ideia de "álbum como obra completa".
O próprio Floyd viria a dominar esse mesmo território poucos anos depois. Quando lançaram "The Dark Side of the Moon" em 1973, era evidente o cuidado com os detalhes, os efeitos sonoros e a construção narrativa de cada faixa. Sem a ousadia das obras anteriores, é possível que faltasse o impulso inicial para tentar algo naquele nível, ou que o resultado final não tivesse a mesma fluidez.
É um ciclo curioso. Waters se sentiu desafiado por aquilo que ouviu nos anos 1960 e acabou, ele mesmo, provocando esse tipo de reação em novos artistas décadas depois. O que "Sgt. Pepper" e "Pet Sounds" representaram para ele, "The Wall" e "Wish You Were Here" representaram para gerações seguintes. Mais do que uma influência, aqueles discos redefiniram seus parâmetros. Waters não apenas admirou o que ouviu: ele entendeu, naquele momento, que dali em diante o jogo era outro.
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