Nova York: berço do punk, hip hop e disco music
Resenha - Once Upon a Time in New York: the Birth of Hip Hop
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 15 de maio de 2016
Quando o mercado fonográfico ianque – e em certo sentido, planetário - transferiu seu centro de Nova York a Los Angeles (link para a matéria ao final deste texto), esse foi apenas mais um golpe para apodrecer a Grande Maçã. A crise política e petrolífera dos anos 70 faliu a cidade, fedida por greves de lixeiros ou escurecida por apagões. Woody Allen caracteristicamente não sentia isso, mas em alguns bairros a coisa era literalmente punk. Os 60 minutos de Once Upon a Time in New York: the Birth of Hip Hop, Disco and Punk (2011) explicam como esses movimentos seminais nasceram em meio ao - e parte em consequência do - caos urbano.
Codificado como movimento estético e moda na pindaíba inglesa setentista, o punk teve suas raízes no lado selvagem da geração sessentista nova-iorquina, que não queria ou podia compartilhar os sonhos ensolarados de paz e amor hippies. O Velvet Underground e os bofes travestidos do New York Dolls abriram caminhos alternativos e distorcidos para uma geração – predominantemente branca – que vinha à Nova York e se congregava no CBGB, lendário clube que reunia artistas tão distintos quanto Patti Smith, Television, Blondie, Ramones e Talking Heads. Intenções/pretensões experimentais e/ou literárias à parte, esses artistas desprezavam o sistema estelar de virtuoses do rock, tipo Eric Clapton e Yes. Os 3 acordes rudimentares dos Ramones e a tosqueira da fase inicial do Blondie enfatizavam a atitude sobre a técnica e o pavio punk estava ignificado.
Se a situação não estava fácil para os brancos, imagine bairros como o negro Bronx, infestado de gangues e assombrado por taxas alarmantes de desemprego. Excluídos do elitista Studio 54 – até a então em baixa Cher foi barrada! -, a solução para dançar e se divertir era instalar o som na rua e promover festas, que apaziguavam grupos rivais, incorporavam outras subculturas, como a dos grafiteiros, e experimentavam novas combinações e possibilidades sônicas. Manos como Afrika Bambataa misturavam faixas de diferentes estilos – funk, africanos, caribenhos, Kraftwerk – em suas mesas de discotecagem e compunham letras críticas, mais faladas do que cantadas. O que o documentário não tem tempo ou interesse em abordar é a homofobia/misoginia de boa parte da comunidade afrodescendente, indisposta a frequentar as festas disco. De qualquer modo, esse outro grupo de insatisfeitos culturais, criou o hip hop, que sairia do gueto para se constituir no gênero musical dominante no mercado por décadas.
E quem melhor para catalisar essas 3 vertentes senão o Blondie? Inicialmente punkoso, com um clássico disco em seu CV – Heart of Glass – o grupo pode ser considerado o responsável pela introdução do rap/hip hop ao grande público. A musa Debbie Harry visitou uma das festas no Bronx e incorporou um rapeado numa das faixas do algo errático, mas multiplatinado Rapture (1981). Outro pavio incandescido.
Once Upon a Time in New York: the Birth of Hip Hop, Disco and Punk põe em perspectiva o papel fundamental da Nova Roma, que perdeu temporariamente a pose, mas não a majestade underground nos idos dos 1970’s.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Floor Jansen canta Metallica com a Banda de Fuzileiros Navais da Marinha Holandesa
O guitarrista que James Hetfield considera "o cara"
A canção "nada a ver" que o Metallica gravou por parecer ser feita para eles; "somos nós"
A música do Pink Floyd que o vocalista do Creed ouviu todos os dias por um ano
Os 5 álbuns obrigatórios para se ter uma boa base na música, segundo Regis Tadeu
Kirk Hammett era um "ótimo aluno", segundo Joe Satriani
Frank Beard, baterista do ZZ Top, morre aos 77 anos de idade
Guitarrista do Rush, Alex Lifeson conta por que parou de fumar maconha aos 72 anos
O guitarrista mais subestimado de todos os tempos, segundo Scott Ian
Tony Iommi e Ozzy Osbourne se odiavam, segundo Geezer Butler
Slash diz que pagou R$ 8 milhões a mais para ex-esposa por engano e agora quer o dinheiro de volta
10 rockstars que fizeram mais sucesso depois de serem demitidos da banda, segundo a Loudwire
O álbum que David Gilmour recomenda a quem quer aprender a tocar guitarra
O dia que George Harrison fez música para o piloto Emerson Fittipaldi: "Bora tomar 20 caipirinhas"
O guitarrista que Tony Iommi considera "incopiável"; "diferente e único"
A polêmica banda que inspirou o Guns N' Roses a escrever "Welcome To The Jungle"
A piada do porteiro que fez Humberto Gessinger refletir sobre traço negativo dos gaúchos
O hit da Legião que Renato fez para sua 1ª paixão e título tem erro conceitual



A Magia Ancestral do Green Lung: O Impacto Monumental de "Woodland Rites"
Resenha - Skylab VI - Cadê Meu… Álbum?
Left To Die, o supergrupo tributo ao seminal Death, lança seu primeiro disco



