Megadeth: teria Mustaine lançado o seu "Load/Reload"?

Resenha - Super Collider - Megadeth

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Por Thiago El Cid Cardim
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O acelerador de partículas na capa de “Super Collider”, o novo disco do Megadeth, tem um significado especial. Afinal, foi usando um complexo instrumento como este que os cientistas chegaram ao chamado Bosón de Higgs, ou “Partícula de Deus”, ponto de partida para explicar o surgimento do universo. De certa forma, “Super Collider” representa o nascimento de um novo universo para a trupe de Dave Mustaine: trata-se, por exemplo, do primeiro disco desde “Cryptic Writings” (1997) a não registrar uma mudança de formação com relação ao álbum anterior. É também o primeiro lançamento do selo Tradecraft, criado pela Universal especialmente para ser gerido por Mustaine, dando-lhe (pelo menos em teoria) maior liberdade criativa e de ação. E é também o seu álbum mais controverso e criticado desde “Risk”, o combatido disco lançado pela banda em 1999 e que até hoje deve trazer lembranças pouco agradáveis para o frontman do Megadeth. Histórico.
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As pauladas começaram assim que foi divulgada “Super Collider”, o single, imediatamente acusado de ser “comercial demais”. A música é de fato bastante radiofônica, grudenta, muito mais hard rock do que thrash metal. Isso não quer dizer, no entanto, que ela seja necessariamente ruim. Na verdade, é uma boa canção de rock. Mas, embora a primeira audição da porradeira “Kingmaker”, que abre o disco, já deixe claro que o disco não pode ser necessariamente refletido por esta única canção, veja, é preciso deixar ainda mais claro também que “Super Collider” está longe de ser uma máquina de fúria como foram o bom “United Abominations” (2007), o excelente “Endgame” (2009) e o eficiente “TH1RT3EN” (2011).

“Super Collider” não é nenhuma obra-prima e, obviamente, eu esperava mais depois de ver (e ouvir) o que Mustaine entregou com “Endgame”, definitivamente o seu melhor trabalho em muitos anos. Mas, confesso, acho um tanto exagerados os comentários tão inflamados sobre o resultado final. Chega a ser surreal ouvir certos fãs dizendo que este é um disco “pop”. Menos, gente, bem menos. Além de “Kingmaker”, passagens como "Built for War" e mesmo "The Blackest Crow" (apesar de ter um banjo country abrindo os trabalhos para ajudar a causar certa estranheza, imagino) têm o DNA de violência que se esperaria de um disco do Megadeth. Mas, vejamos. Mesmo não se tratando de um thrash metal típico e de ter uma letra quase pueril, “Burn!” tem uma levada gostosa, com groove, e continua, a seu modo, sendo uma música pesada. O mesmo dá para dizer da levada de hard rock cavalgado que permeia “Forget to Remember”. E merece ainda elogios a interpretação que o quarteto fantástico de Mustaine deu para “Cold Sweat”, do Thin Lizzy, com guitarras musculosas e que, apesar de respeitosa ao original, ainda dá a impressão de que a música foi escrita na medida certa para eles.

Engraçado perceber que justamente a banda mais produtiva do chamado “Big Four” do thrash metal norte-americano (ao lado de Metallica, Slayer e Anthrax), aquela que mais discos de inéditas andou lançando na última década, agora está experimentando o seu momento “Load/Reload”. Resta saber se o destino que o futuro reserva para este álbum é o mesmo que é relegado à dobradinha de discos do Metallica, considerados “manchas” na carreira do grupo. Não é o que eu, honestamente, acho. Gosto de “Load” e “Reload”, mas aprecio ambos como discos diferentes de um “Master of Puppets”, por exemplo. Para mim, a comparação não faz qualquer sentido, a banda buscava algo totalmente diferente em termos de sonoridade, de experiência musical. Mas sei que boa parcela dos fãs demoniza ambos e os queimaria em praça pública se tivesse a chance. Será que “Super Collider” também tem uma fogueira preparada para ele?

E que Dave Mustaine, sempre tão afeito a polêmicas, durma com um barulho destes.

Tracklist:
Kingmaker
Super Collider
Burn!
Built for War
Off the Edge
Dance in the Rain
Beginning of Sorrow
The Blackest Crow
Forget to Remember
Don't Turn Your Back...
Cold Sweat (Thin Lizzy cover)

Line-up:
Dave Mustaine – Vocal/guitarra
Chris Broderick – Guitarra
David Ellefson – Baixo
Shawn Drover – Bateria

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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

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