Megadeth: agressivo e acessível, um álbum que divide os fãs
Resenha - Super Collider - Megadeth
Por Ricardo Seelig
Postado em 11 de julho de 2019
Parafraseando o falecido Stan Lee, que criou a frase "com grandes poderes, vem grandes responsabilidades", imortalizada nas histórias do Homem-Aranha, ouso adaptá-la para a música com um pequeno ajuste: "com grandes bandas, vem grandes expectativas". Traduzindo: todo fã espera sempre o melhor de sua banda favorita. E, algumas vezes, esquecemos que as bandas são formadas por seres humanos, e, portanto, sujeitas à falhas e altos e baixos.
Após lançar uma série de sete discos que colocaram seu nome no topo do metal – da estreia "Killing is My Business ... and Business is Good!" (1985) até "Cryptic Writings" (1997) -, o Megadeth experimentou um período não tão inspirado assim com discos que não foram bem aceitos pelos fãs e não apresentaram a inspiração de outrora. Álbuns como o controverso "Risk" (1999), "The World Needs a Hero" (2001), "Th1rt3en" (2011) e "Super Collider" (2013) fazem parte desse pacote.
Décimo-quarto álbum do Megadeth, "Super Collider" foi lançado em 4 de junho de 2013, sucedendo "Th1rt3en". O trabalho foi o primeiro em que a formação da banda se repetiu desde "Cryptic Writings", dezesseis anos antes – mais um exemplo de como a década de 2000 foi instável para o quarteto de Dave Mustaine. Ao lado de Mustaine estão o parceiro de longa data David Ellefson (que havia retornado ao grupo no álbum anterior), o guitarrista Chris Broderick (que fez parte da banda entre 2008 e 2014) e o baterista Shawn Drover (uma década no grupo, entre 2004 e 2014). Vale mencionar também que "Super Collider", cuja produção foi assinada por Mustaine e Johnny K (Red Lamb, Soil, Pop Evil), foi o primeiro lançamento do selo Tradecraft, que a Universal entregou nas mãos de Mustaine e onde o músico, teoricamente, teria mais liberdade criativa.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
O que dividiu os fãs foi a variação entre músicas mais agressivas e outras nem tanto, onde a aproximação com o hard rock e elementos mais acessíveis incomodou quem sempre associou o Megadeth com o thrash metal e não admite que a banda coloque um pé para fora do estilo que ajudou a consolidar e popularizar. O álbum contém pedradas fortes como "Kingmaker", "Built for War" e "Don’t Turn Your Back" (talvez a melhor música do CD) ao lado de momentos em que a banda explora outros caminhos como o hard presente na música título e em "Forget to Remember", sonoridades mais contemporâneas em "Burn!" e "Off the Edge" (que não estão distantes do que foi apresentado em "Cryptic Writings", por exemplo) e até experimenta na sombria e densa "Dance in the Rain", com participação de David Draiman, vocalista do Disturbed. Fechando o trabalho, o grupo gravou uma versão para "Cold Sweat", do sempre ótimo Thin Lizzy, que obviamente ganhou uma releitura mais pesada pelas mãos de Mustaine e sua gangue.
Chris Broderick e Shawn Drover seriam dispensados alegando as famosas "diferenças musicais", e anunciaram de maneira conjunta que estavam deixando o grupo no dia 25 de novembro de 2014. A banda então foi reformulada com Kiko Loureiro e Dirk Verbeuren, vindos do Angra e do Soilwork respectivamente, e lançou o excelente "Dystopia" em 2016, cuja bateria foi gravada por Chris Adler, do Lamb of God.
Analisado com o distanciamento do tempo e sem a urgência da época de seu lançamento, "Super Collider" revela-se um álbum que, mesmo inferior ao período inicial do quarteto e também a discos como "United Abominations" (2007) e, principalmente, "Endgame" (2009), possui qualidades inequívocas. A variação entre composições mais agressivas e acessíveis, somada à execução primorosa, faz do disco um trabalho com jóias sonoras que até hoje não foram descobertas pelos fãs.
Grandes bandas geram grandes expectativas. E mesmo quando não conseguem alcançá-las, o caminho até essa conclusão sempre reserva boas surpresas para o ouvido.
Outras resenhas de Super Collider - Megadeth
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Rafael Bittencourt, fundador do Angra, recebe título de Imortal da Academia de Letras do Brasil
Iron Maiden fará show em Curitiba na turnê de 50 anos "Run For Your Lives"
Morre Clarence Carter, intérprete de música que virou hit em tradução do Titãs
O álbum do Iron Maiden eleito melhor disco britânico dos últimos 60 anos
O significado de título do novo disco do Anthrax, segundo Charlie Benante
O disco do Metallica que transformou Lars Ulrich em inimigo eterno
A música sobre John Lennon que Paul McCartney ainda acha difícil cantar ao vivo
A banda com que ninguém suportava dividir estrada nos anos 70 - nem os próprios colegas de turnê
Membros do Angra e Korn jogam tênis na casa de Ronaldo Fenômeno: "Quão doido é isso?"
Guitarrista do Drowning Pool culpa logística e burocracia por cancelamento de tour sul-americana
O disco do Pink Floyd que foi a gota d'água para Roger Waters; "é simplesmente um lixo"
A banda de rock favorita do Regis Tadeu; "não tem nenhuma música ruim"
10 bandas de rock que já deveriam ter se aposentado, segundo o Guitars & Hearts
L.A. Guns anuncia álbum e vídeo ao vivo "Live From The Guild Theatre"
Dirk Verbeuren diz que Dave Mustaine é o criador do thrash metal
Como Digão encontrou Deus e se reconciliou com Rodolfo, segundo o próprio
Dez hits do heavy metal que podem ser ouvidos por quem não gosta do estilo
Filmes sobre rock: A história do gênero no cinema

Dirk Verbeuren aprendeu 9 músicas em um dia para quebrar o galho do At the Gates
Angra era hippie e Megadeth era focado em riffs, explica Kiko Loureiro
Dave Mustaine descarta ex-membros em turnê e cita "coisas horríveis" ditas por eles
A música do Metallica que o Megadeth tocou em show antes de "Ride the Lightning"
Guitarrista do Megadeth apoia tendência de shows sem celulares
Dave Mustaine gastou 500 dólares por dia com drogas durante cinco anos
Por que Jimmy London do Matanza não gosta de Megadeth, segundo o próprio
Metallica: em 1998, livrando a cara com um disco de covers
Death: Responsáveis por elevar a música pesada a novo nível
