Megadeth: Nem de longe tão ruim quanto dizem

Resenha - Super Collider - Megadeth

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Por Yuri Machado
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Nota: 7

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


De tanto ler resenhas e críticas arrasadoras sobre o Super Collider, resolvi eu mesmo fazer a minha resenha para mostrar uma opinião diferente. Longe de "péssimo", o décimo quarto álbum do Megadeth também não é um clássico.
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Falando primeiramente da formação, a voz de Mustaine continua a mesma, e faz sua parte com competência. Quanto as guitarras não há o que falar, excelentes como sempre.

Chris Broderick, embora na minha opinião o melhor guitarrista (tecnicamente falando) que já passou pela banda, soa meio enjoativo em algumas passagens, com seu estilo meio robótico de solos.

Dave Eleffson se mostra competentíssimo em suas linhas de baixo, e nos faz lembrar porque ele faz parte dos álbuns clássicos do Megadeth.Definitivamente ele é o tipo de baixista que todos querem pra sua banda.

Mas o destaque do álbum, na minha opinião, vai para Shawn Drover. Ele parece a cada lançamento mais solto e criativo, e o que ele faz em algumas músicas é realmente bacana, como em "Built For War", por exemplo.

Falando agora do álbum num todo, sinto como se fosse um álbum com algumas músicas muito boas, músicas "ok" e músicas dispensáveis, e creio ser por isso que tantas resenhas negativas foram feitas. Mantendo a imparcialidade, logicamente não chega perto de um Peace Sells, mas não é um Risk.

Kingmaker: Um dos pontos altos do disco, aquela que nos trouxe de volta a esperança após o lançamento de Super Collider (a música), que não foi tão bem recebida assim. Rápida e direta, bem no estilo dos últimos álbuns. Tem um solo bem legal e não é enjoativa.

Super Collider: Passado o susto inicial e depois de ouvi-la algumas vezes, ela vai ficando melhor. O verso dela é bem cadenciado e interessante. O que estraga é o refrão,daqueles que a gente cantarola junto, mas isso não significa que é bom. Se essa era a intenção da banda, eles conseguiram. É uma música meio termo, não figura nem entre as melhores nem entre as piores do disco.

Burn: Começa com um solo bem legal que desencadeia em um riff que parece saído direto do "The World Needs a Hero". Tem na minha opinião um dos melhores refrões dos últimos lançamentos do Megadeth "Fire, I've got the fire/Fire, burning desire". A pena é que ele é bem curto, e esse é um sentimento que permeia todo o álbum: parece que poderia ser melhor arranjado, mais cuidadoso ou que tal parte tivesse durado mais. Mesmo assim, essa música vai pro lado das melhores músicas do álbum.

Built For War: Outra das melhores, já começa a toda velocidade com Mustaine gritando "built for war, what do you think your fists are for?". Uma das músicas mais "raivosas" do álbum, o trabalho de bateria vale ser levado em consideração, e a música mantém um ritmo acelerado até a metade da música, em que fica mais cadenciada (numa parte desnecessária, em minha opinião). Mas antes do final volta para o verso e a porradaria recomeça. Essa é uma que eu gostaria de ver ao vivo.

Off The Edge: Essa ganha o troféu de música sem graça. Completamente chata, sem nenhum atrativo, o refrão até é legalzinho mas é só. Uma daquelas músicas que a gente simplesmente pula quando ouve o álbum.

Dance in the Rain: O alto nível do álbum volta com essa música. Sinceramente, uma das músicas mais incrivelmente brilhantes feitas pelo Megadeth nesse século. A introdução é muito boa, (mas como dito anteriormente, é uma daquelas partes que poderia durar muito mais). A banda toda nesse ponto está no pico da criatividade, e o resultado é ótimo. Após o solo (o melhor do disco, diga-se de passagem), quando a música não precisava de mais nada pra fechar com chave de ouro, vem o inesperado: num trecho totalmente oitentista com um riff muito interessante, é a vez de David Draiman (Disturbed e Device) cantar, e sinceramente era algo que eu via com descrença desde que Mustaine tinha anunciado sua participação. Porém, essa é a melhor música do disco.
Beginning of Sorrow: Infelizmente o nível do álbum volta a descer. Outra música completamente chata, não parece Megadeth, e não faria falta nenhuma se não existisse. Não vejo nada passível de destaque, então vamos para a próxima.
The Blackest Crow: Uma das minhas preferidas do play. É uma música bem diferente do que se espera do Megadeth, e justamente por isso, é uma música bem "simpática". Aqui Mustaine deixa claro que não tem mais nada a provar e se alguém espera um novo "Rust in Peace", pode esquecer. A música tem um refrão bem legal, e apesar de não ser a melhor música do álbum, ganha bastante pontos por sua criatividade.
Forget to Remember: Uma semi balada, outra música que apesar de não me agradar muito, não acrescenta nada novo, tem um refrão bem grudento e que pelo que tenho visto nos comentários do Youtube e etc, agradou bastante os fãs.
Don't Turn Your Back: Quando não se esperava mais nada do álbum, temos aqui outro ponto alto, uma das melhores. Tem uma introdução bem sentimental e bacana, que na primeira ouvida nos engana sobre o que é a música: outra paulada na cabeça, uma das mais thrash do álbum. Acabada a intro, começa um riff que nos faz lembrar que o que estamos ouvindo é obra de Dave Mustaine, e não de um mero músico. A bateria entra com o pedal duplo a toda velocidade, e assim se mantem até o refrão: aqui temos um refrão bem grudento e legal, daqueles de cantar junto, que já se encerra com um belo solo de cada guitarrista. O pedal duplo não perde a velocidade em nenhum momento a não ser no refrão e nos segundos finais. Uma música que vai satisfazer quem estava querendo algo na linha mais thrash de "Never Dead", "This Day We Fight" e afins. Ótima música.

Cold Sweat: Um cover bem bacana de Thin Lizzy, um riff rápido e é uma música bem enérgica, vai pra parte "boa" do disco. Cheia de solos, mantém o ritmo rápido a todo instante.
Resumindo, o álbum tem algumas poucas músicas que podem acalmar o ânimo daqueles sedentos pelo thrash metal feito pela banda na década de 80 e início de 90, mas pelo visto a tendência é essas músicas se tornarem cada vez mais escassas. É sim um bom álbum, sinceramente, nada mais nada menos do que o esperado.

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