Eric Clapton: ainda encontra fôlego para nos dar um discaço

Resenha - Old Sock - Eric Clapton

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Por João Paulo Linhares Gonçalves
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Vou falar sobre o mais recente lançamento do deus da guitarra Eric Clapton, o álbum "Old Sock", lançado em março de 2013. Depois de 20 álbuns de estúdio lançados, uma carreira de 50 anos (!!) e com 68 anos de idade, Clapton ainda encontra fôlego para nos presentear com um discaço!!
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Já pela capa do álbum, você tem uma ideia do que vai encontrar: um clima totalmente descontraído - Clapton usou uma foto tirada em férias, no seu iPhone. Descontração para chamar seus amigos e tocar no disco com ele - temos participações de Taj Mahal, J.J. Cale, Chaka Khan, Paul McCartney (nada de funk carioca aqui, que fique bem claro...) e Steve Winwood. Ufa!! Que lista!! Só feras mesmo, que contribuem para aumentar a qualidade do álbum ainda mais. Pra completar a farra, Clapton manteve um time de músicos feras no projeto: Doyle Bramhal II na guitarra (tocou com Roger Waters na turnê onde foi gravado o DVD "In The Flesh"; toca com Clapton desde 2004); Willie Weeks no baixo; Steve Gadd na bateria; e Chris Stainton nos teclados, fora uma penca de músicos listados - veja na Wikipedia a lista completa.

O álbum começa com "Further On Down The Road", participação de Taj Mahal tocando gaita e banjo, numa cover do próprio Mahal - e esta é outra ideia central do disco, juntar covers de canções favoritas de Clapton. Clima reggae delicioso abrindo o álbum de forma brilhante. A seguir, "Angel", e se repete o fato da primeira canção: o compositor original da canção, J.J. Cale, faz participação especial, cantando e tocando guitarra junto com Clapton (Eric Clapton já gravou outras covers de J.J. Cale, como "Cocaine", e até já gravou um álbum inteiro com ele, o excelente "The Road To Escondido") - esta segunda faixa é linda, frases suaves de guitarra que se destacam e trazem um clima todo especial - é um dos grandes destaques deste disco. "The Folks Who Live On The Hill" é uma canção bem antiga (do final da década de 1930), repaginada em um clima sofisticado e intimista ao mesmo tempo, com arranjos muito caprichados. "Gotta Get Over" foi o primeiro single do álbum, e tem uma pegada mais roqueira e moderna, uma composição feita para este trabalho, do guitarrista Doyle Bramhal II, parceiro de Clapton nos seus trabalhos mais recentes. Participação de Chaka Khan nos vocais e solo caprichado do homem!

"Till Your Well Runs Dry" é uma cover de Peter Tosh, um dos grandes nomes do reggae jamaicano (Clapton já visitou outro grande nome, Bob Marley, em trabalhos mais antigos). Um arranjo variando entre o reggae e um blues suave, outra de grande destaque no álbum - em especial no solo, contido porém belíssimo. "All Of Me" traz o Beatle Paul McCartney no baixo e vocais, e é outra canção muito antiga (também dos anos 30) repaginada naquele clima sofisticado e intimista que já tinha falado - Clapton e McCartney cantando juntos ficou muito bom. Em "Born To Lose" Clapton se envereda pelo country norte-americano, com pitadinhas de blues dando um tempero especial; entretanto, de todas as canções, foi a que menos me chamou a atenção. Já a próxima, "Still Got The Blues", é a cover mais conhecida, o grande sucesso da carreira de Gary Moore. Só que Eric Clapton resolveu reconstrui-la totalmente, com uma base de piano e um canto suave, numa levada jazz sensacional que acaba desaguando em um solo belíssimo no fim - para mim, o grande destaque do álbum. Tenho certeza que Gary ficaria muito orgulhoso desta versão!!

Outra favorita minha é a canção "Goodnight Irene" (talvez por ter o nome da minha mãe), uma tradicional canção do folk que já foi gravada por uma penca de gente, e ganha outra versão muito boa nas mãos de Clapton, que caprichou nos arranjos, simples porém muito eficientes. "Your One And Only Man" traz o deus da guitarra explorando um pouco o soul, numa cover de Otis Redding, com fortes pitadas de reggae, estilo que Clapton usou bastante neste álbum. "Every Little Thing" é outra composição feita especialmente para este trabalho e também bebe na fonte reggae que tanto alimentou este álbum - no final, um pequeno coro de crianças mostra mais descontração. "Our Love Is Here To Stay" é uma linda canção no clima sofisticado e intimista, outra da década de 30, encerrando de forma belíssima este excelente álbum. Bem, para quem adquirir a versão digital no iTunes, temos também a canção "No Sympathy", outra cover de Peter Tosh, que também ficou muito boa.

Depois de lançar um disco tão bom quanto "Clapton", de 2010, você não espera uma sequência tão boa. Só que estamos falando de Eric Clapton, deus da guitarra, que se supera a cada álbum. E foi isso que Clapton fez, relaxou, chamou os amigos e soltou outra pérola de sua discografia. Aproveitemos enquanto podemos. Temos a sorte de viver na mesma época deste gênio musical!!

Relação de músicas do álbum:
1 - "Further On Down The Road" (participação de Taj Mahal)
2 - "Angel" (participação de J.J. Cale)
3 - "The Folks Who Live On The Hill"
4 - "Gotta Get Over" (participação de Chaka Khan)
5 - "Till Your Well Runs Dry"
6 - "All Of Me" (participação de Paul McCartney)
7 - "Born To Lose"
8 - "Still Got The Blues" (participação de Steve Winwood)
9 - "Goodnight Irene"
10 - "Your One And Only Man"
11 - "Every Little Thing"
12 - "Our Love Is Here To Stay"
13 - "No Sympathy" (faixa bônus digital para o iTunes)

Alguns vídeos:
"Gotta Get Over", lyric video:

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"Still Got The Blues" (somente o áudio):

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"Goodnight Irene" (somente o áudio):

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Sobre João Paulo Linhares Gonçalves

Roqueiro convicto, de carteirinha, desde os treze anos de idade. Já tive diversas bandas preferidas: de Iron Maiden, Metallica e Black Sabbath a The Who, Pink Floyd e Rolling Stones. O heavy metal sempre me atraiu muito, mas o rock praticado nos anos 60 e 70 é fascinante e estou sempre escutando. De vez em quando, dou chance ao punk, rock alternativo, blues, até ao jazz e MPB, pra variar.

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