Como Eric Clapton inspirou Steve Morse a se reinventar após perdas pessoais e limites físicos
Por Gustavo Maiato
Postado em 10 de dezembro de 2025
Em um momento da vida em que muitos guitarristas veteranos desaceleram, Steve Morse - um dos maiores virtuosos que o rock já viu - está fazendo exatamente o oposto. Aos 71 anos, após enfrentar perdas profundas e desafios físicos que afetaram diretamente sua forma de tocar, o ex-guitarrista do Deep Purple revela que está entrando em um novo capítulo artístico. E, surpreendentemente, esse renascimento tem como referência ninguém menos que Eric Clapton.

A reflexão veio durante sua participação no programa Boomerocity, em entrevista transcrita pelo Ultimate Guitar. Ali, Morse falou abertamente sobre o impacto da artrite, a necessidade de adaptar sua técnica e a busca por um novo caminho musical - algo que ele compara à transformação de Clapton na era Slowhand.
"Eu cheguei à conclusão de que não posso mais tocar como quando tinha 40 anos", admitiu. "Vou ter que criar uma técnica diferente que não exija tantos movimentos repetitivos para continuar performando. Eu ainda quero tocar, ainda quero compor, e estou olhando para talvez me redefinir, como o Eric Clapton fez com Slowhand."
Eric Clapton e Steve Morse
O álbum de 1977 marcou uma virada na carreira de Clapton, que trocou a agressividade e o virtuosismo jovens por uma abordagem mais madura, melódica e contida - justamente o tipo de evolução que Morse acredita precisar neste momento. Ele contou que viu essa transição de perto.
"Eu o vi tocar com Albert Lee… Albert fazia os solos mais chamativos, e o Eric fazia aquele estilo melódico, bluesy, maduro. Talvez eu vá por esse caminho. Quero testar técnicas diferentes, mudanças na mão direita e esquerda, e ver se encontro algo mais sustentável."
Mas essa reinvenção não acontece no vácuo. Morse atravessou anos difíceis - em especial o afastamento do Deep Purple, banda que integrou por 28 anos, para cuidar da esposa Janine, que faleceu em 2022. Ele também reconhece que seu corpo exige novos limites.
"É um grande desafio quando você perde sua esposa, perde sua banda de 28 anos e precisa começar de novo com uma técnica nova", desabafou. "Mudei minha forma de segurar a palheta há uns 10 anos, usando três posições diferentes para ajustar a dor… e agora cheguei a um ponto em que isso também se desgastou. Então, é só mais um desafio que vou enfrentar."
Apesar de tudo, Morse não demonstra qualquer intenção de parar. Pelo contrário: está comprometido em continuar criando, se adaptando e explorando novas possibilidades. Seu novo álbum com a Steve Morse Band, "Triangulation", já está disponível.
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