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Nem Jimi Hendrix, nem Eric Clapton existiriam sem esse guitarrista, afirma John Mayer

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Postado em 28 de novembro de 2025

Quando se fala em guitarra dentro do rock, é quase automático pensar em dois nomes: Jimi Hendrix e Eric Clapton. São eles que aparecem em lista de "melhores de todos os tempos", são eles que viram poster, camiseta, debate infinito de rede social e referência para praticamente qualquer fã que decide aprender a tocar. Dá a impressão de que a história termina neles - como se tivessem surgido do nada, em um ponto alto impossível de alcançar.

John Mayer, que cresceu devorando justamente esse tipo de som e construiu carreira misturando pop e blues, enxerga a árvore genealógica de outro jeito. Em vez de tratar Hendrix e Clapton como ponto de partida, ele prefere olhar quem veio antes e perguntar de onde saiu o jeito deles de tocar. Foi essa linha de raciocínio que ele levou para um artigo que escreveu em 2010 para o jornal britânico The Guardian, dedicado a um guitarrista que ele considera seu grande herói.

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Foto: supertramp @ www.depositphotos.com
Foto: supertramp @ www.depositphotos.com

No texto, Mayer faz uma conexão direta entre os dois ícones dos anos 1960 e esse outro nome, menos conhecido do grande público, mas fundamental para quem acompanha a história do blues elétrico. "Se você seguir o rastro do Clapton ou do Hendrix", escreveu no texto, que foi republicado pela Far Out "você chega ao Buddy Guy. Ele realmente inventou esse descontrole na guitarra que o Hendrix viu e adaptou". Na leitura de Mayer, o jeito de tocar que o mundo aprendeu a associar ao rock psicodélico já estava desenhado antes, nas mãos de um músico vindo do circuito de blues.

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Buddy Guy não é exatamente um desconhecido: tem Grammys, prêmio de reconhecimento de carreira e até homenagem no Kennedy Center. Ainda assim, o espaço dele na memória coletiva é bem menor do que o dos guitarristas que ajudou a inspirar. Nascido na Louisiana, ele se firmou em Chicago, gravando para a Chess Records, o mesmo selo de nomes clássicos do blues. Foi ali que desenvolveu um estilo que misturava agressividade, improviso longo e um jeito mais solto de encarar o instrumento ao vivo.

Mayer chama atenção justamente para esse momento. "Ele apareceu tocando naquelas sessões da Chess Records, em que a música de blues de dois minutos e meio era o padrão", escreveu. "Ele rompeu isso e transformou a guitarra elétrica solo em algo maior que um pequeno intervalo dentro da música." Em seguida, completa: "O Buddy abriu caminho para o Hendrix tocar aqueles solos de nove minutos". Na prática, o que muita gente atribui apenas à "liberdade" dos anos 60 já vinha sendo testado por Guy em outro contexto.

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A influência não ficou restrita a Hendrix e Clapton. Jeff Beck, por exemplo, sempre citou Buddy Guy como referência, e o próprio Mayer se coloca nessa mesma linhagem, como alguém que tenta absorver a maneira de atacar as notas, de brincar com dinâmica e de usar o palco como extensão da guitarra. A diferença é que, enquanto alguns nomes viraram símbolo de toda uma era, Guy costuma aparecer mais como referência de bastidor, citado em entrevistas e documentários, mas longe da mesma exposição.

Ao resgatar essa história, Mayer não está diminuindo o peso de Hendrix ou Clapton, e sim puxando o fio um pouco mais para trás. A mensagem é clara: antes dos solos eternos, dos improvisos em arenas e dos riffs decorados por gerações, havia um guitarrista negro de origem humilde, tocando em estúdios e clubes de blues, experimentando justamente a liberdade que depois seria celebrada no rock. E, na visão de John Mayer, se a gente apaga esse nome da equação, a própria trajetória de Hendrix e Clapton fica incompleta.

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Sobre Bruce William

Quando Socram chegou no Whiplash.net era tudo mato, JPA lhe entregou uma foice e disse "go ahead!". Usou vários nomes, chegou a hora do "verdadeiro". Nunca teve pretensão de se dizer jornalista, no máximo historiador do rock, já que é formado na área. Continua apaixonado por uma Fuchsbau, que fica mais linda a cada dia que passa ♥. Na foto com a Melody, que já virou estrelinha...
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