O músico a quem Eric Clapton devia desculpas e foi ao show para fazer as pazes
Por Bruce William
Postado em 10 de dezembro de 2025
Com o tempo, alguns músicos olham para trás e percebem que nem tudo se resolve com discos clássicos e aplausos tardios. Eric Clapton, ao reavaliar os anos em que sua carreira decolou, admitiu que existia um lado dele que hoje não teria orgulho de rever. Não era uma questão ligada à música em si, mas ao comportamento de um jovem guitarrista que ainda não tinha noção do peso das próprias atitudes.
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Ele descreveu a fase como uma sequência acelerada de bandas e decisões tomadas no impulso. "Eu passei por todas essas coisas muito rapidamente", disse o guitarrista, conforme publicado na Far Out, lembrando que foi um período de entradas, saídas e colapsos em projetos importantes. E completou com franqueza: "Quero dizer, o Cream foi um ano e meio ou algo assim, e mesmo com John Mayall, eu só estava lá pela metade."
O ponto mais duro da autocrítica veio quando ele falou de confiabilidade. Clapton reconheceu que era "tão pouco confiável, tão irresponsável" que às vezes simplesmente não aparecia em shows. Segundo ele, foi nesse cenário que Peter Green acabou sendo chamado para tocar em algumas ocasiões, porque ele não estava lá para cumprir o compromisso.
Essa lembrança, para Clapton, não ficou apenas como confissão tardia em entrevista. A ideia de que havia ferido pessoas que estiveram ao seu lado naquela etapa parece ter pesado o suficiente para virar gesto concreto. "Eu fui ver o John no ano passado para realmente fazer as pazes. Eu tinha olhado para trás e percebido como eu tinha me comportado mal", afirmou, explicando por que decidiu procurar John Mayall para pedir desculpas.
O detalhe que torna esse relato ainda mais significativo é o timing: Clapton disse ter feito essa visita antes da morte de Mayall. Ou seja, não foi uma homenagem póstuma, mas uma tentativa de resolver algo em vida, mesmo décadas depois de os episódios terem acontecido. Ao mesmo tempo, esse tipo de revisão pessoal inevitavelmente esbarra em outras polêmicas da trajetória do guitarrista.
Então, quando ele fala em vergonha e arrependimento por atitudes antigas, a leitura fica dupla: de um lado, o músico reconhecendo falhas profissionais e humanas no começo da carreira; de outro, uma biografia marcada por controvérsias que continuam sendo debatidas até hoje. Ainda assim, o pedido de desculpas a Mayall aparece como um raro momento em que o passado não ficou só como registro histórico, virou também uma tentativa, mesmo tardia, de reparo pessoal.
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