Ghost: o segundo disco veio para confundir ainda mais
Resenha - Infestissumam - Ghost
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 18 de abril de 2013
É inegável que, nos dias de hoje, dificilmente uma banda seja tão comentada no universo do heavy metal quanto os suecos mascarados do Ghost. Embora seu debut, "Opus Eponymous", tenha sido figurinha carimbada nas listas de melhores do ano quando de seu lançamento e eles estejam ganhando cada vez mais espaço nos grandes festivais ao redor do planeta (incluindo o nosso vindouro Rock in Rio, em pleno palco principal), a banda está longe de ser uma unanimidade. A trupe do Papa Emeritus II - que, reza a lenda, seria Tobias Forge, ex-vocalista da banda de death metal Repugnant - tem levado muita porrada, acusada de falta de criatividade, de apenas reciclar o que uma série de outras bandas já fizeram no passado. Outros fazem questão de detoná-los justamente por conta da questão do marketing, da valorização em torno do anonimato, do de suas identidades secretas, da teatralidade do culto a Lúcifer.
Para uma banda que está começando as atividades, o melhor momento para afastar este tipo de questionamento seria justamente o segundo disco, considerado a prova de fogo para quem quer provar que é muito mais do que uma simples promessa no mercado musical. O caso é que "Infestissumam", a segunda bolacha do Ghost, parece que não veio para esclarecer. Parece que veio até para confundir ainda mais, como diria o Chacrinha.
Depois de "Infestissumam", quem odiava o Ghost possivelmente vai detestá-los ainda mais – mas não duvido, honestamente, que alguns daqueles cativados pelo disco anterior possam estranhar um pouco a audição. Estamos falando de um álbum mais diversificado do que o primeiro, sem qualquer medo de ousar. Tudo bem, é nítido que a base ainda são as letras de cunho satânico, um combo de gosto setentista que ainda lembra uma bem-sucedida mistura de Black Sabbath e Mercyful Fate. Pelo menos três faixas ("Idolatrine", "Depth Of Satan's Eyes" e a ótima "Year Zero") poderiam tranquilamente estar no disco anterior, porque seguem a mesma sonoridade. Mas o restante de "Infestissumam" dá um passo adiante e arrisca ir um pouco mais além. Em alguns casos, até BEM mais além.
Embora naturalmente sombria, "Ghuleh / Zombie Queen" tem em sua essência (e também no teclado retrô e alguns de seus riffs de guitarra) um colorido de banda indie britânica que, se não fosse pelas referências ao Senhor das Trevas e pelas vocalizações tétricas sussurradas ao fundo, poderia facilmente tocar em qualquer rádio pop por aí. E que isso não seja qualquer demérito, é bom que fique claro, porque estamos falando claramente de um dos melhores momentos do disco. O mesmo vale para as iluminadas guitarras dobradas de "Jigolo Har Megiddo" que, quase lisérgicas, parecem cantar sozinhas, sem a necessidade do vocalista. Ouvindo "Secular Haze", o primeiro single, dá para dizer claramente que Emeritus salpicou influências de música pop que, misturadas ao conceito obscuro do grupo, funcionam muito bem. Já ouviu o Depeche Mode alguma vez na vida? Então você vai entender EXATAMENTE o que estou querendo dizer. Porque o pop, meus caros, pode também emergir das sombras quando quer.
"Infestissumam" não é melhor do que o excelente "Opus Eponymous". Mas está bem longe de ser pior. Na verdade, estamos falando de um dos grandes lançamentos do ano, a prova de que o Ghost ultrapassou, com méritos e com gosto, o terrível desafio do segundo disco – e o que é melhor: sem medo de colher uma parcela de detratores no meio do caminho. Banda nova com gosto de velharia, como dizem alguns? Pode ser. Mas quem sabe eles não estão, de fato, entregando o que o público realmente queria/precisava ouvir? Pense nisso.
Line-up:
Papa Emeritus II – Vocal
Nameless Ghoul – Guitarra
Nameless Ghoul – Guitarra
Nameless Ghoul – Baixo
Nameless Ghoul – Bateria
Nameless Ghoul – Teclado
Tracklist:
Infestissumam
Per Aspera ad Inferi
Secular Haze
Jigolo Har Megiddo
Ghuleh / Zombie Queen
Year Zero
Body and Blood
Idolatrine
Depth of Satan's Eyes
Monstrance Clock
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