Ghost B.C: um passo atrás na curta discografia da banda

Resenha - Infestissumam - Ghost B.C

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Por Daniel Junior
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Nota: 5

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Quando figuras do rock como James Hetfield (Metallica) e Phil Anselmo (Down) começaram a usar camisas que trazia "Ghost" nas suas estampas muita gente ficou curiosa com a banda sueca liderada pelo Papa Emeritus II, uma espécie de King Diamond mais moderno e enigmático.
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Fato: poucas vezes se ouviu músicas tão interessantes (melodicamente falando) no estilo. No entanto a publicidade e o bafafá nos meios de comunicação contemplam um certo exagero. Ghost B.C (a banda foi obrigada a mudar o nome para se apresentar nos EUA) não é de longe tudo que se diz a respeito dele e o seu novo disco, Infestissumam, é um passo atrás na curta discografia da banda.

Regressão porque fórmulas cansam e a as utilizadas pelo grupo sueco já são conhecidas do grande público, especialmente aquele que gosta de heavy metal e acompanha suas características durante todos estes anos. O teor das letras – muito populares nos anos 70/80 – onde o mote é construir um discurso anti-cristianismo, causam menos impacto do que antigamente. Talvez reforcem o visual "eclesiástico e papal" mas não são diferenciais perceptíveis pelo menos para ouvidos mais experientes.

O som do Ghost em estúdio é bastante pasteurizado e carente de um peso que rime com os riffs criados. Não há justificativa para arranjos muito simples se não a inabilidade para escrever canções melhores. O baterista, por exemplo, é fraco para exigências mais técnicas e o mesmo serve para o baixista da banda. Feijão com arroz, eu diria, com pouco sal.

Há quem diga que esses fatores não são tão importantes quanto o efeito causado em quem ouve. Concordo. O problema é quando a banda não mostra nenhuma "evolução" (com todas as aspas) do seu som, de um disco para o outro, aceitando desta maneira que a fórmula teatral é suficiente para sustentar uma carreira. Trabalhando na divulgação do single "Secular Haze", a banda simulou uma substituição de vocalista: sai Papa Emeritus I e entra Papa Emeritus II. Se especula muito sobre a real identidade do vocal do Ghost mas é o tipo de adivinhação que mata todo mundo de curiosidade hoje em dia…

O que deve destacar uma banda é a música. Mesmo que saibamos que vários fatores contribuam para que a mesma se torne popular, mas se o Ghost acha que ficar brincando de esconde-esconde por trás de maquiagens é o suficiente, poderá ser esquecida como uma banda qualquer que não usa pó de arroz.

Disco peca pela irregularidade

A faixa "Body and Blood" tem refrão tão aquém do que se espera de uma banda com a proposta do Ghost que é melhor esquecer os famosos rótulos e encarar o grupo sueco como um conjunto comum. Longe de ser a salvação que lhe outorgam. Não há nenhum vestígio de genialidade na canção "Idolatrine" e nem nada que a distinga de outras bandas com outros tipos de estética sonora. Se passarmos a "perceber" a banda como mais um artista que se manifesta de maneira sincera e interessante, tudo bem. Cabe na panela. Só não dá para dizer que a música do grupo é uma das melhoras "coisas" surgidas nos últimos anos.

Tecnicamente o disco tem uma proposta até irritante, já que a mixagem lembra demos dos anos 80. Muito som médio, sem reforço nos graves e vocais até bacanas, verdade seja dita. Emeritus II tem uma voz agradabilíssima e canta com doçura versos como "Existance as a human has leadeth them not to me/ When all desires drown in pure sanctimony ". Eis aqui a maior qualidade do Ghost B.C: retirar o peso espiritual das coisas ditas para torná-las em canções assobiáveis.

Mesmo assim o disco é muito desigual. A introdução da belíssima "Infestissumam" cria um clima que não se revelará durante a audição do disco. A simplicidade da banda, por vezes soa como falta de técnica instrumental. Em vários momentos isso incomoda.

Quando o disco termina com "Monstrance Clock", a décima faixa, ficamos com a impressão de que o Ghost ainda busca um caminho musical que parece muito nebuloso. Talvez o ideal seria se concentrar em música e deixar as questões cênicas em segundo plano. Potencial existe: tanto "Monstrance Clock", "Infestissumam", "Secular Haze", "Per Aspera Ad Inferi" e "Year Zero" são faixas que denunciam parte do DNA do banda: canto gregoriano, ótimas melodias e boas ideias para o refrão… Ainda pouco para se consolidar como uma banda que veio para mudar alguns paradigmas.

Ainda soa como uma mistura de influências de fases do rock com um bando de músicos querendo ir a algum lugar que ainda não sabem.

1. Infestissumam
2. Per Aspera Ad Inferni
3. Secular Haze
4. Jigolo Har Megiddo
5. Ghuleh / Zombie Queen
6. Year Zero
7. Idolatrine
8. Body And Blood
9. Depth Of Satan's Eyes
10. Monstrance Clock

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Sobre Daniel Junior

Daniel Junior é blogueiro do Diário do Pierrot e do site The Crow (especializado em cinema). Colabora com o site Seriemaníacos (sobre séries de TV) e com o blog Minuto HM. Começou seu amor pelo rock por causa do Kiss e do Black Sabbath até conhecer outras bandas pelas quais nutriria paixão e admiração como Metallica, Rush, Dream Theater, Faith No More e tantas outras. Twitter: @diariodopierrot.

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