Ghost: difícil missão de continuar o sucesso de crítica

Resenha - Infestissumam - Ghost

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Por Gustavo J. S. Santos
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Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Depois de muita ansiedade por parte dos fãs do sexteto sueco, enfim tivemos acesso ao segundo disco do Ghost, Infestissumam. Um disco que tem a difícil missão de continuar o sucesso de crítica de Opus Eponymous, álbum de estreia da banda. Com duas faixas previamente lançadas e com direito a vídeos – Secular Haze e Year Zero – a banda nos fez pensar que o disco já seguia em uma determinada direção. No entanto, após a devida observação de todo o conjunto da obra, tivemos uma surpresa bem agradável. É definitivamente um disco que nos desperta a vontade de escrever sobre.
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Antes de versar sobre o disco propriamente dito, cabe antes pensar a que se deve o sucesso repentino do Ghost no meio heavy metal, e o despontamento da banda como uma das possíveis participantes do que se chama de mainstream do heavy metal (afinal, vir do underground, tocar no palco mundo do Rock in Rio – tido por muitos como o maior festival de música do mundo – com apenas cinco anos de formação, não é pra qualquer um).

A meu ver, tal sucesso se deve antes de qualquer coisa ao fato de se tratar de boa música. Simples assim. No entanto, a banda trabalha sobre uma fórmula interessante que une muita originalidade a velhos clichês do heavy metal (que são clichês por que todo mundo gosta afinal de contas), e distribui isso de uma maneira muito inteligente. Una isto ao anonimato que gera grande curiosidade, e a carência de boas e originais bandas, e você tem o sucesso que o sexteto vem obtendo.

Já especificamente em relação a Infestissumam, a primeira conclusão é inescapável desde a primeira faixa, a produção cresceu. E como! Mas se em Opus Eponymous (OE daqui em diante) observávamos uma banda com suas influencias bem definidas e observáveis, e com um som bem mais limpo no sentido de ser menos ostentativo, em Infestissumam o Ghost apresenta uma sonoridade bem mais densa em termos de produção e composição, e mais independente, mais comprometido com um estilo próprio – não que OP não seja original, mas aqui temos mais doses.

O ecletismo de Infestissumam é sem dúvidas uma característica marcante, tanto em relação a OE, quanto em relação às próprias faixas do disco. Mas uma coisa que absolutamente não muda em nada é o tema, bem como não deverá mudar por um bom tempo, visto ser este o conceito da banda como um todo, abrangendo inclusive o visual. Até brinquei com um amigo meu certa vez que o próximo disco do Ghost deverá se chamar "50 tons de Satanás" (risos).

Mas vamos às faixas! O disco se inicia com "Infestissumam", introdução do álbum, grandiosa, repleta de arranjos corais. Grande produção, daquelas introduções que já deixam uma boa impressão de cara, e, neste caso, deixa também desde a primeira palavra o tema do disco. Logo em seguida, apesar de bem clichê, mas muito bem vinda, vem a conexão da introdução do disco com a primeira faixa de facto. "Per Aspera ad Inferi" abre forte, com riffs um pouco mais pesados que o resultado geral obtido em OE e com mais espaço pra headbanging, embora siga mais ou menos a mesma tendência do primeiro disco em termos de orientação. Digna de abertura de shows.

Na sequencia temos a já conhecida e excelente "Secular Haze", que vai direto ao ponto e segue o mesmo clima que caracteriza o som da banda no primeiro disco. A faixa é melodiosa e bem marcante, daquelas que ficam tocando na cabeça da gente por um bom tempo.

Logo após temos "Jigolo Har Megiddo", e é aqui que o Ghost mostra que em grande parte busca inspirações na atmosfera muitas vezes apresentada pelo Blue Öyster Cult. Possui um andamento mais leve, e menos soturno que as antecessoras. Essa tendência se repete em outras faixas subsequentes do disco, e é uma das características que mais gosto no trabalho do Ghost. Leveza e sutileza em melodias, ao passo que se versa sobre temas absolutamente obscuros, o que faz das músicas ainda mais perversas. Falar da quintessência do mal com muita naturalidade.

Em "Guleh / Zombie Queen" temos uma demonstração do ecletismo do Ghost. Tratamos aqui visivelmente de duas faixas em uma só, mas que nada têm haver uma com a outra, e nada tem haver com as outras músicas do disco, e também nada tem haver com o primeiro disco! Essa é uma característica que o Ghost herda do Blue Öyster Cult, principalmente na segunda parte da faixa. Alice Cooper também colaborou com parte da atmosfera da introdução.

Em "Year Zero" temos, na minha opinião, a melhor música do Ghost até agora. Forte, bonita, grandiosa, e de quebra com uma vídeo pra lá de fantástico. Os corais e arranjos com muitas vozes dão um espetáculo a parte. O vocal de Papa Emeritus II se destaca e gera uma atmosfera muito interessante para compor a música. Uma característica que está presente nesta faixa e em todo o Ghost é a melodia muito agradável da maioria das músicas, o que gera aquela vontade de ouvir sempre.

Partindo para o final do disco, com "Idolatrine" e "Body and "Blood", seguimos com a mesma agradável atmosfera de "Jigolo Har Meggido", com bons refrões e bonitos riffs.

"Depth of Satan's Eyes" tem aquela entrada marcante e refrão bem grudento, o que condiz com o clima da maioria das principais faixas do disco. Interessante é ver que Infestissumam tem algumas músicas que possuem conceitos parecidos, e outras que diferem bem das outras, reforçando o que disse anteriormente sobre ecletismo da banda. Mas ainda assim, o disco é muito coeso, e caminha em uma mesma direção para um conjunto da obra muito acertado!

O disco se encerra com a bela "Mostrance Clock". Um final mais calmo, que também lembra Alice Cooper em seus dias mais psicodélicos no início da música. O riff que se segue é mais sombrio, e instantaneamente contrastado pelo bonito refrão, daqueles que te chamam a cantar de mãos dadas jubilando, só que em nome do filho de Satanás! (risos). Por fim, quando você pensa que o disco já deu o que tinha que dar, alguém vem e coloca a cereja em cima do bolo com o belíssimo arranjo de corais entoando o refrão da música no final do disco, e te deixa com aquela cara embasbacada como quem diz: "que disco sensacional!".

Infestissumam deixa um belo saldo positivo para os que esperavam um grande disco do Ghost. Um belo resultado no teste do segundo disco. Quem ouvia o maravilhoso OE não podia imaginar que a banda, usando a mesma fórmula do disco anterior (que aparentemente é a fórmula do Ghost) produziria um resultado diferente, porém agradável, e que definitivamente apresenta uma evolução em relação ao disco anterior. (Para os saudosistas, não disse que é melhor, é diferente. Evolução não implica necessariamente em melhora).

Para terminar, apenas uma questão de ordem temática. Alguém mais acha que Infestissumam apresenta uma continuação de Opus Eponymous? Durante todo o primeiro disco existem trechos que versam sobre a vinda do filho de Satan. Em "Prime Mover" temos "antichrist will walk the Earth". A última música de OE é a instrumental Genesis – talvez o início dos tempos depois do nascimento do filho do Encardido? – Daí a capa de Infestissumam apresenta o bebe, e em "Jigolo Har Meggido" temos o filho do Capiroto em primeira pessoa. É só especulação, mas procede!

Track List:
01- Infestissumam
02- Per Aspera ad Inferi
03- Secular Haze
04- Jigolo Har Meggido
05- Guleh / Zombie Queen
06- Year Zero
07- Idolatrine
08- Body and Blood
09- Depth of Satan's Eyes
10- Monstrance Clock

Line Up:
Papa Emeritus II – Vocal
Nameless Ghoul – Guitarra
Nameless Ghoul – Guitarra
Nameless Ghoul – Baixo
Nameless Ghoul – Bateria
Nameless Ghoul – Teclados

Texto originalmente publicado no meu blog "Inquietude"

http://inquietudegs.blogspot.com.br/

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