Ghost: casamento profano entre Heavy Metal, Pop e Hard Rock

Resenha - Infestissumam - Ghost

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Ricardo Seelig, Fonte: Collectors Room
Enviar correções  |  Comentários  | 

Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


O heavy metal sempre foi teatral. Causa mais impacto uma melodia tétrica, um arranjo sombrio, do que uma sonoridade extremamente agressiva e violenta. Essa lição foi ensinada lá na gênese do gênero, quando o Black Sabbath lançou o seu primeiro disco na sexta-feira, 13 de fevereiro de 1970. No entanto, apesar de óbvio, este ensinamento foi se perdendo com o tempo. Com guitarras cada vez mais pesadas, vocais cada vez mais guturais (e muitas vezes inaudíveis) e andamentos que beiram a velocidade da luz, o metal aproxima-se, muitas vezes, a uma caricatura de si mesmo.
3069 acessosIron Maiden: show do Ghost é melhor, diz reportagem5000 acessosExcessos: como os rockstars gastam os seus milhões

Esse olhar para o passado, essa retomada a algo óbvio e sempre eficaz, talvez seja o grande mérito da banda sueca Ghost - agora Ghost B.C., devido a problemas sobre o nome no mercado norte-americano. O disco de estreia do grupo, "Opus Eponymous", lançado no final de 2010, chamou a atenção por apresentar um sopro de renovação na música pesada ao, por mais contraditório que isso possa parecer em um primeiro momento, buscar nas raízes do estilo a sua inspiração. E o resultado foi além do esperado, com os mascarados liderados pelo vocalista Papa Emeritus sendo aclamados pela crítica, pelos fãs e pelos próprios artistas, com ícones como James Hetfield e Phil Anselmo desfilando com camisetas da banda e dando declarações exaltando a sua música.

O fato é que o Ghost é um fenômeno como há tempos não se via no heavy metal. O grupo está a beira do estrelato, a um passo de se tornar gigante, um fenômeno com imenso potencial para se tornar um ícone pop, com a sua imagem sendo estampada em milhares de produtos, de camisetas a capas para celulares (Gene Simmons que se cuide!).

Porém, independentemente disso, o que vem em primeiro lugar é a música, e ela segue sendo única. "Infestissumam", que em latim significa “hostil”, é o segundo álbum da banda e foi produzido por Nick Raskulinecz (Foo Fighters, Rush, Stone Sour, Trivium). Além disso, marca a estreia do grupo pela Loma Vista, braço da Universal, que pagou US$ 750 mil pelo passe da banda. Mais sombrio e teatral que "Opus Eponymous", Infestissumam traz o Ghost explorando uma gama maior de influências e encontrando a sua personalidade.

Em primeiro lugar, é preciso fugir das definições simplistas que permeiam o sexteto. Não há nada de Mercyful Fate aqui, por exemplo, assim como não havia no disco de estreia - a não ser que você considere que o grupo tem influência dos dinamarqueses pelo simples fato de o timbre de voz de Papa Emeritus ser agudo como o de King Diamond. Uma das bases da música do Ghotst, como ficou claro em "Opus Eponymous", é o Blue Öyster Cult, e em "Infestissumam" essa característica permanece, porém adornada com outros elementos muito bem encaixados, que vão do psicodelismo ao hard rock, passando pelo AOR e até mesmo pelo pop.

Em relação à estreia, o aspecto melódico foi explorado com mais profundidade, expandindo a característica teatral das composições. E o contraste entre melodias agradáveis e letras repletas de menções ao satanismo continua sendo o toque de mestre, com a banda construindo embalagens atraentes para um discurso repugnante para a maioria.

Outro ponto que merece destaque é a amplitude de influências que estão presentes em "Infestissumam". Um certo tempero glam pode ser sentido em “Jigolo Har Megiddo”, enquanto em “Idolatrine” a sonoridade se aproxima do AOR, tornando a letra declamada ainda mais eficaz.

Três canções formam a espinha dorsal de "Infestissumam" e se destacam das demais. A impressionante “Ghuleh / Zombie Queen” é a prova definitiva do imenso talento dos mascarados, indo de uma balada atmosférica para um andamento que remete à surf music, tudo embalado por coros muito bem construídos. Ela soa como se o Goldfrapp encontrasse o Cramps - e acredite, o resultado é espetacular.

Na sequência, “Year Zero” inscreve-se fácil entre as melhores músicas já gravadas pelo grupo, iniciando com um coro macabro que transporta o ouvinte para algum ritual perdido no tempo. Com um arranjo inteligente e andamento moderado, tem batidas que nos levam à disco music e um teclado muito bem tocado. E, por último, “Monstrance Clock”, faixa que encerra o disco de maneira magnífica com uma narrativa dramática e um coro antológico.

No meio do caminho, surpresas como a valsa “Secular Haze” e “Body and Blood”, que soa como um cântico milenar retrabalhado para o nosso tempo.

Fascinante e às vezes estranho, "Infestissumam" mostra o Ghost com uma clara visão do que quer produzir, tanto musical quanto artisticamente. A banda apurou a sua identidade, que já era única, e a tornou ainda mais singular.

Um casamento profano entre o heavy metal, o pop e o hard rock, "Infestissumam" prova que o Ghost está longe de ser obra do acaso.

Um dos discos do ano!

Faixas
1 Infestissumam
2 Per Aspera Ad Inferi
3 Secular Haze
4 Jogolo Har Megiddo
5 Ghuleh / Zombie Queen
6 Year Zero
7 Body and Blood
8 Idolatrine
9 Depth of Satan’s Eyes
10 Monstrance Clock

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Outras resenhas de Infestissumam - Ghost

5000 acessosGhost: ou você ama ou odeia o trabalho do grupo2682 acessosGhost: uma mistura ainda muito maior de influências4351 acessosGhost: difícil missão de continuar o sucesso de crítica3607 acessosGhost: novo álbum define o som da banda5000 acessosGhost: o segundo disco veio para confundir ainda mais5000 acessosGhost: Mais voltado ao Pop Rock, com sonoridades nada macabras5000 acessosGhost: O trabalho é "ame ou odeie", não há meio termo5000 acessosGhost B.C: um passo atrás na curta discografia da banda

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Mais comentários na Fanpage do site, no link abaixo:

Post de 24 de abril de 2013

Iron MaidenIron Maiden
Show do Ghost é melhor, diz reportagem

0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Ghost"

CarcassCarcass
Frontman defende Babymetal das críticas dos puristas

MetallicaMetallica
James Hetfield fala sobre a sensação Ghost

GhostGhost
Papa é acusado de tentar fazer banda virar carreira solo

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "Ghost"

ExcessosExcessos
Como os rockstars gastam os seus milhões

BaixosBaixos
Como conservar e recuperar as cordas do instrumento

SkankSkank
Banda foi enganada ao participar de programa da Xuxa

5000 acessosMetallica: noiva toca "Master..." na bateria no casamento5000 acessosMegadeth: Electra mostra para Kiko como está fera no Português5000 acessosEm 08/03/1995: Ingo Schwichtenberg, baterista do Helloween, comete suicídio5000 acessosStatik Majik: A coleção de vinis do baterista Luis Carlos5000 acessosSebastian Bach: a "Escola de Grito" do vocalista5000 acessosKorn: famosa capa é homenageada em seriado da Rede Globo?

Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

Mais matérias de Ricardo Seelig no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online