Stratovarius: tipo de disco que agrada antes mesmo de ser aberto
Resenha - Nemesis - Stratovarius
Por Victor de Andrade Lopes
Fonte: Sinfonia de Ideias
Postado em 28 de fevereiro de 2013
Nota: 8 ![]()
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Nemesis é o tipo de disco que agrada antes mesmo de ser aberto: pela terceira vez consecutiva, um álbum do STRATOVARIUS ganha uma capa belíssima, visualmente rica e bem trabalhada, que muitos compararam com uma imagem de video-game - algo mais tarde endossado pelo tecladista JENS JOHANSSON em entrevista à rádio francesa RockOne.
Um dos críticos que tiveram acesso prévio ao álbum afirmou que este era o melhor do STRATOVARIUS em anos. Pode até ter uma certa dose de exagero aí (especialmente para um disco que sucede Elysium, outro grande álbum do grupo), mas, de fato, o trabalho fica acima da média.
Nemesis começa bem: "Abandon" traz uma introdução breve que logo dá lugar a uma canção agressiva marcada por um bom duelo entre o guitarrista MATIAS KUPIAINEN e seu colega JENS.
No resto da primeira metade do álbum, a banda parece tentar manter este nível, mas perdeu o fôlego logo na segunda música, "Unbreakable". Liberada já há algum tempo, a faixa que foi lançada como single é bem comercial e certamente o ponto mais fraco do disco. "Halcyon Days", outra faixa liberada antecipadamente, agradou mais, por ser mais a cara do Stratovarius - ou quase. A música é temperada com um riff eletrônico nos teclados que pode causar estranhamento, apesar de JENS já fazer uso disso há algum tempo. O seu solo, inclusive, é bastante moderno e futurista. É um tipo de som do qual ele ainda abusará bastante na obra.
"Stand My Ground" é uma típica faixa stratovariana, com o vocalista TIMO KOTIPELTO defendendo pela enésima vez o direito de ter suas crenças particulares e garantindo que não vai abandoná-las independentemente das tentativas alheias de persuadi-lo. Ganha pontos pelo refrão épico mas perde pelo clichê. "Fantasy" segue uma filosofia não muito diferente em sua letra e é a única composição de LAURI PORRA na edição regular do disco, o que pode ser percebido pelo baixo proeminente.
"Out of the Fog" e "If the Story Is Over" foram coescritas por JANI LIIMATAINEN, ex-guitarrista do SONATA ARCTICA que já trabalhou com o TIMO no grupo CAIN'S OFFERING e mais recentemente no álbum Blackoustic. As duas são bem diferentes: uma é agressiva, e a outra, melódica. Mas ambas são bem fortes e mostram a riqueza resultante das parcerias entre membros (ou ex-membros) dos dois maiores grupos de power metal da Finlândia.
"Castles in the Air" e "Dragons" são marcadas por um trabalho intenso aos teclados - não por acaso, JENS é o autor das faixas. E não é só ele que se destaca aqui: os riffs, as linhas de bateria e os vocais estão todos bem trabalhados para se equiparar às teclas. O disco chega aqui ao seu ponto alto, numa escalada que começou nas parcerias com JANI.
Fechando a obra, temos a faixa-título, que de certa forma resume tudo o que a banda fez no disco.
Sobre ROLF PILVE? Bom, a sua entrada não mudou praticamente nada. Na verdade, o fã vai demorar a se lembrar que eles trocaram de baterista, pois tanto ele quanto o antigo dono das baquetas JÖRG MICHAEL trabalham com o mesmo estilo e tocam de igual para igual. Na verdade, é o guitarrista MATIAS que se destaca, dando pela terceira vez um duro e certeiro tapa na cara das viúvas do ex-guitarrista TIMO TOLKKI - que, aliás, também elogiou o disco.
Nemesis é um daqueles álbuns que começam bem e vão esquentando, como se o grupo evoluísse ao longo das músicas. Ficará marcado não como o melhor disco deles, mas como um dos mais concisos, maduros e importantes, na medida em que consolida o quinteto como lenda do power metal ao mesmo tempo em que mostra que a banda é capaz de se reinventar.
Musicalmente falando, a principal característica do disco é a presença de elementos eletrônicos - uma forma moderna que o grupo encontrou para continuar produzindo power metal de qualidade sem cair na mesmice da qual o gênero sofre. O disco tem faixas que variam de curtas a médias, tendo a mais curta pouco mais de quatro minutos e a mais longa quase sete. Uma pena que não haja nenhuma faixa realmente longa. Não que isso seja um item obrigatório, mas eles já mostraram com "Infinity", "Visions" e principalmente "Elysium" que sabem como criar algo longo e não-enjoativo.
Abaixo, a faixa de abertura:
Tracklist:
1. Abandon
2. Unbreakable
3. Stand My Ground
4. Halcyon Days
5. Fantasy
6. Out Of The Fog
7. Castles In The Air
8. Dragons
9. One Must Fall
10. If The Story Is Over
11. Nemesis
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