Soundgarden: a banda está de volta, mas sem culhões

Resenha - King Animal - Soundgarden

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Por Igor Z. Martins
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O Soundgarden voltou. A minha banda favorita da era grunge está de volta. E eles lançaram um disco, neste ano, chamado “King Animal”, você sabia? Não sei como anda a agenda da banda, não sei se haverá turnê, não sei se eles estarão no Brasil. Tudo que eu sei é que há um novo disco. Então, vamos falar desse novo álbum.
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Nunca espere ouvir desse trabalho o que você ouviu de "Louder Than Love" (1989) ou “Badmotorfinger” (1991). Não vou falar do “Superunknown” (1994), porque, ainda que seja um disco aclamado por fã e crítica, flerta demais com a MTV e o mundo pop, pra mim. O fato, aqui, é que “King Animal” só vale no que diz respeito a podermos dizer “o Soundgarden voltou, realmente”. Mas não é a mesma banda de antes, nem a mesma pegada. No decorrer do álbum, há, apenas, espasmos do que o Soundgarden foi um dia. No restante, é sem culhões, sem pegada.

Chris Cornell é um dos meus vocalistas favoritos, mas eu corto os braços se ele conseguir cantar adequadamente o material do novo álbum ao vivo. Mesmo nos anos 90, ele forçava a barra em estúdio e tinha uma dificuldade flagrante para reproduzir ao vivo o que gravara. É só vasculhar por “Slaves & Bulldozers” ao vivo, no Youtube, e comprovar. Uma das linhas vocais mais animais da história do rock moderno é arruinada ao vivo, porque Cornell forçou demais a barra em estúdio. Cantar no estúdio é fácil. Você pode tentar 50 mil vezes até acertar, e há equipamentos e computadores que nivelam teu tom, o volume, etc. Assim, eu canto em estúdio rouco e gripado e poderá haver um bom trabalho. Ao vivo, seria uma catástrofe.

Sobre a cena grunge, a única banda daquela época que mostrou um trabalho coeso hoje em dia foi o Alice In Chains, com “Black Gives Way To Blue” (2009). O Pearl Jam foi um fracasso, em minha opinião, com “Backspacer” (2009). A cagada começa já na capa. E a sonoridade do álbum declara que o disco é o pior da carreira da banda e, possivelmente, um dos cinco piores discos feitos por bandas grunge na história. Já que estou falando no Pearl Jam, gostaria de dizer que o Eddie Vedder se tornou um frouxo politicamente correto em todos os sentidos. O Pearl Jam virou “banda de rock ingênuo”. É como o Helloween é para a cena do metal: só letras bobocas, sem pegada, sem bolas, sem gás, sem energia. Mas, tudo bem... Agrada às menininhas de 16 anos e isso é lucrativo, ok? Vamos tentar entender, então.

Voltando ao Soundgarden... Para corroborar meu argumento de que a banda já não tem a mesma pegada de antes e está de joelhos no altar da pop music, basta ouvir “A Thousand Days Before”, quarta faixa do novo disco. A música é tão piegas e flagrantemente pop que serviria direitinho como trilha sonora para um filme do estilo “O Segredo de Brokeback Mountain”. A faixa seguinte, “Blood On The Valley Floor”, é tão sonífera, forçada, chata, que dá vontade de parar de ouvir o álbum para não ter os ouvidos e a mente molestados outra vez.

“Bones of Birds” só atesta o argumento anterior. Outra vez temos o Chris Cornell “rezando” e cantando dentro de uma garrafa, ao invés de mostrar aquele potencial que tínhamos em “Outshined”, por exemplo.

Mas, ok... Vamos dar um tempo aos caras... Foram anos e anos de hiato e é como andar de bicicleta: na primeira tentativa depois de vários anos, você pode cair. Então, quem sabe, no próximo (se houver um), eles podem acertar a mão. Toda a pieguice e bom-mocismo do Chris Cornell e sua carreira solo caíram como um raio na atmosfera de “King Animal”. Alguém já ouviu os trabalhos solos do Chris? Fiquem longe! São um porre. Tipo a “Missa do Galo”, mesmo, e você fica tentando entender como alguém como ele pode ter se vendido tanto e se tornado tão marica, musicalmente falando. Sem ousadia, sem veia, sem pegada. Só uma tentativa de quebrar corações e estar na MTV, da mesma forma que é “King Animal”.

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Sobre Igor Z. Martins

Jornalista do interior do Paraná, Igor entrou no mundo do rock pesado em 1998, com "The X Factor", do Iron Maiden. Posteriormente, cairam em seus ouvidos Metallica, Guns N'Roses, Dream Theater, Megadeth, etc. Eclético, consegue escutar Oasis, Death, Pantera e Pink Floyd em sequência! Gasta mais da metade do que ganha com CDs, sendo, assim, chamado de "burro" por aqueles que acreditam que "é só baixar da Internet". Quer lhe dar um presente, fazê-lo feliz? Dê-lhe um CD! Comportar-se como criança diante de um CD novo e sentir o cheiro de encartes são marcas de sua paixão louca pela música!

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