O álbum clássico do Soundgarden que Chris Cornell chamou de "um grande erro"
Por Bruce William
Postado em 16 de dezembro de 2025
Quando uma banda ainda está aprendendo a fazer disco "de verdade", o estúdio vira um teste de identidade. Não é só gravar bem: é conseguir que o som registrado tenha a cara do grupo, sem virar algo genérico ou desalinhado com o que a banda faz ao vivo. No caso do Soundgarden, Chris Cornell disse anos depois que o primeiro álbum foi justamente o tipo de experiência em que uma escolha errada pesa mais do que deveria.
O ponto sensível, segundo ele, foi a produção. O álbum acabou sendo feito com Drew Canulette, indicado pela SST (gravadora do disco) por uma questão prática: a gravadora conseguia "um bom negócio". Só que Cornell afirmou que o produtor não estava acostumado com o tipo de som que a banda queria e não entendia o que estava acontecendo na cena de Seattle naquele momento - o que, para um grupo em formação, é quase pedir para a gravação ficar "fora do eixo".

Numa entrevista de 1995 para a Kerrang, resgatada pela Rock Celebrities, ele resumiu a frustração: "A gente cometeu um grande erro com 'Ultramega OK', porque saiu do nosso ambiente, das pessoas com quem a gente já vinha trabalhando, e usou esse produtor, o que afetou o álbum de um jeito meio negativo. (...) Eu me arrependo porque, em termos de material, deveria ter sido um dos melhores discos que a gente já fez. Na prática, ele até diminuiu um pouco o nosso embalo, porque não soava como a gente."
Aí entra o detalhe que explica por que essa autocrítica chama atenção: o álbum em si não é tratado como um "fracasso" na história da banda. "Ultramega OK" saiu em 31 de outubro de 1988, pela SST, e já mostrava o Soundgarden misturando metal, psicodelia e hardcore. Depois do lançamento, o grupo fez turnê nos Estados Unidos e, na sequência, a primeira turnê fora do país.
E, ao contrário do que muita gente repete por aí, o disco não "ganhou" Grammy: ele recebeu foi uma indicação em 1990, na categoria Best Metal Performance. Quem levou naquele ano foi o Metallica, com "One", o que ajuda a colocar o feito do Soundgarden no tamanho certo - reconhecimento, mas não troféu.
O próprio histórico posterior do álbum reforça que a bronca de Cornell não era com as músicas, e sim com o registro. A banda ficou insatisfeita com a mixagem original e, décadas depois, o disco ganhou uma reedição com nova mixagem feita com Jack Endino, um nome associado ao som de Seattle e que já tinha trabalhado com o grupo no começo.
No fim, o que Cornell descreveu como "um grande erro" não foi ter escrito aquelas músicas, nem ter estreado com um disco cheio de arestas; foi ter colocado o primeiro álbum nas mãos de um processo que, na visão dele, afastou a banda do próprio terreno, e isso é o tipo de coisa que músico percebe na hora em que o disco sai e você dá play pensando "era pra estar aqui", só que o som está um pouco do lado, e aí não adianta a faixa ser boa, nem o repertório ter potencial, porque o registro que fica para sempre é justamente o que não parece, de fato, o que vocês eram naquele momento.
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