Soundgarden: voltou pra valer e está no auge da forma
Resenha - King Animal - Soundgarden
Por David Oaski
Postado em 19 de novembro de 2012
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
O Soundgarden anunciou seu retorno em 2010, quatorze anos após o lançamento do último álbum e treze após o anúncio do fim da banda. Desde então, surgiu a expectativa se a banda voltaria pra valer com novas composições ou se tratava de mais um caça níquel, como algumas bandas que vemos por aí. Com o lançamento de "King Animal" temos a clara resposta de que a banda voltou pra valer e se encontra no auge da forma.
Pra quem não sabe, o Soundgarden foi uma das principais bandas do movimento grunge, sendo a primeira a fechar com uma gravadora e teve uma carreira das mais sólidas, lançando cinco discos entre 1988 e 1996, com grandes hits, tais como "Black Hole Sun", "Outshined", "Rusty Cage", "Jesus Christ Pose", entre outros.
Durante o hiato após o fim da banda, Cornell investiu numa interessante carreira solo, formou com os ex integrantes do Rage Against The Machine, o ótimo Audioslave e voltou a excursionar sozinho, até anunciar a volta da banda, ao lado do baterista Matt Cameron (que também toca no Pearl Jam), do subestimado guitarrista Kim Thayil e do baixista Bem Shepherd.
O disco já abre com a agressiva "Been Away Too Long", com o sugestivo título, já que a banda retorna aos holofotes após algum tempo e em grande estilo, com este excelente primeiro single, que é certamente uma das melhores músicas do ano. Lembra um pouco as composições recentes do Pearl Jam, quem sabe por alguma colaboração de Matt Cameron. Chris segue cantando demais e a banda está muito bem entrosada mesmo após o longo hiato. Na faixa se destacam-se também as guitarras de Kim Thayil, com algumas viradas no ritmo, sem perder o peso num só minuto. Excelente cartão de visitas pra esse novo álbum.
"Non State Actor" já começa com um grito de Cornell, mas tem mais groove que a anterior, mas também é excelente, com boa letra, aliás outra característica da banda, a de sempre contar com composições de qualidade, tanto na melodia quanto nas letras. Já "By Crooked Steps" possui um riff de guitarra que permeia a canção num andamento mais arrastado. Tem um ótimo solo de guitarra, além de Chris cantando em dois canais diferentes, o título da música por sobre as estrofes em alguns momentos.
"A Thousand Days Before" remete a um country, um pouco pelos timbres da guitarra, que são o grande destaque da faixa. Como já foi dito, Kim Thayil é um daqueles guitarristas cujo timbre pode ser notado no primeiro acorde, de forma que as guitarras sempre foram destaque nas melodias da banda, Kim seria algo como o Johnny Marr (The Smiths) do Soundgarden, o cara que carrega pelo menos metade do DNA da banda nos dedos, o restante está na garganta de Cornell.
A quinta faixa "Blood On The Valley Floor" é mais densa, arrastada e lembra as raízes do Soundgarden. "Bones of Birds" começa cantada com a voz mais suave que lembra os lados B do Audioslave. É impressionante como Cornell consegue diversificar seu estilo vocal, impondo suavidade, romantismo ou agressividade de acordo com o que a canção pede. Seguindo a mesma linha, "Taree" possui um andamento simples de guitarra que gruda na mente, há também um bom solo de guitarra.
"Attrition" é a música mais curta do álbum e retorna com a energia das primeiras faixas, com uma melodia mais acelerada, as tradicionais guitarras entrelaçadas de Chris e Kim. Outra ótima canção, com um bom solo e Cornell cantando por sobre o andamento da guitarra.
O clima fica mais intimista na primeira parte de "Black Saturday", com violão e percussão, depois a melodia amplia com guitarras, baixo e bateria. A canção fica um pouco mais densa no meio, depois retorna com a letra e melodia melancólica da canção. O clima semi acústico segue em "Halfway There", que também inicia com o violão acompanhando a voz de Cornell, porém numa melodia mais ensolarada. Poderia tocar na rádio (se ainda tocasse rock no rádio). Leve andamento de guitarra, novamente com um bom solo. É a canção mais pop do disco.
"Worse Dreams" inicia com um riff de guitarra que se repete e a linha de baixo tem grande destaque numa faixa diferente, pesada, dando um clima tenso aos piores sonhos, do título da música. A penúltima música "Eyelid's Mouth" lembra o Soundgarden antigo, com a melodia arrastada e vocais apurados, limpos e com efeitos de Cornell, além disso, o solo de guitarra é dos melhores do play. A faixa derradeira "Rowing" é outro dos muitos destaques do álbum, com uma levada carregada, com bateria eletrônica e as guitarras entrelaçadas permeando o andamento da canção. A voz de Cornell puxa tudo para si, como um magnetismo melódico que põe tudo em seu devido lugar. Solo de guitarra devastador para fechar o disco dando graças à Deus pelo retorno desses caras.
Melodicamente falando talvez o Soundgarden seja a grande banda da safra de Seattle, apesar de não ter feito tanto sucesso quanto seus conterrâneos mais famosos, eles sempre imprimiram personalidade e originalidade às suas canções, gravando bons discos no decorrer da carreira. Com esse retorno, eles mostram que essa fonte criativa ainda está a pleno vapor, ao contrário de outras bandas que retornam sem ter muito o que dizer, os caras gravaram um disco que não soa nostálgico ou um resgate sonoro em momento nenhum, pelo contrário.
Está tudo aqui, a distorção, a agressividade, a melancolia, porém revitalizado, com uma boa dose de energia e canções que possivelmente a banda não teria gravado dez, quinze anos atrás, mostrando que tanto a pausa quanto o retorno fizeram bem à banda.
Os destaques do disco são os mesmos de toda discografia da banda, Cornell que é certamente um dos maiores cantores do rock em todos os tempos (os tradicionalistas que se cocem) e Kim, com suas guitarras extremamente únicas e originais.
Bom, ao terminar a audição do disco, você certamente terá a mesma sensação que tive, o mundo já pode acabar, pois temos aqui, o melhor disco do ano!
Outras resenhas de King Animal - Soundgarden
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



As quatro melhores músicas do Led Zeppelin, segundo Robert Plant
A cantora que conquistou James Hetfield com sua voz "de cheiro de cigarro"
Show do Iron Maiden em Paris é prejudicado por falta de luz
Eric Martin, Edu Falaschi, Tim Owens e Jeff Scott Soto anunciam setlist do Masters of Voices
A banda que Brian May achava que deveria ter sido gigantesca; "Eles foram nossos mentores"
As músicas mais longas de 10 grandes bandas de heavy metal
John Bush não lamenta ter feito menos sucesso que colegas de geração
A música do Slayer que lembra o Alice in Chains, segundo a Kerrang!
Por que novo álbum de Edu Falaschi agrada quem não curte power metal, segundo o próprio
Steve Harris foi único membro do Iron Maiden a receber Paul Di'Anno em show, revela documentarista
Com a cantora Mona Miari, Roger Waters lança nova versão de "Comfortably Numb"
A melhor música de rock progressivo de todos os tempos, segundo os leitores da Prog
A separação de banda que deixou Jimmy Page arrasado; "Ficamos tristes quando eles terminaram"
A melhor banda de rock de todos os tempos, segundo o ator Pedro Pascal
Hellfest anuncia edição de 20 anos com 10 palcos e mais de 300 bandas em 2027
Sebastian Bach fala sobre o chilique que o fez ser demitido do Skid Row
Por que o lendário Raul Seixas nunca foi fã da verdinha e desprezava a erva
Megadeth: história, curiosidades, discografia e formações


A banda que Chris Cornell integraria se convidassem; "Ele nunca me chamou"
A música obscura que ajudou o Soundgarden a religar a química que estava perdida
Guitarrista reconhece não estar sendo fácil finalizar álbum do Soundgarden sem Chris Cornell
Kim Thayil cita influências metálicas no início do Soundgarden
Em trecho de biografia, Kim Thayil conta como soube da morte de Chris Cornell
A banda desconhecida que está por trás de boa parte do som pesado dos últimos 40 anos
RHCP: O monstro saiu da jaula com um de seus melhores trabalhos



