O que tornava o Soundgarden especial, segundo o baixista; "não éramos grandes músicos"
Por Bruce William
Postado em 09 de dezembro de 2025
Quando se fala em Soundgarden, é fácil enxergar a banda como um grupo que já nasceu com um "algo a mais" pronto e inegociável. Só que, olhando de dentro, a história parece menos sobre técnica impecável e mais sobre o tipo de intensidade que não se aprende em manual. Em uma entrevista com Allison Hagendorf e o Rock & Roll Hall of Fame (com transcrição do Ultimate-Guitar), Kim Thayil, Ben Shepherd, Hiro Yamamoto e Matt Cameron foram provocados a pensar no que diriam a si mesmos quando eram "aqueles garotos" começando tudo.

A resposta que ganhou mais corpo veio de Hiro Yamamoto, e ela bate direto na essência emocional do grupo. Ele disse que diria aos mais jovens para colocarem o coração no palco e se permitirem soltar de verdade, porque aquilo era o diferencial real. "Eu diria para aqueles garotos apenas colocar o coração no palco. Ou simplesmente se deixar levar." Na sequência, ele explicou que ele e Chris Cornell tinham dificuldade de se comunicar bem de forma verbal, mas que no palco viravam outras pessoas, como se a música fosse a linguagem mais clara que tinham.
Yamamoto também puxou Ben Shepherd para essa linha de raciocínio ao lembrar que, quando Ben entrou na banda, trazia a mesma carga interna, o mesmo tipo de urgência. Não era uma questão de trocar peças e mudar o rumo do som; era como se o espírito catártico já estivesse ali e só ganhasse continuidade. "E quando o Ben entrou na banda, ele tinha a mesma coisa nele, então não foi como uma mudança quando eu saí. Aquilo continuou. Mas nós proporcionamos uma experiência catártica."
A fala mais forte, porém, aparece quando ele tenta explicar o que fazia Cornell soar tão acima da média sem reduzir tudo a técnica vocal. A leitura dele é simples e direta: emoção. "O Chris não era só um grande cantor: as emoções dele saíam quando ele cantava." E isso, segundo Yamamoto, era a cara do Soundgarden na prática - uma banda que colocava sentimento cru no centro da performance, sem se proteger atrás de pose ou de perfeccionismo.
Daí vem a frase que ajuda a amarrar o ponto principal dessa lembrança. "E essa era a nossa singularidade. Nós não éramos grandes músicos, nós só sabíamos colocar as emoções para fora." Dita assim, a ideia tenta explicar por que o som soava tão vivo mesmo quando o cenário de Seattle ainda estava se formando e o grupo buscava sua própria identidade.
No fim, essa leitura tem cara de verdade de bastidor: o Soundgarden não se via como um time de virtuoses montado para impressionar por habilidade pura, e sim como uma banda que acertava porque sabia transformar conflito interno em performance. Para quem cresceu ouvindo aquelas músicas com a sensação de que tinha algo humano demais ali dentro, a explicação de Yamamoto - com Ben e os outros presentes nessa conversa - encaixa como uma chave simples para uma banda que nunca pareceu interessada em parecer "perfeita", e sim necessária.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



"Esse disco acabou com minha paixão pelo heavy metal": Sergio Martins revisita clássico
Ex-Manowar, guitarrista Ross The Boss é diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica
Eluveitie e Twisted Sister pediram para se apresentar no Bangers Open Air 2027
A maior banda de rock de todos os tempos, segundo Mick Fleetwood
A "banda definitiva" do heavy metal, segundo Lars Ulrich, do Metallica
A pior faixa de "Black Album", de acordo com o Heavy Consequence
Para Gary Holt, Paul Baloff é o maior frontman da história do thrash metal
Dave Mustaine aponta o elemento que diferenciava o Megadeth das outras bandas de metal
Por que "Welcome Home (Sanitarium)" é a pior faixa de "Master of Puppets", segundo site
O cantor que John Lennon achava fraco, mas conquistou o Brasil no Rock in Rio
O disco do Black Sabbath considerado uma "atrocidade" pelo Heavy Consequence
O disco "odiado por 99,999% dos roquistas do metal" que Regis Tadeu adora
Bono elege o que o heavy metal produz de pior, mas admite; "pode haver exceções"
O álbum "esquecido" do Black Sabbath que merecia mais crédito, segundo Tony Iommi
O hábito dos jogadores de futebol modernos que Andreas Kisser não acha nada legal

Quando Chris Cornell temeu que o Soundgarden fosse comparado com Black Sabbath ou Led Zeppelin
O guitarrista brasileiro que recusou convite de Chris Cornell para integrar sua banda
A música surpreendente que "peitou" o sucesso do grunge no início dos anos 90
As 11 melhores baladas de rock alternativo dos anos 1990, segundo a Loudwire
15 grandes discos lançados em 1996, em lista da Revolver Magazine
Lista: 10 bandas que acabaram e nunca mais retomarão as atividades
Chris Cornell: falando sobre suicídio em entrevista de dez anos atrás


