Queen: o que é bom ninguém aceita que acabe

Resenha - Return of the Champions - Queen

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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Nota: 6

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


O que é bom ninguém aceita que acabe. E ninguém, incluindo o guitarrista Brian May e o baterista Roger Taylor, aceitou o final do QUEEN. E na tentativa de manter viva a imortal banda, a dupla recrutou Paul Rodgers (FREE/BAD COMPANY) para assumir os vocais, posto em que ele ficou por alguns anos. Um dos frutos dessa iniciativa é o DVD (e CD duplo) "Return of the Champions", gravado em 2005 na Hallam FM Arena em Sheffield, Inglaterra. É desse show que vou falar agora.

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A recente "Reaching Out", que abre os trabalhos, não parece uma música do QUEEN (e não é mesmo, já que não está em nenhum disco da banda, com exceção deste). Logo, ao primeiro acorde da inconfundível guitarra de Brian May podemos ter certeza, é um show do QUEEN.

Apesar disso, ainda levará alguns minutos para que Paul Rodgers, Brian May, Roger Taylor e músicos de apoio conquistem os fãs. O primeiro ato do show é uma longa salada de muitas músicas que mais irrita do que diverte ("Tie Your Mother Down", "I Want to Break Free", "Fat Bottomed Girls", "Wishing Well", "Another One Bites the Dust" e "Crazy Little Thing Called Love"). Uma coisa é ter uma música incidental inserida em outra. É algo que enriquece a música que consta nos créditos, enquanto homenageia a que é tocada "incidentalmente". Aqui, como em outros lançamentos que a banda fez esse tipo de coisa, o que acontece é bem diferente. Quando você começa a se empolgar com uma música, ela acaba, dando início a outra, que também não vai te dar tempo para se empolgar. Clássicos como "I Want To Break Free" não merecem ser cortadas ao meio, nem que seja para dar início a "Fat Bottomed Girls"). A mesma coisa acontece com "We Will Rock You", já perto do final do DVD.

Em "Love of My Life", já recuperados do "susto inicial", temos uma interpretação não tão perfeita de Brian May, mas, de certa forma, parece muito mais verdadeira do que o que tínhamos visto até aqui, com Paul Rodgers. A ajuda da platéia cria um clima intenso de saudosismo. Esta é, mesmo com alguma pequena falha na voz de May (ou até mesmo por causa disso), um dos melhores momentos do disco. Ainda com a mesma emoção, o guitarrista começa "Hammer to Fall", que será cantada em dueto com Rodgers.

A explosiva "Feel Like Making Love", do BAD COMPANY, uma das bandas pelas quais Paul Rodgers passou soa bem melhor na voz de Rodgers aqui do que todo o repertório do QUEEN que ele canta neste DVD (veja bem, estou me referindo a esse DVD, nao ao repertório do QUEEN). O mesmo acontece com "All Right Now", do FREE, mais adiante.

Outro momento especial do DVD é o solo de guitarra de May intitulado "Last Horizon". Brian May é e sempre será um dos melhores guitarristas do seu tempo (e o cara ainda é astrofísico, saca só) e os efeitos de iluminação que fazem com que o guitarrista parece estar tocando no meio de um mar iluminado de estrelas fazem com que este DVD mereça ser visto.

A voz grave e a interpretação de Roger Taylor (com timbre muito parecido com ROD STEWART) e os vídeos antigos da banda exibidos num telão fazem de "These Are the Days of Our Lives" outro grande momento. Em seguida, é o baterista que inicia "Radio Gaga", um dos maiores sucessos do QUEEN.

Se você chegou em "A Kind of Magic" ou "I Want It All", você provavelmente já estará aceitando esta nova banda. Freddie Mercury é insubstituível, mas os dotes vocais de Paul Rodgers, a guitarra única de Brian May, a competência de Roger Taylor e dos músicos de apoio (Spike Edney - teclados, Jamie Moses - guitarra, Danny Miranda - baixo) e a força das canções do QUEEN nos dá a certeza de que estamos diante de uma das melhores bandas já formadas. O problema, já passa de uma hora de show. O maior problema do QUEEN, que não foi solucionado com Paul Rodgers, nem será com Adam Lambert e, prevejo, com nenhum outro, é o próprio QUEEN, é ter sido a banda capitaneada por um dos maiores vocalistas do século 20, Farrokh Bulsara, que ficou conhecido como Freddie Mercury. E é ele que, em vídeo, começa a eterna "Bohemian Rapsody". Só nesse momento, os ingleses da platéia se parecem com brasileiros e começam a pular de verdade.

Veredicto final, o DVD é interessante, pelos momentos bons, pelo talento dos músicos, pelas canções do FREE e BAD COMPANY tocadas por May e Taylor, mas, se você quer ver o QUEEN de verdade, vale mais a pena investir (se é que você ainda não os tem) no "Queen at Wembley" ou no DVD do "Live In Rio". Em CD, prefiro a discografia original do QUEEN, ou até mesmo a do FREE ou BAD COMPANY. O DVD é um bom item de colecionador, os CDs não tem nada a acrescentar.

Track List:

"Reaching Out"
"Tie Your Mother Down"
"I Want to Break Free"
"Fat Bottomed Girls"
"Wishing Well"
"Another One Bites the Dust"
"Crazy Little Thing Called Love"
"Say It's Not True"
"'39"
"Love of My Life"
"Hammer to Fall"
"Feel Like Makin' Love"
"Let There Be Drums"
"I'm in Love with My Car"
"Last Horizon"
"These Are the Days of Our Lives"
"Radio Ga Ga"
"Can't Get Enough"
"A Kind of Magic"
"I Want It All"
"Bohemian Rhapsody"
"The Show Must Go On"
"All Right Now"
"We Will Rock You"
"We Are the Champions"
"God Save the Queen"
"It's a Beautiful Day" (Remix)
"Imagine"

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Post de 18 de setembro de 2012


Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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