Omfalos: Deixem a função "repeat" do CD ativada

Resenha - Idiots Savants - Omfalos

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Por Marcos Garcia
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O Metal como um todo tem muitos problemas internos devido às limitações impostas por fãs, que um dia se tornam músicos, e muitas vezes, isso acaba estagnando todas as suas vertentes de forma inegável. E isso é ruim, pois há a necessidade de ter vida e se adaptar a novos tempos, ou seja, a criatividade e a ousadia devem ser as luzes a iluminar a estrada que as bandas escolhem para si, e muitas vezes, é necessário dar uma bela bicuda nos fundilhos de ditames e regras para tanto. O ousado vence, pois pode se adaptar. A vida é assim.

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E provando que não está nem aí para regras ou limites, mas fazendo um trabalho digno de menção honrosa e bem distinto de clones que infestam a cena mundial, que aparecem do nada e para o nada retornam, temos o OMFALOS, banda brasileira do Distrito Federal, disposta a marcar seu nome com o seu primeiro e ótimo CD, ‘Idiots Servants’.

Nascido da vontade de fazer algo diferente do que já fizeram antes, temos na banda juntas as mentes experientes de Thorminiak (guitarrista do MIASTHENIA, ex-THORMINIAK, ex-HARPPIA, ex-VULTOS VOCIFEROS) e Zé Misanthrope (do RED OLD SNAKE), ou seja, dois sujeitos com backgrounds bem diferentes, e assim, a banda cria para si um nicho bem próprio e diferente do que é visto em termos de Brasil, já que fazem uma tendência ainda de não muita expressão por aqui, que se convencionou chamar de Avant-Garde Black Metal (é, lá vem mais um maldito rótulo para encher a paciência...), ou seja, é uma música ríspida, agressiva e carnívora, mas mesmo assim, com melodias fortes e melancólicas, ora mais rápido e brutal, ora mais cadenciado e climático, com influências de Gothic Rock, Industrial, pitadas de Death Metal ali e aqui, em um CD que não cansa de forma algum, pois além dos fatores acima citados, e ainda mais diferente de seus pares de estilo, o OMFALOS não faz músicas imensas.

Produção visual simples, mas funcional, embora a banda não publique suas letras por razões bem pessoais; sonorização caprichada e perfeita nos mínimos detalhes, que não deixa a música da banda perder intensidade, força e peso em momento algum.

No tocante às músicas, o nível prima pela homogeneidade, mesmo com músicas bem diversas. ‘Que Beleza que és um Entierro’ é uma intro sampleada do filme ‘Fando y Lis’, lá de 1968, dirigido pelo cineasta Cult chileno Alejandro Jodorowsky, precedendo a brutal ‘Drain the Air Out of my Lungs’, que tem vocais ríspidos e bases alucinantes, bem intensa, assim como ‘Sleep State Misperception’ e ‘The Naked Lunch’, outra bem esporrenta, com a cozinha dando um show de brutalidade, sendo que nesta, os vocais são mais variados, com algumas vozes mais agonizantes, sem deixar de ter rispidez (a letra faz menção a obra literária de William Burroughs), e a curta (com menos de dois minutos) ‘Anonymous Hate Manifesto’ segue a mesma linha das anteriores, mas com um solo de guitarra alucinante, onde Thorminiak mostra um feeling enorme, mostrando que solar rápido não significa ser zumbidor.

Já em ‘Bipolar Affective Disorder Suite’, o andamento é um pouco mais cadenciado, embora haja uma acelerada, mas depois fica ainda mais lenta e aterrorizante, com os vocais dando mais uma mostra de variedade, bem como o baixo dá um show e o solo de guitarra é algo digno de grandes elogios (muitos guitarristas de Metal Extremo deveriam aprender com ele como se faz); em ‘A Funeral Dirge for my Sanity’, a mais música longa do CD, temos uma faixa climática, mais Doom/Death Metal, ou seja, algo bem aterrador, com vocais bem mais agonizantes, que ganha um pouco mais de velocidade mais à frente, com vocais rasgados; ‘The Desperate Ballad of the Motherless Child’ é um belo dedilhado de violão, entremeado por sons de ambulâncias e o choro de uma criança; fechando, entra a ‘A Failed Experiment in Fitting into this World’, uma faixa bem mais densa, melódica, com contracantos de vocais góticos e ríspidos (Zé Misanthropic dá um show particular no CD todo), bem como a base empolga e o solo de guitarra nos deixa em êxtase, encerrando esta bela obra. A dica: deixem a função ‘repeat’ de seu CD player ativada, pois vais querer ouvir mais e mais o CD.

Ah, o título é uma referência à Síndrome de Savant, que para aqueles que desejam mais informações sobre o assunto, basta acessar o seguinte link:
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_Savant

Recomendado, pois é um trabalho honesto, e que esperamos que seja apenas o primeiro de muitos, já que a banda já possui uma formação para apresentações ao vivo.

Tracklist:
01. Que Bonito és un Entierro
02. Drain the Air Out of my Lungs
03. Sleep State Misperception
04. The Naked Lunch
05. Anonymous Hate Manifesto
06. Bipolar Affective Disorder Suite
07. A Funeral Dirge for my Sanity
08. The Desperate Ballad of the Motherless Child
09. A Failed Experiment in Fitting into this World

Formação:
Thormianak – Guitarras, baixo e teclados
Zé Misanthrope - Vocais, noise e samples

Contatos:
http://www.myspace.com/omfalossavants
http://www.lastfm.com.br/music/Omfalos
http://www.facebook.com/pages/Omfalos/160612164012257


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Sobre Marcos Garcia

Marcos Garcia é Mestrando em Geofísica na área de Clima Espacial, Bacharel e Licenciado em Física, professor, escritor e apreciador de todas as subdivisões de Metal, tendo sempre carinho pelas bandas mais jovens e desconhecidas do público, e acredita no Underground como forma de cultura e educação alternativas. Ainda possui seu próprio blog, o Metal Samsara, e encara a vida pela máxima de Buda "esqueça o passado, não pense no futuro, concentre-se apenas no presente".

Mais matérias de Marcos Garcia no Whiplash.Net.

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