Symfonia: A falta de ousadia impera durante todo o álbum

Resenha - In Paradisum - Symfonia

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Por Wesley M. Soares
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Nota: 5

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A expectativa criada em torno do SYMFONIA nos últimos meses fez muita gente cruzar os dedos na espera do primeiro trabalho desta banda que já nasceu com status de supergrupo antes mesmo do lançamento de qualquer material. Não era para menos, levando-se em conta a verdadeira constelação de músicos que integram o SYMFONIA, a saber: o vocalista Andre Mattos (ex-SHAMAN, ANGRA, VIPER), Timo Tolki (ex-STRATOVARIUS, REVOLUTION RENAISSANCE) nas guitarras, Jari Kainulanen (ex-STRATOVARIUS, EVERGREY) no baixo, o baterista Uli Kusch (ex-MASTERPLAN, HELLOWEEN, GAMMA RAY) e Mikko Härkin (ex-tecladista do SONATA ARCTICA).
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Particularmente, sempre temi pelo material que este “Supergrupo” poderia apresentar na sua estreia. Tinha comigo duas perspectivas: ou os músicos tentariam reerguer suas carreiras apostando em um material ousado e indo na contramão do que o mundo esperava ou tentariam seguir as velhas fórmulas de suas antigas bandas. Para infelicidade deste que vos escreve, preferiram optar pelo óbvio e na minha opinião, erraram feio.

O álbum começa com "Fields of Avalon" apresentando um riff característico do STRATOVARIUS era "Forth Dimension, Episode" e a primeira música não chega nem a ficar na promessa já que aquela sensação de “já ouvi isso antes” se confirma ao longo dos 5 minutos iniciais do CD.

Essa preocupação começa a ficar maior ao decorrer do disco quando me surpreendo cantarolando as linhas de vocal dos refrões antes mesmo de terminar de ouví-los por completo. Mas como pode? Mãe Dinah? Infelizmente não é questão de previsão, mas sim de previsibilidade. É, meus amigos, esse novo álbum do SYMFONIA é um festival de arranjos previsíveis, linhas de vocal típicas do mais datado Metal Melódico, com Andre Mattos abusando dos agudos como há muito tempo não víamos (e isso não é um elogio), solos e riffs reciclados dos trabalhos do STRATOVARIUS dos quais Timo Tolki parece não conseguir se libertar, levadas de bateria datadas (quem diria que um dia se poderia falar isso de Uli Kusch, um dos bateras mais criativos do Metal Melódico em todos os tempos), enfim, a falta de ousadia impera durante todo o álbum.

Falando das músicas propriamente ditas, se você procura por ideias novas e revigoradas, passe longe de "In Paradisum". Para os fãs do metal cíclico que vive dando voltas ao redor do próprio rabo e usam a desculpa de serem trues, músicas como "Fields of Avalon", "Santiago" (o início é uma cópia descarada de I’m Alive do HELLOWEEN), "In Paradisum" entre outras, farão você gozar de felicidade.

Existem momentos legais no CD? Sim, bastante momentos até, mas isso se não levarmos em conta que todas as músicas (TODAS) são reciclagens de clássicos das respectivas bandas dos integrantes do SYMFONIA.

Sei que muita gente vai endeusar esse álbum e dizer que Andre Mattos e companhia estão de volta em grande estilo e blablabla, mas a verdade é que o debut do SYMFONIA chega ao mercado com no mínimo 15 anos de atraso, já que todos os elementos que encontramos nele foi exaustivamente explorado pelas bandas do gênero, soando datado, ultrapassado, como um verdadeiro paraíso (com perdão do trocadilho) de clichês, daqueles que os detratores do Metal melódico tanto gostam de usar nas suas elucubrações contra o estilo.

É uma pena, visto que talento e potencial os caras do tal “supergrupo “ não precisam provar para ninguém que eles tem de sobra.

Fica pra próxima!!!

Músicas:

1. Fields of Avalon
2. Come by the Hills
3. Santiago
4. Alayna
5. Forevermore
6. Pilgrim Road
7. In Paradisum
8. Rhapsody in Black
9. I Walk in Neon
10. Don’t let me Go

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