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Symfonia: Quase todos ficaram em suas zonas de conforto

Resenha - In Paradisum - Symfonia

Por Júlio André Gutheil
Em 02/04/11

Nota: 7

E finalmente podemos ouvir este tal de Symfonia. O grupo prometia muito com seu line-up de estrelas e, porque não, gênios do metal melódico. Um time que conta com Andre Matos, Timmo Tolkki, Uli Kusch, Jari Kainulainen e Mikko Härkin de forma alguma nos apresentaria material de baixa qualidade, esmerando-se ao máximo para trazer ao público um trabalho que prima pela técnica, pela produção e bom gosto. Essa parte é completamente factual, porem o que deixa um pouco a desejar é o quesito criatividade e inventividade.

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As músicas deste debut "In Paradisum" foram compostas basicamente por Timmo Tolkki, que desde o anúncio do grupo já foi tido com o o patrão e mentor criativo do conjunto, e por causa disso as comparações para com o Stratovarius eram inevitáveis. E não foram comparações vazias, muitas das estruturas dos riffs são praticamente iguais as que compôs em sua ex-banda, ora mais aceleradas ora mais lentas, mas sempre com sua marca registrada (o que no caso não é algo lá muito positivo). Mas de qualquer forma, o que ouvimos no disco pode não ser absolutamente nada original e inventivo, mas é sim de alto nível e muito bem feito.

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O play começa com um speed metal clássico, 'Fields of Avalon', que soa mesmo como uma faixa de algum disco do Stratovarius em sua época dourada. Muito melódica, refrão fácil, boas linhas de teclado, bateria muito atuante. Boa música, sem muitos atrativos fora do comum e do básico, mas cumpre com sucesso a missão de abrir os trabalhos. A segunda faixa se chama 'Come By The Hills'; alguns fãs afirmam tratar-se de um auto-plágio descarado por Tolkki de 'Hunting High and Low' (Stratovarius – Infinite, 2000). De certa forma, a maneira como a canção foi construída lembra sim a citada música, mas não diria que seja uma cópia, já que é menos acelerada, tem um andamento diferente e a voz do Andre dá uma cara bem própria para ela. Boa faixa, acredito que daria um bom single com video-clipe de divulgação.

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Logo depois chega 'Santiago'. Uma faixa rápida, com boas doses de peso, instrumental um pouco menos melódico ou power, com um pouco mais de flertes com o Heavy tradicional (apesar de que na parte do refrão a faceta melódica volta com tudo). Dentro do contexto do disco como um todo é a que soa mesno batida, um dos destaques. A canção tem um certo quê religioso na letra, o que me soou um pouco estranho, mas sobre isso prefiro não comentar. A primeira balada do disco é 'Alayna'. Se existem duas coisas que combinam perfeitamente são Andre Matos e baladas, suas voz potente e versátil esbanja feeling, e dessa vez não foi diferente. O teclado de Mikko Härkin tem papel fundamental aqui, criando todo o clima que cerca a música, que começa bem lenta, só com voz e teclado, mas que vai tomando forma com alguns riff's e linhas de baixo, até chegar no refrão, não muito grandioso ou imponente, mas belo ecom uma certa magia que a deixa muito agradável de ouvir. Mais um bom destque.

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Mais uma claramente calcada em Stratovarius é 'Forevermore'. Rápida, de bateria cavalgante (Uli Kusch manda muito bem no disco todo), linhas vocais legais de ouvir e acompanhar , teclado discreto mas sempre presente, em suma, uma música legal, mas um grande cllichê; mas é boa sim. Mas uma faixa que realmente chama a atenção é 'Pilgrim Road', com seu começo num ritmo que pelo menos a mim soa como marcial, num tipo de riff que não é comum de Tolkki, acompanhado por linhas de teclado, criando um ar futurista e inesperado. Acertaram nessa. O restante da música segue mais ou menos nessa batida, ganhando peso com a entrada da bateria e do baixo, e ficando completa e "redonda" com a voz única de Andre. Essa sim, uma ótima faixa.

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Em seguida temos a faixa título. Consegue ser um mix das influências das antigas bandas dos membros. A parte mais rápida me lembra um pouco "Nothing to Say" do Angra, os teclados são aqueles que consagraram o Sonata Arctica, temos os corais imponentes dos épicos do Stratovarius e a bateria sempre precisa e técnica do Helloween e do Masterplan. Pessoalmente é uma das minhas favoritas, outro belo destaque do álbum.

'Rhapsody in Black' é bem interessante. Tem lá seus clichês, mas consegue ter uma certa sonoridade mais modernizada, é mais reta, com a bateria mais contida, porém um tanto mais pesada, de riffs exatamente iguais aos demais só que num tom mais atrativo; faixa muito bacana e que foge um pouco da mesmice. Junto com a impressão de estarmos ouvindo Stratovarius mais uma vez, nos chega 'I Walk in Neon'. Excetuando-se o muito bom refrão e alguns outros momentos soltos ao longo da música, não temos nada empolgante. Uma faixa meia-boca.

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E pra fechar temos uma balada praticamente acústica. 'Dont Let me Go' é melancólica, intimista e soturna. Tem bons dedilhados, o teclado levantando a aura e a inconfudível voz de Andre Matos, que casou perfeitamente com a proposta da canção. Encerrou o álbum com dignidade e eficiência.

Muito bem, "In Paradisum" é um amontoado de clichês batidos, composições, letras, arte gráfica, etc, com bons momentos de inventividade aqui e ali, mas eu não vou tirar os méritos da banda. Todo o trabalho que envolve o disco é de alto nível, gravação, execução, produção, mixagem e afins. Dentro de uma cena absolutamente saturada como é a do Metal Melódico, este se torna um trabalho de alto nível e acima da média. Eles não ousaram, ficaram quase todos em suas zonas de conforto, mas como se esmeraram muito nisso, provendo ao fãs um material de qualidade e bom gosto, digo que fizeram uma boa estreia.

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Mas também quero acreditar que eles não vão ficar se repetindo eternamente. Espero sinceramente que nos vindouros álbuns Andre e Uli, dois notórios compositores, possam ser mais colaborativos no processo criativo. Se isso vier a acontecer, daí sim acredto que podemos acabar nos deparando com discos clássicos no futuro, já que ainda não foi atingido o ápice do talento desses grandes músicos no Symfonia, que unidos e todos colaborando, ainda vão dar muito o que falar.

O Symfonia é:

Andre Matos – Vocais
Timmo Tolki – Guitarra
Jari Kainulainen – Baixo
Mikko Härkin – Teclados
Uli Kusch – Bateria

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Track List:

1. Fields of Avalon (5:09)
2. Come By the Hills (5:01)
3. Santiago (5:54)
4. Alayna (6:17)
5. Forevermore (5:31)
6. Pilgrim Road (3:37)
7. I Paradisum (9:35)
8. Rhapsody in Black (4:34)
9. I Walk in Neon (5:44)
10. Don Let me Go (3:56)


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Sobre Júlio André Gutheil

Nascido em Feliz, interior do Rio Grande do Sul, de origem alemã e com 20 anos de idade. Grande fã de Blind Guardian, Paradise Lost e Opeth, além de outras várias bandas de diversos estilos distintos. Pretende cursar jornalismo e também se dedicar o máximo possível à crônica do mundo Heavy Metal. Escreve no blog www.metalmeltdowndiscos.blogspot.com. Twitter: @jagutheil.

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